quarta-feira, 24 de abril de 2019

Motivos de Resignação

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É comum nos perguntarmos: por que tantas dificuldades aos meus pés? Por que as coisas ao meu redor não acontecem como eu as desejo? Por que o meu vizinho está sempre sorridente e eu triste? Analisemos, pois, as questões da dor e as razões pelas quais o Espiritismo nos exorta à resignação. Que tal?

Acontece que a dor que vivenciamos vem sempre de uma causa e há um intuito para ela. Nesse contexto, a resignação tem uma função crucial e ocorre quando nos tornamos animosos no sofrimento, pacientes diante da ingratidão, da adversidade, do infortúnio. Tal assunto se encontra bem ministrado no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo (Bem-Aventurados os Aflitos).

Para uma melhor compreensão, convém nos lembrarmos de que as bem-aventuranças encerram os ensinamentos de Jesus explanados em Cafarnaum, conhecido popularmente como o "Sermão da Montanha", cujo objetivo foi o de sintetizar as leis Morais para a Humanidade.

As bem-aventuranças é um termo que significa uma declaração de bênção em virtude duma boa sorte. Jesus, contudo, as expõe com certo paradoxo, porque em sua proclamação a bem-aventurança em um primeiro contato, aparentemente, não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas de uma má sorte. Jesus dizia: "bem-aventurados os que sofrem... os que sentem frio... os que são perseguidos" (Mackenzie, 1984); não obstantemente, ao refletir sobre seus ditos, fica claro que se destinam à consolação frente às nossas dificuldades.

Isso traz à baila que a dor, sendo inafastável à realidade do nosso mundo de expiações em que estamos ainda inseridos, pode ser vivida sem o sofrimento, ainda que tal feito represente um forte desafio; isso porque dor e sofrimento são conceitos diferentes, embora os termos sejam tratados na maioria das vezes como sinônimos, com base nas palavras de Jesus, podemos aprender que a dor representa, por mais desprazerosa que seja, uma alegria, uma passagem de libertação de nossas faltas, um aprendizado, devendo ser portanto experienciada com resignação.

É possível ainda entendermos que há vários tipos de dor e, de acordo com a Doutrina Espírita, podemos entender haver essencialmente três tipos:

1. DOR-EXPIAÇÃO

Essa dor refere-se à consequência de uma ação passada. Dada a nossa ignorância, desregramos-nos em relação às Leis de Deus e criamos o que os orientais chamam de "carma", que deve ser purgado para a nossa felicidade e a nossa harmonia interior.

2. DOR-EVOLUÇÃO

Enquanto na dor-expiação somos obrigados a sofrer porque merecemos, ou seja, porque cometemos deslize com relação à Lei Natural, nesta ocorre o contrário: sofremos porque temos o anelo da perfeição, a purificação de nossa alma. . O Espírito que atingiu esta fase está num nível de evolução bem superior ao que sofre por um "castigo". Por isso, não é muito correto dizer que a Reencarnação é uma punição. Ela é também motivo de evolução.

3. DOR-AUXÍLIO

Esta dor já é mais voltada para o sentido corretivo, pois os nossos desequilíbrios são tantos que muitas vezes precisamos ficar num leito de dor por anos e anos meditando em nossa situação. Quem visitar pessoas internadas em Casas de Recuperação pode notar as feições de cada um nesta situação. (Xavier, 1976, p. 261 e 262)

Nesse sentido consta no item 9 do Cáp. V do Evangelho o seguinte:

Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento por que se passa neste mundo seja necessariamente o indício de uma determinada falta; trata-se freqüentemente de simples provas escolhidas pelo Espírito, para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado. Um Espírito pode, portanto, ter conquistado um certo grau de elevação, mas querendo avançar mais, solicita uma missão, uma tarefa, pela qual será tanto mais recompensado, se sair vitorioso quanto mais penosa tiver sido a sua luta. Esses são, mais especialmente, os casos das pessoas de tendência naturalmente boas, de alma elevada, de sentimentos nobres inatos, que parecem nada trazer de mal de sua precedente existência, e que sofrem com resignação cristã as maiores dores, pedindo forças a Deus para suportá-las sem reclamar. Podem-se, ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam reclamações e levam à revolta contra Deus.
            O sofrimento que não provoca murmurações pode ser, sem dúvida, uma expiação, mas indica que foi antes escolhido voluntariamente do que imposto; é a prova de uma firme resolução, o que constitui sinal de progresso.

Desse trecho, extraímos que o sofrimento, mais precisamente a dor - em face do esclarecimento já explanado em parágrafo superior, pode ser uma expiação advinda de faltas pretéritas ou uma missão escolhida pelo Espírito para acelerar a sua evolução, ambos (expiação ou missão) são espécies de provas destinadas a Espíritos ainda imperfeitos. 

Em prol do caminho da redenção, as lições de Jesus nos convida a sermos feliz na dor/no sofrimento. Porque, voltando para dentro de nós mesmos, temos sempre a intuição do que fomos e a razão de estarmos frente a uma situação. Quer dizer, não há necessidade de fazermos uma regressão de memória ou terapia de vidas passadas, vez que a nossa próprio inconsciente nos conduz intuitivamente ao que fomos, dando-nos os motivos de nosso sofrimento no presente.

Em face disso, os Espíritos nos orientam que a resignação ao sofrimento equivale ao seguinte raciocínio: suponha que tenhamos uma dívida de R$ 100,00, que deve ser quitada num prazo X. Na contabilidade divina surge a seguinte operação: se me pagares apenas R$ 1,00, eu quitarei a dívida toda. Quem, que se julga honesto e responsável, não se apressaria em desembolsar R$ 1,00 para ficar livre de toda a dívida? Desse modo é o proceder da divindade para cada um. O nosso pagamento é sempre menor do que aquilo que deveríamos realmente pagar.

Assim, nas grandes crises pelas quais passamos, quando colocamos a vontade de Deus acima da nossa, o sofrimento torna-se mais leve, mais suave, enaltecendo os ensinamentos de Jesus, que diz que o seu jugo é suave e o seu fardo leve. Isso porque Jesus nos dá força para continuarmos no caminho da fé, apesar das asperezas. É por isso que os Espíritos superiores estão sempre nos alertando: "Em tudo o que fizer, pensa em Deus primeiro"!

Em tal feita, por que nos preocuparmos com a vida futura? Por que o evangelho nos diz que a felicidade não é deste mundo? Por que deixar para o dia seguinte o que podemos gozar hoje? As respostas a estas perguntas dependerão sensivelmente da visão de mundo de cada um de nós. Se formos muito apegados à matéria, poderemos querer gozar já no dia de hoje não importando se, com isso, precisarmos passar por cima do nosso próximo. Ao contrário, porém, se a nossa visão de mundo for espiritualista, olharemos as coisas de um outro ângulo. Ou seja, daremos mais atenção ao Espírito do que ao corpo.

Reza polêmica entre as religiões quanto a salvação da alma após o desencarne, pois, para algumas, são necessárias as obras e, para outras, somente a fé. A Doutrina Espírita ensina-nos que a morte não altera o nosso estado moral; mudamos apenas de plano. Deixamos de pertencer ao mundo dos encarnados para fazer parte do mundo dos desencarnados, o verdadeiro mundo espiritual. Assim, não é porque temos fé ou porque acreditamos em Deus que seremos salvos. Para sermos salvos precisamos nos libertar do erro, da ignorância, do "pecado". Somente assim poderemos nos libertar do mundo das provas.

Em tal sorte, quando olhamos os nossos problemas mundanos de um ponto de vista mais amplo, espiritual, os mesmos começam a perder a intensidade. Essa observação equivale a subirmos a uma montanha e de lá olharmos para baixo: tudo parece em tamanho diminuto. Procede assim aquele que dá mais valor ao Espírito do que à carne. Esse indivíduo pode passar por todos o tipos de dificuldade e continuar calmo, paciente e até grato à Deus pela dor ou pelo sofrimento, pois os vê como uma forma de ativar a sua evolução espiritual.

Em conclusão, eis que a famosa "oração da serenidade" mediante a qual pedimos a Deus para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, coragem para modificarmos aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra representa o enlace perfeito da atitude que devemos ter quanto a compreensão do sentido das provações, porquanto se trata da bem aventurança divina que nos oferta a condição de quitarmos uma dívida gigantesca pangando apenas uma pequena fração da mesma ou se trata da bem aventurança que nos oferta um meio de acelerarmos "com louvor", por assim dizer, quando escolhemos o sofrimento por missão, a nossa trajetória evolutiva.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Brilhe a vossa luz

Resultado de imagem para brilhe a vossa luzVendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.

Mateus 5:1-19

quarta-feira, 3 de abril de 2019

"Meu Reino não é deste mundo"

Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: “És o rei dos judeus?” Respondeu-lhe Jesus: “Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas o meu reino ainda não é aqui.”

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Disse-lhe então Pilatos: “És, pois, rei?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (João, 18:33,36 e 37).

Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que ele apresenta, em todas circunstâncias, como meta que a humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.

Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensinamento do Cristo, pelo que foi colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de mira de todos os homens. Só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a justiça de Deus.

A doutrina espírita veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para aprender a verdade. Com o espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que as descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que além de impossibilitar qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia.

O espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.

Temos então que nos empenhar o máximo possível, para um dia chegarmos ao nosso verdadeiro lar. Onde iremos caminhar junto de cristo, pelo bem da humanidade. Faça tudo que estiver ao seu alcance para que essa sua encarnação venha valer a pena. Porque o reino de Jesus é para todos aqueles que seguem o seu caminho de amor e caridade para com o próximo.

(Fontes: Evangelho Segundo Espiritismo e Alto Astral)