domingo, 11 de agosto de 2019

Do pensamento ao comportamento e à psicosfera


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O cérebro é o receptor de todas as sensações – tanto internas, do corpo físico, como externas, do meio. Todos esses estímulos são transformados pelo sistema nervoso em impulsos elétricos, que desencadeiam estímulos químicos, os quais são armazenados em áreas específicas do cérebro, como a memória, para posteriores assimilação, comparação e resposta a outros estímulos.

O cérebro é como um enorme computador cujos condutores principais são de origem química e elétrica, lembrando que toda eletricidade gera ao seu redor magnetismo. Dessa forma, quando recebemos um estímulo, seja de modo consciente ou inconsciente, formulamos uma resposta através do pensamento, automática ou refletida.

Nesse sentido, explica a Dra. Mônica de Medeiros que o Sistema límbico funciona como um computador emocional na cabeça cuja reação (automatismo) está programada pelo condicionamento, ao passo que a área frontal do cérebro funciona como a interface ética, estratégica, empática, racional cuja resposta (refletida/consciente) ganha os recursos para agirmos com responsabilidade.

Assim, resume a Dra., para o mecanismo da elaboração da fala, do pensamento ao movimento mecânico-corporal, o seguinte trajeto dos estímulos internos:

A alma pensa, gerando energia elétrica que vai para o corpo mental que manda a onda do pensamento para a Pineal que faz bater os cristais de apatita e transforma a onda do pensamento em uma frequência capaz de o cérebro ler fazendo com que as redes neuronais ativem o computador neurolinguístico, chamado Núcleo de Wernicke, que computa o dado vibracional e leva o impulso para o cérebro no lóbulo frontal que volta e molda o sistema motor para constituir o movimento corporal. 


Nesse passo, o pensamento gera, então, uma força de resposta elétrica, mas também química, provocando no corpo, ante o estímulo recebido, mudanças fisiológicas internas que afetam bioquímica corporal pela liberação de hormônios e, por consequência, afetam a frequência cardíaca e a respiratória, o tônus muscular e outras alterações; em face do que: apresentamos determinado comportamento no meio onde estamos naquele momento (raiva, agressão, fuga, alegria, riso, choro e outros).

Logo, a mente, por meio desses mecanismos de estímulos e respostas, gera energia de característica elétrica, magnética e química o que evidencia que o pensamento é o condutor das energias cósmicas, universais que fluem por nós. No livro Evolução em dois mundos, André Luiz batizou essa energia de “fluido mental”. Por sua vez, o espírito Áureo, no livro Universo e vida, nomeou-a de “fluido mentomagnético” e explicou que sua exteriorização ocorre por ondas eletromagnéticas.
Toda onda tem uma frequência e uma amplitude, que lhe permitem certa sintonia – lembrando que sintonias afins tendem a se unir. Desse modo, ocorre afinidade entre duas faixas de mesma frequência e mesma amplitude. Portanto, nós nos unimos a outros pensamentos similares aos nossos por meio dessa energia, ou seja, recebemos o que emitimos.
Por orientação dos espíritos que participaram da codificação do espiritismo, sabemos que Deus criou o fluido cósmico, que a tudo permeia, de modo que a substância primordial ou éter é moldável ou plástica, podendo ser transformada em inúmeras outras estruturas, materializando-se em átomos, moléculas, elementos químicos e aí em diante. Essa característica plástica faz com que o éter se modifique de acordo com as energias atuantes, afetas pela mente.
O pensamento, então, poderá causar uma impressão sobre o éter cósmico cuja energia resultante, de acordo com sua intensidade vibratória, poderá formar partículas, mais ou menos densas, dependendo da proximidade ou distanciamento da harmonia que o pensamento gera.
O agrupamento dessas partículas por afinidade vibracional formará, no plano extrafísico, o que se denomina: “formas-pensamento” (ou “egrégoras”). Estas poderão ganhar mais força e dimensão quanto mais forem alimentadas epla condução energética de pensamentos afins, podendo cobrir toda uma região ou até todo um planeta, formando a chamada psicosfera ou correntes mentais de pensamento. Esse processo também cria ao nosso redor uma psicosfera própria, que alguns chamam de aura. Esta é considerada a verdadeira impressão da nossa identidade moral e pode ser visualizada pelo plano espiritual.


Paráfrase e adaptação por Kênia Rios de Lima,
Fortaleza, 11 de agosto de 2019

Fontes:
Gregg Bradon na entrevista:  https://www.youtube.com/watch?v=J26bCDanHRU.
Dra. Mônica de Medeiros, na palestra: https://www.youtube.com/watch?v=MKD4zR2Nfw8&t=12s.
Dr. Alexandre Serafim, presidente da Associação Médico-Espírita do Vale do Paraíba, é parceiro do Colegiado e ministra o curso Medicina da Alma para os afiliados ao Colegiado de Guardiões da Humanidade, no artigo https://guardioesdahumanidade.org/blog/pensamento-o-fluido-mental.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

André Luiz explica o Cérebro 2


Da obra: "No Mundo Maior", de André Luiz, psicografada por Chico Xavier, há que, no sistema nervoso, temos:
I - o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes, o porão da individualidade, onde se encontram arquivados todas as experiências e registrados os menores fatos da vida.
II - Na zona intermediária entre lobos frontais e nervos, a região do córtex motor, há o cérebro desenvolvido, relacionado às zonas motoras.
III - Nos lobos frontais há a parte mais nobre do nosso organismo divino em evolução.

Temos um cérebro que se divide em três. Algo como um castelo de três andares, onde:

I - no primeiro, encontram-se os impulsos automáticos, o hábito e o automatismo (o subsconsciente);
II -  no segundo, as conquistas atuais, ou seja, a consolidação das nossas nobres qualidades em edificação advindos do esforço e da vontade (o consciente);
III - no terceiro, as noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir (o superconsciente).

O cérebro é um aparelho elétrico de complicada estrutura em que nosso "eu" reflete a vida. É através dele que sentimos os fenômenos exteriores segundo a nossa capacidade receptiva, determinada pela experiência, variando, portanto, de criatura para criatura, de acordo com o grau evolutivo de cada um. Dessa forma, o cérebro de um santo emite ondas que se distinguem das que despende a fonte mental de um cientista.

É um organismo, o cérebro, que modela as manifestações do campo físico. As células nervosas (neurônios) são entidades de natureza elétrica. E possuem diversos fins, porquanto, há neurônios sensitivos, motores, intermediários e reflexos; há também os que recebem as sensações exteriores e os que recolhem as impressões da consciência. Em todo cosmo celular, há elementos de emissão e de recepção, sendo a mente (que é diferente de cérebro) a orientadora desse universo microscópico.

É da mente que emana as correntes da vontade que empenha, em decorrência, várias séries de estímulos, atendendo às sugestões das zonas interiores, bem como reage às exigências da paisagem externa. Nessa feita, a mente é colocada entre o objetivo e o subjetivo, impondo-se a obrigatoriedade do aprendizado, escolha, aceitação, recolhimento, iluminação... Do plano objetivo, recebe-lhe os atritos e as influências da luta direta; já na esfera subjetiva, absorve-lhe a inspiração das inteligências desencarnadas ou encarnadas que lhe são afins e o resultado das criações mentais que lhe são peculiares. Assim, a mente prossegue o seu caminho sem recuos.

"O espírito mais sábio não se animaria a localizar, com afirmações dogmáticas, o ponto onde termina a matéria e começa o espírito."

No cérebro se inicia o império da química espiritual, onde os elementos celulares são dificilmente substituíveis, diferentemente de outros órgãos do corpo em que a células se modificam infinitamente, surgem e desaparecem aos milhares, em todos os domínios da química orgânica propriamente dita.

Isso porque o trabalho da alma no corpo encarnado requer fixação, aproveitamento e continuidade, uma vez que o cérebro, por ser um órgão de expressão mental, diferentemente dos outros órgãos, como o estômago, reclama personalidades químicas de tipo sublimado já que se alimenta de experiências que devem ser registradas, arquivadas e lembradas sempre que oportuno e necessário.

Os nervos (impulsos), o córtex motor (experiências) e lobos frontais (noções elevadas) constituem apenas regulares pontos de contato entre a organização perispiritual e o aparelho físico, porque são indispensáveis ao trabalho de enriquecimento e de crescimento do ser eterno. Dentro da luta humana é indispensável que os neurônios se utilizem de envoltórios mais ou menos espessos para evitar que recordações não venham a moderar os esforços de edificação da alma encarnada. A mente,  senhor do corpo, age no perispírito, moldando a matéria que, em razão dos vícios e imperfeições  da mente, molda o corpo físico, expondo-o a doenças e/ou outros males.

"A criatura estacionária na região dos impulsos (nervos), perde-se em um labirinto de causas e efeitos, desperdiçando tempo e energia. Quem se entrega, de modo absoluto ao esforço maquinal, ..., mecaniza a existência, destituindo-a de luz edificante. Os que se refugiam exclusivamente no templo das noções superiores, sofrem o perigo da contemplação sem obras, da meditação sem trabalho, da renúncia sem proveito. Para que a nossa mente prossiga na direção do alto, é indispensável se equilibre."

Para se equilibrar, o indivíduo precisa se valer das conquistas passadas a fim de orientar os serviços presentes, ao mesmo tempo em que precisa se valer da esperança que flui, cristalina e bela, da fonte superior de idealismo elevado. Porque, por meio dessa fonte, pode-se captar as energias restauradoras do plano divino, construindo, assim, um futuro santificante. O desequilíbrio, por outro modo, ocorre quando o indivíduo se fixa mental e demasiadamente em um dos mencionados setores.

A mente fixada na região dos instintos primários, por exemplo, após emitir várias vibrações de pensamentos em fuga da recordação e do remorso, pode arruinar o córtex motor, desorganizando, por conseguinte, o sistema endócrino e perturbando os órgãos vitais. Isso porque, converter todas as energias ou a maior parte delas para alimentar uma ideia fixa, como a vingança, afeta, cinclusive, a organização celular e/ou metabólica. De outro modo, esquecer as falhas e reconstruir-se pelo trabalho e pelo entendimento fraternal, no santuário do perdão, é a atitude equilibrada necessária para que o corpo e mente se desenvolvam beneficamente. Por isso, quando Jesus nos pede para perdoar e amar inclusive os inimigos, não se trata de mera virtude moral, é também princípio científico de libertação do ser, de progresso da alma, de evolução espiritual, porque é nos pensamentos que residem as causas.

"Se o conhecimento auxilia por fora, só o amor socorre por dentro."

Encher a sua consciência de esclarecimentos elevados quando aliados viva experiência em prol dos mesmos, revela a experiência da gratidão e do amor a Deus, a si e ao próximo, momento em que sabedoria começa a valer, a existir!

Kênia Rios de Lima
Fortaleza, 29 de julho de 2019

segunda-feira, 15 de julho de 2019

André Luiz explica o cérebro humano

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Nesta publicação do blog: http://casadocaminhofortalezace.blogspot.com/search?updated-max=2019-03-12T06:04:00-07:00&max-results=1&start=15&by-date=false foi exposta a explicação do cérebro tríduo. Uma descoberta do cientista, um médico e neurocientista estadunidense, Paul D. MacLean na década de 70, com sua obra “The Triune Brain in evolution: Role in paleocerebral functions”, comprovou a biologia cerebral trina em face de sua teoria evolutiva que propunha que o cérebro humano era realmente três cérebros em um, três sistemas neurais interconectados, com suas próprias funções específicas e inteligência particular. Nesse sentido, afirmou o estudioso: "Esses três cérebros equivalem a três computadores biológicos interconectados, cada um com sua própria inteligência, sua própria subjetividade individual, sua própria noção de tempo e espaço e sua própria memória, além de outras funções".

O interessante é que na obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier, chamada "No Mundo Maior", publicada pela primeira vez em 1947, ou seja, muito antes da hoje tão famosa teoria do cérebro triuno, essa mesma teoria foi explicada quase com as mesmas palavras, veja-se: 

"não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: primeiro situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o domicílio das conquistas atuais, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; noutro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada. Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e superconsciente".

Desse modo, bem se nota a qualidade dos livros psicografadas pelo renomado Médium. São verdadeiras enciclopédias que podem conter conhecimentos que sequer encontrados na internet por outras fontes, porque o seu conteúdo está muito à frente do tempo do conhecimento procurado e constatado pelos cientistas da Crosta. Eis a importância da leitura das obras notoriamente reconhecidas e confiáveis! Nesse sentido, eis a importância da Codificação que inaugurou o movimento espírita, publicada ainda no século XIX, pois, passados já várias décadas, muito mais de um século, ainda há ensinamentos contidos em tais obras que a Ciência da Terra na dimensão material ainda demorará mais algumas tantas décadas para descobrir. Analisemos com olhar científico, ou seja, um olhar investigativo e plausivelmente curioso, crítico, apurador, metódico, mantendo-nos alinhados com constância à recomendação do memorável Codificador, Allan Kardec: "Espíritas, instruí-vos".

“Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. 
Todas as verdades são encontradas no Cristianismo; os erros que nele criaram raiz são de origem humana. 
E eis que, além do túmulo, em que acreditáveis o nada, vozes vêm clamar-vos: Irmãos! Nada perece
Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade!” 
(Espírito de Verdade. Paris, 1860.) Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

*Mantra da Gratidão*


*Gratidão*
à vida que me inspira, me renova e me dá chances de evoluir diariamente.

*Gratidão*
pelo lugar onde estou aqui e agora, pois esse lugar precisa de mim e eu dele.

*Gratidão*
Pela perfeição e funcionamento harmonico de todos os órgãos e sistemas físicos e emocionais do meu corpo.

*Gratidão*
pela casa onde moro, que me serve de refúgio e descanso, emanando energias maravilhosas.

*Gratidão*
pelas oportunidades de trabalho, conquistas, sucesso e evolução que se manifestam diariamente para mim.

*Gratidão*
à cada dívida paga porque dessa forma honro meu nome, honro meus compromissos e minhas possibilidades se multiplicam.

*Gratidão*
à tudo aquilo que eu consigo e que me é necessário, na colheita frutífera do meu trabalho.

*Gratidão*
pelo Amor Incondicional que permeia Todas as minhas relações.

*Gratidão*
às pessoas que me desafiaram de forma desarmônica, porque assim desenvolvi força e coragem para seguir sempre adiante.

*Gratidão*
pelas pessoas que me proporcionaram alegrias porque assim me senti muito amada e abençoada.

*Gratidão*
à todas as oportunidades de sucesso financeiro e pessoal que recebo, identifico e aceito.

*Gratidão*
à mim mesma que encontro a gratidão em toda forma de Vida que me cerca e que eu sou, em todas as coisas e fatos.

*Gratidão*
ao Universo que conspira a meu favor, por isso vigio cada pensamento meu, e escolho com cuidado tudo aquilo que falo ou desejo.

*Gratidão*
ao Deus que habita em mim, sou parte de Sua Divindade e por isso emano Luz, Amor e Paz onde quer que eu esteja.

*Gratidão! Gratidão!*
*Gratidão!*

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sobre necessidades



Abraham Maslow (1908-1970) foi um psicólogo norte-americano, conhecido pela Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas ou a Pirâmide de Maslow. Nasceu no Brooklyn, Estados Unidos, no dia 01 de abril de 1908 e morreu em 1970. Descendente de russos e judeus viveu uma infância bastante infeliz e miserável e, para fugir da situação, Maslow refugiava-se em bibliotecas. Estudou Direito no City College of New York (CCNY), mas interessou-se pela psicologia, curso que faria mais tarde na Universidade de Wisconsin, onde também fez mestrado e doutorado. Estudou diversas correntes da psicologia como a psicanálise, Gestalt e a humanista.

Dentre vários trabalhos que se dedicou na área da psicologia, a sua teoria mais famosa é a da "hierarquia das necessidades", segundo a qual, as necessidades fisiológicas estavam na base de outras: segurança, afetividade, estima e realização pessoal. Nessa ordem, segundo ele, uma necessidade só poderia ser satisfeita se a anterior fosse concretizada.

Nessa feita, a base da pirâmide contém as necessidades mais básicas do indivíduo, ascendendo para atingir, no topo da pirâmide, as suas necessidades mais transcendentais, ligadas à cultura, educação, espiritualidade... A Pirâmide possui cinco camadas. A primeira, a que sustenta todas as demais, é a camada das necessidades fisiológicas, como a necessidade de sexo, repouso, alimentação, hidratação... tudo o que o organismo físico precisa minimamente para continuar vivo, para sobreviver; a segunda camada é a da segurança, ou seja, a que representa a necessidade de incolumidade física e psicológica, saúde ambiental, liberdade de locomoção e de trocas comerciais...; a terceira camada está associada às relações sociais do indivíduo: família, amigos, grupos sociais e comunidade, ao ser socialmente integrado; a quarta camada diz respeito à estima, à necessidade de ser aprovado e reconhecido por sua unicidade perante os seres que convive; a última camada, por fim, é a necessidade de evolução, de desenvolvimento consciencial, é a necessidade de cognição e expressão artística, intelectual, espiritual, em outras palavras é a necessidade de autorealização.

Consiste isso em um lastro lógico bem pertinente sobre o qual várias questões essenciais se sobrepõem e que ganham um caminho para serem respondidas com eficiência. Em especial, isso assume elevada utilidade em meio à sociedade em que estamos inseridos cujos valores são traçados por gigantes corporativos em uma evidência pululante e manifesta da ambição humana de alcançar o melhor viver ao custo muitas vezes da ética e de outros valores mais nobres e responsáveis perante todos os níveis de necessidades humanas em um aspecto coletivo. Estamos falando em um consumismo exagerado e desenfreado que está a minar os recursos naturais do planeta e está a desfuncionalizar o interrelacionamento entre humanos para operar o relacionamento destes com as máquinas, com as tecnologias e inteligências artificiais. São indiscutíveis os benefícios alcançados pelo capitalismo, consumismo e tecnologia, porque representam por si o avanço da humanidade que parte da Era Paleolítica e chega na Era Tecnológica, isto é, uma era em que a sobrevivência da espécie não é mais a principal necessidade a ser atingida, apesar do descompasso dos seus avanços nos ameaçar em um caminho de autodestruição, não apaga as conquistas vividas pelo conhecimento que possibilita hoje a distribuição de água encanada por várias e largas regiões, por exemplo.

A despeito da realidade de cada um, não é difícil perceber que a natureza e seus fenômenos não nos atemorizam mais tanto como antes, pois desenvolvemos vários mecanismos de defesas ou superação das suas intempéries rotineiras. Também os relacionamentos sociais são uma realidade bastante evidente, principalmente com o processo de urbanização que cresce em curva geométrica ascendente desde a segunda metade do século XX. No entanto, a estima e a autorrealização são camadas de necessidades dentro da coletividade ampla que ainda parecem carentes de superação. O aumento do convívio nos traz novos desafios que colidem diametralmente. Hodiernamente, o acolhimento que enseja o reconhecimento amoroso e construtivo dá espaço para a competição que enseja o reconhecimento invejoso e destrutivo. Os valores ainda marcadamente materiais implicam necessidades irrefletidas, difundidas por conceitos frívolos, por vezes, até mesmo sequestradores da consciência ou hipnotizantes.

Dadas essas características, é sabido que os conflitos geram dor que implica o anseio por harmonia que só é alcançada pelo que não é descartável. Nesse prisma, tudo o que é falso se revela como tal com o passar do tempo, tornando-se inexpressivo. Assim, valores legítimos¹ se mostram como elementos e conceitos essenciais. Isso porque se revelam como aquilo que não se apaga, aquilo que gera influência ano após ano, século após século, milênio após milênio...,  aquilo que edifica, que constrói, que faz o bem com permanência... O percurso até chegar nesse patamar e se sediar nele perpassa por todas as camadas mais básicas das necessidades humanas e se funda na consciência sobre quem somos e o que realmente nos constrói, o que nos faz bem.

Se não, vejamos, na falta de qualquer circunstância essencial à sobrevivência, como o oxigênio, já não podemos mais sequer pensar, tudo fica voltado para suprir a necessidade premente de respirar! O mesmo acontece quando nos falta a sensação de segurança ou quando estamos aprisionados fisicamente numa cela, a nossa mente fica naturalmente impregnada pelo pavor. No mesmo sentido, quando ficamos isolados por uma condição externa, nos vem o sentimento de solidão e tristeza ou até mesmo a demência. A ausência de estima também nos prejudica por nos acometer sentimentos de rejeição, amargura, violência e etc. Por fim, a ausência de conhecimento e compreensão sobre o mundo e sobre quem somos, torna-nos irresponsáveis, descomedidos. Ao passo que a disposição, a paz, o pertencimento, o acolhimento e a compreensão formam o cenário para a elevação do espírito, isto é para a transcendência das menores dificuldades, para a atuação da sinergia amorosa, lúcida e plena.

Trata-se de um processo cíclico e repetitivo em que o embate de todas as sensações provocadas pelas diversas espécies de necessidades atendidas ou desatendidas vão se interagindo e se modificando chegando à libertação da consciência pelo encontro com a verdade, como Jesus nos disse, de acordo com a Bíblia em João capítulo 8, versículo 32, veja-se: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É cediço que a ignorância nos cobre e ainda nos impede de nos livrarmos das dores do mundo. Desse modo, é o conhecimento e o autoconhecimento a chave para nos firmar no grande redemoinho de estímulos que nos sequestram as emoções individuais ainda não orquestradas por uma consciência desperta.

Nesse aspecto, é imprescindível sabermos do que gostamos e o que nos afeta positivamente. Para isso, reparemos no que estamos fazendo quando nos sentimos felizes; por que nos sentimos felizes nesses momentos; quando e por que nos sentimos orgulhosos; quem geralmente nos acompanha nos momentos em que nos sentimos bem; quais desejos nossos foram satisfeitos e que nos deixaram realizados; quais são os nossos desejos atuais e por que os desejamos; por que algo nos traz um grande significado e etc. Todas essas questões revelam quais valores nos são os mais importantes, os que, vividos, fizeram-nos ter esses bons momentos.

Maslow, portanto, foi um cientista humanista que compreendeu os vários aspectos das necessidades humanas, ajudando-nos a entender como podemos interagir melhor com os outros e com nós mesmos, criando um símbolo didático, bastante lúdico e compreensível, que pode ser usado hoje por todos para refletirem sobre o que na vida realmente importa, para evitarmos sermos assaltados por ideias que nos impõe necessidades não legítimas.


Kênia Rios de Lima
Fortaleza, 10.06.2019

"A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra."
(Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo,Capítulo I, item 8)
Nota de rodapé:
¹ Sobre o conteúdo do texto ora publicado, mais precisamente sobre o que são valores legítimos, interessante destacar um trecho do livro Os Mensageiros de André Luis por Chico Xavier, porque conversa com o assunto aqui ministrado, página 213 da 33ª edição, vejamos: "...enquanto os homens, herdeiros de Deus, cultivarem o campo inferior da vida, haverá também criações inferiores, em número bastante para a batalha sem trégua em que devem ganhar os valores legítimos da evolução". Ou seja, enquanto não ascendermos para assimilação das luzes despertadoras da consciência, nossos valores (entenda-se: o que damos importância) serão ainda ilusórios e não legítimos.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Sobre valores

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Estamos em uma revolução: construção e destruição de valores em uma sociedade muito rápida e cheia de informações! Por pressão social, pessoal ou interpessoal, mais se exige um aprimoramento dos nossos papéis/funções/intervenções em busca de uma excelência satisfatória que mantenha a estabilidade das nossas relações. Estamos envoltos por uma enchente de ideias novas sendo lançadas muito rapidamente, a cada momento por meios muito eficientes de comunicação, sendo, portanto, disseminadas em massa e, por conseguinte, quebrando, confrontando ou reforçando com muito impacto os valores construídos de outrora. Há sempre uma descoberta nova, uma arte nova, uma notícia nova... para nos influir, requisitando-nos a atenção e, por conseguinte, emoção, reação, análise, providência, resposta... Saber quem somos nesse furacão de inumeráveis possibilidades e manifestações, conhecer os nossos valores, ou seja, o que nos faz bem, o que nos importa realmente, e ao mesmo tempo ter um juízo de consciência para perceber se o que nos importa é importante não só para nós, mas também para o mundo e como o que o mundo valoriza nos afeta e vice versa, são condições essenciais para podermos viver com equilíbrio e sã consciência eficaz para nos fazermos de fato melhores.

Whats app, televisão, youtube, instagram, sites, blogs, facebook, twiter e outros fazem parte da grande quantidade de meios de comunicação que compõem o nosso cotidiano hodiernamente. Há 50 anos, os meios de comunicação mais importantes eram a TV, o rádio e o jornal impresso. Quão evoluiu os nossos espaços de comunicação!! Nesse mesmo passo, as informações se tornaram também mais rápidas, celulares com câmeras (uau!) registram cada evento que já se torna uma notícia no mínimo entre amigos e ainda pode se disseminar de tal modo que já há um termo para quando isso acontece: "viralizou". Ou seja, um tombo, um beijo irreverente, um gesto ousado, um cabelo espalhafatoso... qualquer coisa pode virar "meme", por exemplo, e já influenciar multidões que reagirão ao mesmo assunto, emanando pensamentos, sentimentos, emoções em massa sobre o mesmo fato. E segundos depois aparece um novo conteúdo que repercute por seu forte apelo emocional na atmosfera psicológica de muitos outros tantos e assim por diante.

Sabemos que vivemos em sociedade, organizada e planejada intuitivamente para o desenvolvimento. Assim, os valores são os elementos que a norteiam ou a devem nortear. Por tal, é crucial o conhecimento dos mesmos. Sabemos também que as emoções muitas vezes nos põem a sentir prazeres que com o tempo se revelam prejudiciais uma vez que desencadeiam consequências negativas, como a escolha de assistir TV no lugar de estudar para passar de ano na perspectiva de um estudante de colégio. Portanto, a consciência é fundamental para os indivíduos e as emoções, porque inseparáveis dos mesmos, precisam ser escolhidas por meio de valores que as façam seguir um direcionamento afetivo mais próspero para as massas!

Infelizmente não é isso que encontramos com os noticiários, enchendo-nos de notícias sobre assaltos, violências, corrupção... ambos são notícias, mas o quanto as notícias boas são desvalorizadas ou não percebidas? Temos por valor tudo o que nos faz sentir bem em meio a uma sistematização. Nesse sentido, a generosidade é um valor, o respeito é um valor, a paciência, a honestidade, o esforço, o trabalho e etc, porque todas essas características são estruturais para manter os bons sentimentos nos indivíduos e a estabilidade construtiva em suas relações. A Wikipédia define valor como tudo que denota o grau de importância de alguma coisa ou ação, com o objetivo de determinar quais são as melhores ações a serem tomadas ou qual a melhor maneira de viver, ou para determinar a importância de diferentes ações. Logo, são critérios de conduta. Ocorre que muito comumente as informações divulgadas em massa, como a cena de uma novela, desperta-nos no sentido de atiçar muito fortemente emoções que nos creditam pouca reflexão e exteriorizam faculdades pouco assertivas sobre o impacto que provocam em nós mesmos e nos outros. Isso, progressivamente, na medida em que ocorre, vai formando uma sociedade com valores deturpáveis e provocadores de acidentes culturais irremediáveis e incomensuráveis.

Não obstantemente, os valores tendem a ter um caráter universal, algo que faz bem a todos os seres humanos, como a liberdade, a solidariedade, o respeito... E, inevitavelmente, todos esses valores convivem entre si, ou seja, coabitam o mesmo corpo social ou individual, podendo-se mostrarem harmônicos (reforçadores, complementares ou suplementares uns dos outros) ou dissonantes, de princípio, pelo menos . É o caso da liberdade de expressão, que, apesar de ser um valor em si, pode se confrontar, em um primeiro momento, com o valor do respeito, quando as nossas palavras ofendem o próximo. São inúmeras as possibilidades! O interessante é termos reflexões assíduas sobre isso, porque, imersos na avalanche de informações e estímulos, somos, muitas vezes, gravemente expostos a sensações que nos depreciam e criam uma cultura desastrosa de menos valia, de atropelamento de valores morais básicos que, conseguintemente, nos perturba a capacidade de convivermos condignamente.

Para o neurocientista Jorge Moll, líder da pesquisa que tenta desvendar como o cérebro processa valores e diretor, em 2015, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), os valores são produto da interação entre cultura, criação e genética e estão apenas parcialmente associados à personalidade. Completa, afirmando que o ser humano tem grande capacidade de apego, isto é: na prática, apega-se a pessoas e valores com os quais compartilha afinidades e orientam a vida. Diz ainda que embora o apego seja importante para a construção da moral humana, quando excessivo e sem discernimento pode levar a atitudes irracionais. Por fim, termina dizendo que uma sociedade sem valores ou que vê seus valores ameaçados e violados é facilmente manipulável e que em momentos de crise moral, as instituições são importantíssimas, porque representam um sistema de valores, concluindo que é isso que dá à civilização a sua força.

Logo, é fácil percebermos que uma pessoa sem valores ou que os tenha em conflito não é capaz de se posicionar satisfatoriamente ante às situações desafiadoras da vida (ou mesmo as mais simples), porque perde o seu poder de escolha consciente, tornando-se volúvel às manifestações dos outros que a empurra para parecer ser ou para fazer isso ou aquilo em uma deturpação clara de sua integridade humana, dignidade de "filha" de Deus ou, de outro modo, em um desrespeito explícito da centelha divina que a habita, como nos for melhor entender... Nestes momentos conflituosos, a família (pessoas que se amam e convivem entre si; portanto, aqui o conceito é bem amplo, mas irredutivelmente vinculado ao amor...) é a instituição básica sustentadora e traspassadora de todas as dificuldades que afligem o ser humano que almeja se encontrar, quer dizer, encontrar o seu próprio valor, conhecer a sua integridade, a sua moral, a sua importância, a sua dignidade, a sua capacidade e por aí vai. Lembrando-nos de que temos também uma família espiritual, sempre a nos amparar. E temos também Deus e outros espíritos nobres, mais esclarecidos, que O auxiliam a nos guiar e apoiar!

De qualquer modo, o interessante é que entendamos que é o autoconhecimento o elemento que nos pode firmar no atual e grande redemoinho midiático que nos atinge e, não dificilmente, desperta-nos angústias, dúvidas e distrações pueris... Nesse aspecto, é imprescindível sabermos do que gostamos e o que nos afeta positivamente. Para isso, reparemos no que estamos fazendo quando nos sentimos felizes; por que nos sentimos felizes nesses momentos; quando e por que nos sentimos orgulhosos; quem geralmente nos acompanha nos momentos em que nos sentimos bem; quais desejos nossos foram satisfeitos e que nos deixaram realizados; quais são os nossos desejos atuais e por que os desejamos; por que algo nos traz um grande significado e etc. Todas essas questões revelam quais valores nos são os mais importantes, os que, vividos, fizeram-nos ter esses bons momentos. Que tal, exercitando as presentes reflexões agora, listarmos quatro ou cinco valores que mais nos definem?!

Isso tudo, porque, conscientes dos nossos valores, navegamos pela vida com mais segurança, sabendo aproveitar melhor as oportunidades e tornando-nos mais espertos para não nos desviarmos por maus caminhos, inóspitos ou pouco agregadores à nossa qualidade de vida! Lembremos que devemos exercer o nosso discernimento e esperar o melhor da vida com o auxílio da razão e num esforço contínuo de autoapaziguamento pelo brilho de uma consciência desperta, assertiva, expressando a nossa melhor versão dentro dos nossos limites justamente reconhecidos e trabalhados por nós mesmos para sermos finalmente e alegremente tudo o que podemos ser enquanto seres humanos, prósperos, lúcidos, felizes e filhos de Deus! 

Kênia Rios de Lima,
Fortaleza, 31 de maio de 2019

Fontes bibliográficas:
<pt.wikipedia.org>

sábado, 25 de maio de 2019

Valores e Juízos de Valor

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Axiologia (do grego, estudo ou tratado do valor, da dignidade) é o ramo da Filosofia que estuda os valores e os juízos valorativos, sobretudo os de natureza moral, tendo como complemento a Ética e Estética.

Em termos históricos, a Axiologia foi iniciada por Platão (428 ou 427 a.C – 347 a.C) ao estudar ideias subordinadas à manifestação do Bem. Posteriormente, foi desenvolvida por Aristóteles, pelos filósofos estoicos* e epicuristas, investigadores do summum bonum (supremo bem). Na filosofia escolástica (Idade Média), o Summum Bonum é definitivamente considerando como sinônimo de Deus. A partir do século XIX, em razão da influência da Economia, da Sociologia e da Psicologia surgem diversas doutrinas que tratam da relatividade dos valores. Amplia-se, então, o campo de atuação da Axiologia que, além de analisar as manifestações dos valores, dos juízos de valor, da ética e da estética, estuda também o direito, a política e a escatologia*.

Ao considerar os conflitos existentes no mundo atual, nitidamente marcado por significativa insegurança dos relacionamentos, individual e coletivo, entre pessoas e povos, nos parece importante destacar alguns significados da Axiologia, a fim de que, talvez, seja possível fazer o leitor refletir a respeito da forma como tem conduzido a sua existência.

  • Valores: são condições decorrentes do caráter e da personalidade humanas. Indicam o conjunto de características presentes em uma pessoa ou comunidade (organização), como os indivíduos se comportam e se interagem, entre si e com o meio ambiente.1 Os valores morais e éticos são elementos formadores e educadores do comportamento humano, necessários para o estabelecimento de uma convivência pacífica, justa e respeitosa.
  • Moral: palavra derivada do termo latino mores; significa o que é relativo aos costumes, isto é, a forma como os costumes e hábitos se expressam, em nível indivídual e coletivo. Moral é tudo aquilo que promove o homem no sentido mais amplo e, ao mesmo tempo, é capaz de mantê-lo ajustado à realidade da vida e do meio onde está inserido.

A vivência moral tem o poder de conduzir a pessoa à plena realização (física, emocional, psíquica, afetiva etc) porque, integrada ou ajustada à realidade em que vive, desenvolve a capacidade de se ver como um indivíduo, portador de direitos e deveres, e, também, de perceber o outro, concluindo que ambos são como elementos úteis ao todo social.

  • Ética: (do latim, ethica), refere-se ao estudo da natureza do que é considerado adequado e moralmente correto. Ética é uma doutrina filosófica que tem por objeto a moral, vista no tempo e no espaço, e está voltada para o estudo dos juízos de valor ou da apreciação da conduta humana.

A Ética não possui um caráter normativo, condição exclusiva da Moral, porém parte do princípio de que o comportamento só considerado ético se é bom, se há manifestação da bondade. Daí os antigos afirmarem que o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. Jesus, por sua vez, ao revelar profunda sabedoria e conhecimento da natureza humana, define a regra de ouro do relacionamento humano: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas.”( Mateus 7:12)

Os estudos éticos permitem identificar dificuldades e benefícios absorvidos por grupos ou comunidades, propondo soluções de problemas. Contudo, certas posições sociais, manifestadas na forma de poder e/ou de aquisições materiais, podem “subir à cabeça” de lideres que, ao violarem valores éticos, desencadeam conflitos de liderança e de confiabilidade, reduzindo princípios ético-morais universais à “ética situacional”, essencialmente voltada para os interesses próprios e circunstanciais.

  • Juízo de valor: é um julgamento/avaliação que alguém faz quanto à correção e incorreção de atitudes e comportamentos de outra pessoa, fundamentando-se no sistema de crenças e cultura próprios, do grupo ou da coletividade. Há, porém, juízos de valor que são passíveis de mudanças, às vezes diametralmente opostas, por estarem relacionados às convenções sociais ou dos grupos de pressão.

Os juízos sobre a validade e a normatividade das ações são juízos de valor que fundamentam as normas e os deveres. Pronunciar um juízo, assim como categorizar uma pessoa, pronunciar uma sentença, elogiar ou injuriar alguém, dar uma ordem, constitui um ato. Pelo juízo, o indivíduo é capaz de decidir do bem e do mal, do belo e do feio, do justo e do injusto.2

A validade dos juízos de valor consideram os princípios a eles relacionados, tais como os fundamentos da Ciência, da Moral, da Ética, da Arte, da Estética, da política, da Religião, assim como o contexto onde são emitidos. É por isto que certas orientações determinadas pela tradição podem ser sujeitadas às pressões da racionalização e/ou da moral/ética. Acerta-se sempre quando os juízos emitidos seguem a Moral e a Ética.

Em notável palestra realizada no 4° Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, França, no dia 3 de outubro de 2004, Altivo Ferreira, então vice presidente da FEB, esclarece:

Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes d’Ele, os princípios da ética moral eram graves […].Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas consequências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou.” Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos, 12:21); “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (I Coríntios, 10:23); e reforça com seu exemplo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas, 2:19-20).

O espírita esclarecido compreende que se faz necessário a vivência leis morais orientadoras da conduta ética humana. Conduta que está inequivocadamente sintetizada no item O Homem de Bem, de O Evangelho segundo o Espiritismo que, entre outros, enfatiza a excelência da prática da lei de justiça, amor e caridade.

Referências
1. http://www.significados.com.br/valores/. Acesso em 23/01/2015.
2. http://www.infopedia.pt/$juizo-de-valor Acesso em 23/01/2015.
3. FERREIRA, Altivo. A ética espírita. Estudo originalmente publicado na Revista Internacional de Epiritismo, Ano LXXX, N° 02, Matão, Março 2005. ( Reproduzido com autorização do autor).

*Filósofos estóicos (Estoicismo)= Os estoicos ensinavam que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento, e que um sábio, ou pessoa com “perfeição moral e intelectual”, não sofreria dessas emoções. Filósofos epicuristas (Epicurismo)= pregavam a busca pelos prazeres moderados para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, com a ausência de sofrimento corporal pelo conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. Afirmavam que quando os desejos são exacerbados podem ser fonte de perturbações constantes, dificultando o encontro da felicidade que é manter a saúde do corpo e a serenidade do Espírito. Escatologia= é uma parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano, comumente denominado como fim do mundo.

sábado, 18 de maio de 2019

Como ajudar um espírito suicida?


Um espírito suicida nós não podemos de forma alguma, julgá-lo ou tentar entender o motivo que fez com que ele cometesse tal ato, não cabe a nós a compressão e o julgamento .

Mas sim, a oração. Nosso dever como espíritas e cidadãos da humanidade e como temos o desejo do progresso, temos que estar em constante prece, para que haja perdão e amor no mundo.

Porque nosso único dever perante um suicida é orar por aquele espírito, que ele encontre paz, amor, paciência e equilíbrio onde estiver.

Divaldo Franco, nos relata ainda que quando é chegado uma boa vibração para aquele espírito ele sente e afeta o seu equilíbrio espiritual, ajudando assim na sua melhora e evolução.

Mentalize agora os mentores espirituais e faça essa oração para todos os suicidas:

Porque nós sabemos, ó meu Deus, o destino reservado àqueles que violam as tuas leis abreviando voluntariamente os seus dias.

Mas também sabemos que a tua misericórdia é infinita.

Então permita estendê-la sobre os suicida.E que a tua comiseração amenize a amargura dos sofrimentos que eles enfrentam por não ter dito a coragem de esperar pelo fim de suas provas.

Contudo bons Espíritos, cuja missão é assistir os infelizes, tomai-o sob a vossa proteção.

Assim inspirai-lhe o arrependimento da falta cometida e que a vossa assistência lhe dê força para suportar com mais resignação as novas provas que deverá enfrentar pela reparação do seu ato.

Afastai dele os maus espíritos que podem novamente levá-lo ao mal e prolongar os seus sofrimentos, ao fazê-lo perder o fruto de suas provas futuras.

Porque a ti, cuja infelicidade é o motivo de nossas preces, possa a nossa comiseração amenizar-lhe a amargura e fazer nascer em ti a esperança de um futuro melhor!

Então eu confia na bondade de Deus, cujo seio está aberto a todos os arrependidos e só é servo aos corações endurecidos.

(Fonte: Evangelho Segundo O Espiritismo)

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Matéria, Ciência e Espírito


A busca por cálculos que elucidassem a razão e o movimento das coisas fez a física investigar a causa da matéria, chegando a encontrar e, por conseguinte, classificar, unidades de quantidades físicas mínimas, como a energia de um elétron contido em um átomo em repouso, batizando-as de quanta, que são, em outras palavras, pacotes de energia.

Toda energia é irradiada e absorvida na forma de elementos discretos (descontínuos), os chamados: quanta. Na Física, a energia está associada à capacidade de qualquer corpo de produzir trabalho, ação ou movimento. Então observado no experimento nomeado: "efeito fotoelétrico" o comportamento da luz fora dos padrões da física clássica (porque a entendia como onda e distinguia, em absoluto, os sistemas de partículas e ondas), percebeu-se, após desvendado o enigma pelo famoso cientista, Albert Einstien, em 1905, que a luz estava a se comportar como partícula. O então Cientista, ganhador do prêmio Nobel da Física de 1921, concluiu e demonstrou que os quanta eram objetos localizáveis, eram partículas de luz, e os chamou de fótons.

No entanto, os fótons só podem se comportar como partícula quando a energia que eles representam for grande o bastante; do contrário, comportam-se como onda. Dessa forma, os quanta se expressam como unidades que categorizam uma aplicação variável (dual) das regras da física para o fenômeno analisado; uma vez que a Física Clássica (de Newton, Hamilton, Lagrange...) continua válida - a depender do comportamento do fóton (se onda ou partícula). Algo que ficou mais claro e aprofundado com a "Teoria da Dualidade Onda-Corpúsculo", postulada pelo físico que ajudou na construção da nova mecânica quântica, De Broglie, ganhador do Nobel da Física de 1929, porque, avançando à Eistein e outros, conseguiu descrever como os fótons eram relacionados à onda, estendendo, nesse viés, o conceito da dualidade para toda a matéria.

96347f845e895dcf306a2258010dd572.jpg (320×294)Após várias descobertas e estudos ainda em curso, em meio aos esforços para o apaziguamento cognitivo a respeito da origem da matéria e do entendimento de suas características, nasce a denominada "Física das Partículas", estudada pela mecânica quântica (parte da Física Moderna), que busca o nível mais básico da matéria e da Natureza; fortalecendo a observação humana no cenário que compreende que todo o nosso mundo visível se fundamenta nesse nível invisível das partículas elementares, como os elétrons, os fótons, os quarks e outras. 

Logo, o caminho da ciência, porque se aprofunda no abstrativismo, em breve chegará nos rumos de uma ciência espiritual; quiçá, chamada: "Física Espiritual". Inobstantemente a isso, o codificador do Espiritismo, Allan Kardec, brilhante cientista renomado já ao seu tempo, por seu nome da batismo: Hippolyte Léon Denizard Rivail, engajara-se no esclarecimento de grandes dilemas, obtendo respostas claras e diretas dos espíritos por meio das revelações mediúnicas. 

Nesse sentido, em destaque, abaixo, o trecho da obra O Livro dos Espíritos, veja-se:

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II – Espírito e Matéria
21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele num certo momento?
— Só Deus o sabe. Há, entretanto, uma coisa que a vossa razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo.
Qualquer que seja a distância a que possais imaginar o início da sua ação, podereis compreendê-lo um segundo na ociosidade?
22. Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Essa definição é exata?
— Do vosso ponto de vista, sim, porque só falais daquilo que conheceis. Mas a matéria existe em estados que não percebeis. Ela pode ser, por exemplo tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós.
22 -a) Que definição podeis dar da matéria?
— A matéria é o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação.
Comentário de Kardec: De acordo com isto, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário com a ajuda do qual e sobre o qual o espírito atua.
23. Que é espírito?
— O princípio inteligente do universo.
23 – a)Qual é a sua natureza íntima?
— Não é fácil analisar o espírito na vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas. para nós, é alguma coisa. Ficai sabendo: nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.
24. Espírito é sinônimo de inteligência?
—A inteligência é um atributo essencial do espírito; mas um e outro se confundem num princípio comum, de maneira que, para vós, são uma e a mesma coisa.
25. O espírito é independente da matéria, ou não é mais do que uma propriedade desta, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?
— São distintos, mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta.
25 – a) Esta união é igualmente necessária para a manifestação do espírito. (Por espírito entendemos aqui o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome.)
— É necessária para vós. porque não estais organizados para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não foram feitos para isso.
26. Pode-se conhecer o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito?
— Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.
27. Haveria, assim, dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?
— Sim e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é necessário ajuntara fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela Embora, de certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se fosse simplesmente matéria não haveria razão para que o espírito não o fosse também. Ele esta colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria e matéria; suscetível em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do espírito de produzir infinita variedade de coisas, das quais não conheceis mais do que uma ínfima parte. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar,sendo o agente de que o espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria Jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.
27 – a) Seria esse fluido o que designamos por eletricidade?
— Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil, que se pode considerar como independente.
28. Sendo o espírito, em si mesmo, alguma coisa, não seria mais exato, e menos sujeito a confusões, designar esses dois elementos gerais pelas expressões: matéria inerte e matéria inteligente?
As palavras pouco nos importam. Cabe a vós formular a vossa linguagem, de maneira a vos entenderdes. Vossas disputas provêm, quase sempre, de não vos entenderdes sobre as palavras. Porque a vossa linguagem é incompleta para as cosias que não vos tocam os sentidos.
Comentário de Kardec: Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são desconhecidas. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja, mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, — é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que a consideramos formando dois princípios constituintes do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.

Kênia Rios de Lima,

Fortaleza, 04 de maio de 2019

Fontes:

https://www.fisica.net/mecanica-quantica


domingo, 5 de maio de 2019

Alegria de viver: brilha o meu coração

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Deus, nosso Pai de infinita justiça e bondade:

Como é bom agradecer pela vida, por esta oportunidade sem igual de fazer parte de Teu Universo resplandecente.

Brilha meu coração quando, ao observar o cântico da Tua natureza, percebe que tudo é feliz e cumpre seu papel resignadamente.

Brilha meu coração quando compreendo Tuas leis perfeitas a reger o cosmo; das leis que equilibram os corpos no espaço às leis morais que harmonizam as relações humanas.

Brilha meu coração ao saber que todos rumamos para a felicidade e que, embora acampemos agora em campos de aflição e dúvida, o passar das eras está construindo em nós as bases de dias felizes.

Brilha meu coração, hoje, agora, enquanto me dou conta de Ti, de mim, de meu próximo e percebo que estamos todos entrelaçados, e que a felicidade depende de como cuido de Ti, de mim e de meu próximo.

Brilha meu coração que é Teu, Pai amado. E a luz que ele emite é a gratidão da criatura para com o Seu Criador.

É um despertar decisivo para a verdadeira vida, agora, aqui, na imensidão de minha alma encantada ao descobrir-Te, gradual e definitivamente.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, 
do livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Alegria de viver: viver AGORA!

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Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida. 

Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.

Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.

A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.

A vida é para ser vivida agora.

Postergar experiências significa prejuízo em crescimento na economia da vida.

Antecipar ocorrências representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora tomam curso.

As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.

*   *   *

Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.

O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.

Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.

A vida é um sublime dom de Deus.

Naturalmente, quando recebes um presente de alguém sentes o desejo irrefreável de agradecer, de louvar, de bendizer.

Desse modo, agradece a Deus o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, 
do livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4732&let=&stat=0

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Motivos de Resignação

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É comum nos perguntarmos: por que tantas dificuldades aos meus pés? Por que as coisas ao meu redor não acontecem como eu as desejo? Por que o meu vizinho está sempre sorridente e eu triste? Analisemos, pois, as questões da dor e as razões pelas quais o Espiritismo nos exorta à resignação. Que tal?

Acontece que a dor que vivenciamos vem sempre de uma causa e há um intuito para ela. Nesse contexto, a resignação tem uma função crucial e ocorre quando nos tornamos animosos no sofrimento, pacientes diante da ingratidão, da adversidade, do infortúnio. Tal assunto se encontra bem ministrado no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo (Bem-Aventurados os Aflitos).

Para uma melhor compreensão, convém nos lembrarmos de que as bem-aventuranças encerram os ensinamentos de Jesus explanados em Cafarnaum, conhecido popularmente como o "Sermão da Montanha", cujo objetivo foi o de sintetizar as leis Morais para a Humanidade.

As bem-aventuranças é um termo que significa uma declaração de bênção em virtude duma boa sorte. Jesus, contudo, as expõe com certo paradoxo, porque em sua proclamação a bem-aventurança em um primeiro contato, aparentemente, não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas de uma má sorte. Jesus dizia: "bem-aventurados os que sofrem... os que sentem frio... os que são perseguidos" (Mackenzie, 1984); não obstantemente, ao refletir sobre seus ditos, fica claro que se destinam à consolação frente às nossas dificuldades.

Isso traz à baila que a dor, sendo inafastável à realidade do nosso mundo de expiações em que estamos ainda inseridos, pode ser vivida sem o sofrimento, ainda que tal feito represente um forte desafio; isso porque dor e sofrimento são conceitos diferentes, embora os termos sejam tratados na maioria das vezes como sinônimos, com base nas palavras de Jesus, podemos aprender que a dor representa, por mais desprazerosa que seja, uma alegria, uma passagem de libertação de nossas faltas, um aprendizado, devendo ser portanto experienciada com resignação.

É possível ainda entendermos que há vários tipos de dor e, de acordo com a Doutrina Espírita, podemos entender haver essencialmente três tipos:

1. DOR-EXPIAÇÃO

Essa dor refere-se à consequência de uma ação passada. Dada a nossa ignorância, desregramos-nos em relação às Leis de Deus e criamos o que os orientais chamam de "carma", que deve ser purgado para a nossa felicidade e a nossa harmonia interior.

2. DOR-EVOLUÇÃO

Enquanto na dor-expiação somos obrigados a sofrer porque merecemos, ou seja, porque cometemos deslize com relação à Lei Natural, nesta ocorre o contrário: sofremos porque temos o anelo da perfeição, a purificação de nossa alma. . O Espírito que atingiu esta fase está num nível de evolução bem superior ao que sofre por um "castigo". Por isso, não é muito correto dizer que a Reencarnação é uma punição. Ela é também motivo de evolução.

3. DOR-AUXÍLIO

Esta dor já é mais voltada para o sentido corretivo, pois os nossos desequilíbrios são tantos que muitas vezes precisamos ficar num leito de dor por anos e anos meditando em nossa situação. Quem visitar pessoas internadas em Casas de Recuperação pode notar as feições de cada um nesta situação. (Xavier, 1976, p. 261 e 262)

Nesse sentido consta no item 9 do Cáp. V do Evangelho o seguinte:

Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento por que se passa neste mundo seja necessariamente o indício de uma determinada falta; trata-se freqüentemente de simples provas escolhidas pelo Espírito, para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado. Um Espírito pode, portanto, ter conquistado um certo grau de elevação, mas querendo avançar mais, solicita uma missão, uma tarefa, pela qual será tanto mais recompensado, se sair vitorioso quanto mais penosa tiver sido a sua luta. Esses são, mais especialmente, os casos das pessoas de tendência naturalmente boas, de alma elevada, de sentimentos nobres inatos, que parecem nada trazer de mal de sua precedente existência, e que sofrem com resignação cristã as maiores dores, pedindo forças a Deus para suportá-las sem reclamar. Podem-se, ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam reclamações e levam à revolta contra Deus.
            O sofrimento que não provoca murmurações pode ser, sem dúvida, uma expiação, mas indica que foi antes escolhido voluntariamente do que imposto; é a prova de uma firme resolução, o que constitui sinal de progresso.

Desse trecho, extraímos que o sofrimento, mais precisamente a dor - em face do esclarecimento já explanado em parágrafo superior, pode ser uma expiação advinda de faltas pretéritas ou uma missão escolhida pelo Espírito para acelerar a sua evolução, ambos (expiação ou missão) são espécies de provas destinadas a Espíritos ainda imperfeitos. 

Em prol do caminho da redenção, as lições de Jesus nos convida a sermos feliz na dor/no sofrimento. Porque, voltando para dentro de nós mesmos, temos sempre a intuição do que fomos e a razão de estarmos frente a uma situação. Quer dizer, não há necessidade de fazermos uma regressão de memória ou terapia de vidas passadas, vez que a nossa próprio inconsciente nos conduz intuitivamente ao que fomos, dando-nos os motivos de nosso sofrimento no presente.

Em face disso, os Espíritos nos orientam que a resignação ao sofrimento equivale ao seguinte raciocínio: suponha que tenhamos uma dívida de R$ 100,00, que deve ser quitada num prazo X. Na contabilidade divina surge a seguinte operação: se me pagares apenas R$ 1,00, eu quitarei a dívida toda. Quem, que se julga honesto e responsável, não se apressaria em desembolsar R$ 1,00 para ficar livre de toda a dívida? Desse modo é o proceder da divindade para cada um. O nosso pagamento é sempre menor do que aquilo que deveríamos realmente pagar.

Assim, nas grandes crises pelas quais passamos, quando colocamos a vontade de Deus acima da nossa, o sofrimento torna-se mais leve, mais suave, enaltecendo os ensinamentos de Jesus, que diz que o seu jugo é suave e o seu fardo leve. Isso porque Jesus nos dá força para continuarmos no caminho da fé, apesar das asperezas. É por isso que os Espíritos superiores estão sempre nos alertando: "Em tudo o que fizer, pensa em Deus primeiro"!

Em tal feita, por que nos preocuparmos com a vida futura? Por que o evangelho nos diz que a felicidade não é deste mundo? Por que deixar para o dia seguinte o que podemos gozar hoje? As respostas a estas perguntas dependerão sensivelmente da visão de mundo de cada um de nós. Se formos muito apegados à matéria, poderemos querer gozar já no dia de hoje não importando se, com isso, precisarmos passar por cima do nosso próximo. Ao contrário, porém, se a nossa visão de mundo for espiritualista, olharemos as coisas de um outro ângulo. Ou seja, daremos mais atenção ao Espírito do que ao corpo.

Reza polêmica entre as religiões quanto a salvação da alma após o desencarne, pois, para algumas, são necessárias as obras e, para outras, somente a fé. A Doutrina Espírita ensina-nos que a morte não altera o nosso estado moral; mudamos apenas de plano. Deixamos de pertencer ao mundo dos encarnados para fazer parte do mundo dos desencarnados, o verdadeiro mundo espiritual. Assim, não é porque temos fé ou porque acreditamos em Deus que seremos salvos. Para sermos salvos precisamos nos libertar do erro, da ignorância, do "pecado". Somente assim poderemos nos libertar do mundo das provas.

Em tal sorte, quando olhamos os nossos problemas mundanos de um ponto de vista mais amplo, espiritual, os mesmos começam a perder a intensidade. Essa observação equivale a subirmos a uma montanha e de lá olharmos para baixo: tudo parece em tamanho diminuto. Procede assim aquele que dá mais valor ao Espírito do que à carne. Esse indivíduo pode passar por todos o tipos de dificuldade e continuar calmo, paciente e até grato à Deus pela dor ou pelo sofrimento, pois os vê como uma forma de ativar a sua evolução espiritual.

Em conclusão, eis que a famosa "oração da serenidade" mediante a qual pedimos a Deus para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, coragem para modificarmos aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra representa o enlace perfeito da atitude que devemos ter quanto a compreensão do sentido das provações, porquanto se trata da bem aventurança divina que nos oferta a condição de quitarmos uma dívida gigantesca pangando apenas uma pequena fração da mesma ou se trata da bem aventurança que nos oferta um meio de acelerarmos "com louvor", por assim dizer, quando escolhemos o sofrimento por missão, a nossa trajetória evolutiva.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Brilhe a vossa luz

Resultado de imagem para brilhe a vossa luzVendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.

Mateus 5:1-19

quarta-feira, 3 de abril de 2019

"Meu Reino não é deste mundo"

Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: “És o rei dos judeus?” Respondeu-lhe Jesus: “Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas o meu reino ainda não é aqui.”

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Disse-lhe então Pilatos: “És, pois, rei?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (João, 18:33,36 e 37).

Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que ele apresenta, em todas circunstâncias, como meta que a humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.

Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensinamento do Cristo, pelo que foi colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de mira de todos os homens. Só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a justiça de Deus.

A doutrina espírita veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para aprender a verdade. Com o espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que as descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que além de impossibilitar qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia.

O espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.

Temos então que nos empenhar o máximo possível, para um dia chegarmos ao nosso verdadeiro lar. Onde iremos caminhar junto de cristo, pelo bem da humanidade. Faça tudo que estiver ao seu alcance para que essa sua encarnação venha valer a pena. Porque o reino de Jesus é para todos aqueles que seguem o seu caminho de amor e caridade para com o próximo.

(Fontes: Evangelho Segundo Espiritismo e Alto Astral)

quinta-feira, 28 de março de 2019

Poder e Autoridade



Na dinâmica da vida social o poder exerce forte fascínio sobre as criaturas. Muitas pessoas desejam ocupar cargos que lhes conceda poder sobre outros indivíduos, mas poucas sabem exercer esse encargo com autoridade. Ter poder não é o mesmo que ter autoridade. 

O poder "é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer." A autoridade é "a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que quer, por causa de sua influência pessoal". Para exercer o poder não é necessário ter coragem nem inteligência avantajada. Crianças menores de dois anos são mestras em dar ordens a seus pais. A história da humanidade registrou os feitos de muitos governantes déspotas e insensatos. Mas, para ter autoridade sobre pessoas é preciso um conjunto de habilidades especiais.

Uma pessoa pode exercer autoridade mesmo não estando num cargo de poder, enquanto outra pode estar no poder e não ter autoridade alguma sobre seus subordinados. Em uma sociedade injusta, o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. As pessoas podem ser colocadas no poder porque são parentes ou amigas de alguém, porque têm dinheiro, uma posição social de destaque ou outra conveniência qualquer. Mas com a autoridade isso não ocorre. 

A autoridade não pode ser comprada nem vendida, nem dada ou tomada. Diz respeito a quem você é como pessoa, ao seu caráter e à influência que exerce sobre terceiros. Para estabelecer autoridade, o líder precisa ser honesto, confiável, responsável, respeitoso, entusiasta, afável, justo, dar bom exemplo, ser bom ouvinte. Quem não tem autoridade pensa só nas tarefas e exige que suas ordens sejam cumpridas. Quem tem autoridade pensa nas tarefas, mas cuida também dos relacionamentos. 

No processo administrativo há sempre essas duas dinâmicas em jogo: a tarefa e o relacionamento. Atender uma, em detrimento da outra, é caminho curto para o fracasso. E conseguir o equilíbrio entre ambas é uma característica de quem exerce liderança com autoridade. Assim sendo, se você é um líder e precisa lembrar isto às pessoas, é porque você não é. Mas se você não está no poder e mesmo assim as pessoas buscam suas orientações, é porque você tem autoridade.

Pense nisso, e lembre-se: liderar é executar as tarefas que estão sob sua responsabilidade ao tempo em que constrói bons e duradouros relacionamentos. Pense nisso! O líder ideal é aquele que, pela sua autoridade intelecto-moral, inspira os seus colaboradores e os eleva à condição de amigos. Quem tem autoridade efetiva não teme perdê-la ao se aproximar dos outros e tratá-los exatamente como gostaria que os outros o tratassem.

Assim, se você é responsável pela condução de outros seres, medite quanto à responsabilidade que lhe cabe sobre os destinos dessas pessoas e procure ser alguém com autoridade, e jamais apenas alguém que detém o poder. Pense nisso, e procure ouvir os que convivem com você mais de perto. 

Texto da Equipe de Redação do "Momento Espírita", com base no cap. 1, do livro O Monge e o Executivo
, de James C. Hanter, ed. Sextante.