quarta-feira, 14 de maio de 2014

Helen Keller – a vitória do Espírito sobre a matéria



Helen superou de forma extraordinária os sentimentos de autocompaixão e de infelicidade crônica que caracterizam
boa parte dos Espíritos quando enfrentam provações


Helen Keller (foto) nasceu saudável em 1880 no Alabama (EUA), mas aos 18 meses ficou subitamente cega e surda-muda, devido a uma congestão cerebral. Passou os primeiros anos da sua infância fechada numa prisão sensorial que a impedia de se comunicar. Aos 6 anos era uma criança muito nervosa com a sua infinita solidão, tida como agressiva, difícil e retardada mental. Para libertar a filha da escuridão e do silêncio, os seus pais escreveram uma carta a Alexander Graham Bell (inventor do telefone), que dava aulas a surdos e que indicou Anne Sullivan, uma professora irlandesa de 21 anos. Annie (tratamento familiar de Anne


que ficou a morar em casa de Helen) estudou na Escola Perkins para Cegos porque em criança tinha sido cega, mas recuperou a visão após nove operações. “O dia mais importante da minha vida foi o da chegada da minha professora Sullivan. Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável das duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de março de 1887, três meses antes de eu completar 7 anos”, relata Hellen Keller.


Quando Anne tocou a primeira vez na menina, ela teve um ataque de fúria. A professora conteve-a com força e, depois de acalmá-la, abraçou-a carinhosamente e disse aos pais preocupados: “Criança precisa de limites”. Anne assumiu a tarefa de ensinar a Helen as técnicas mecânicas necessárias para falar. Colocava 2 dedos (higienizando-os sempre) da aluna na boca da professora. Dizia uma palavra, fazendo-a sentir o movimento da língua entre os dedos; depois colocava os dedos da menina na sua própria boca, que se recordava dos movimentos na boca de Anne e reproduzia-os. Outra técnica: ela colocava um objeto na mão da aluna, no braço dela colocava os seus lábios e pronunciava o nome do objeto; pelas vibrações a menina era capaz de repetir.

Num depoimento de 1927, Helen narra o ponto culminante das suas experiências, a partir do qual mudou, para ela, o sentido da vida. Anne, a sua incansável e devotada professora, estava com ela havia apenas um mês e já lhe ensinara o nome de vários objetos. Ela colocava-os nas mãos da menina e soletrava, nos dedos, a palavra correspondente. Helen confessa, contudo, não ter a mínima ideia do que fazia. Em abril de 1887, Anne colocou a mão de Helen na água fria e sobre a outra mão soletrou a palavra “água”. “De repente – escreve ela – senti estranha agitação dentro de mim, uma nebulosa consciência, sensação de algo de que eu me lembrava. Foi como se eu voltasse à vida depois de ter estado morta! Compreendi que aquilo que minha professora estava fazendo com meus dedos significava aquela fria coisa que escorria pela minha mão, e que era possível comunicar-me com outras pessoas através daqueles sinais.” (Grifamos.)

Numa sequência rápida ela aprendeu os 
alfabetos Braille e manual

Estas palavras (acima grifadas) parecem indicar vagas sensações de remota vivência, antes da existência atual, ou seja, de outra vida. A experiência assumiu as proporções de uma revelação. “Saí dali ávida por aprender. Tudo tinha um nome e cada nome fazia nascer um novo pensamento. No caminho de casa, cada objeto que eu tocava parecia pulsar. Era porque eu via a tudo com uma visão estranha, nova, que se me revelara. Naquele dia aprendi muitas palavras novas, que fariam o mundo desabrochar para mim. Teria sido difícil achar uma criança mais feliz do que eu quando deitei na minha cama no final daquele memorável dia..."

Numa sequência rápida aprendeu os alfabetos Braille e manual, facilitando assim a sua aprendizagem da escrita e da leitura. Em 1890 ela pediu à “Professora” para aprender a falar. “Eu tinha dez anos quando Annie levou-me à 1ª lição de linguagem falada na Escola de Surdos. Os poucos sons que eu então produzia eram ruídos inexpressivos, quase sempre roucos, pelo esforço que empregava para obtê-los. Ao final da 11ª lição, fiz uma surpresa para Annie, puxei-a pelo braço, coloquei a posição da língua e disse claramente: ‘Já não sou muda!’.” Em um raro vídeo, que o leitor pode ver na internet clicando em http://www.youtube.com/watch?v=XdTUSignq7Y, é possível ver e ouvir as duas heroínas a falar-nos da sua história.

Sob a orientação de Anne, Helen matriculou-se no Instituto para Surdos de Boston e depois na Escola Oral de Nova York onde, durante 2 anos, recebeu lições de linguagem falada e de leitura pelos lábios. Helen, além de aprender a ler, escrever e falar, demonstrou também uma eficiência excepcional no estudo de diversas áreas do conhecimento.

No livro Minha Vida de Mulher, Helen fala da sua religiosidade: "Ninguém pode saber melhor do que eu o que são as amarguras dos defeitos físicos. Não é verdade que eu nunca esteja triste, mas há muito resolvi não me queixar. Eis para que serve a religião: inspirar-nos à luta até ao fim, de ânimo forte e sorriso nos lábios". "Mas, uma ambição eu tenho: a de não me deixar abater. Para tanto conto com a bênção do trabalho, o conforto da amizade e a fé inabalável nos altos desígnios de Deus."

Como conciliar “Carma” e Misericórdia? O deficiente visual Chico Xavier responde: "Quando temos dívida na retaguarda, mas continuamos trabalhando a serviço do próximo, a Misericórdia Divina manda adiar a execução da sentença de resgate, até que os méritos do devedor possam ser computados em seu benefício". Mas nem todo sofrimento é somente por débitos próprios. Grandes missionários como Francisco de Assis e Francisco Cândido Xavier trazem “sofrimento-crédito”, ensinando-nos a sofrer com resignação ativa e dando exemplos de determinação, perseverança, coragem e paciência. Lições que Helen Keller também nos ensinou. Assim sendo, não devemos rotular as pessoas nem fazer juízos sobre suas eventuais provas ou expiações. Pode-se tratar de missões de Espíritos bem mais evoluídos do que nós.

Helen dizia: “Sou surda no corpo, mas um 
dia voltarei a ouvir”

Um dia, ao examinar uma estátua, Helen tateou as dobras do manto, o cordão que lhe rodeava a cintura, as sandálias dos pés. “Um monge!”, exclamou ela. Sempre pelo tato, notou que um lobo tinha a cabeça encostada ao homem, que um coelho lhe descansava nos braços e que um passarinho estava aninhado no seu capuz. Deslizou os dedos pelo rosto do homem. Estava erguido para o Céu. “Ele ama a Deus e é amigo dos animais”, disse ela. “Já sei! É Francisco de Assis!” Como ele, Helen Keller estava convencida de que o fim da estrada para o qual se dirigia tão pacientemente às apalpadelas era apenas o começo de uma estrada mais bela. 

Quais eram as suas convicções religiosas? “Eu sou cega no corpo, mas um dia sairei dele e voltarei a ver. Sou surda no corpo, mas um dia voltarei a ouvir. Porque eu creio na vida após a morte! Eu sou swedenborguiana!”

Helen tomou conhecimento das ideias de Emanuel Swedenborg (foto) por intermédio de seu pai de criação, Mr. John Hitz. Ela lia-os em Braille, tanto que os seus dedos sangravam. O livro My Religion (1953) é um tributo aos escritos teológicos de Swedenborg, em que ela testemunha, de forma tocante, como a mensagem da obra do “gênio” sueco modificou a sua vida, tirando-a de uma outra espécie de treva e trazendo-a à luz da realidade espiritual. Para ela, Swedenborg foi "um olho entre os cegos, um ouvido entre os surdos" e "um dos mais nobres que o mundo cristão jamais conheceu". 

No livro, ela não mergulha fundo nas complexidades da doutrina do sábio sueco; limita-se a relatar sua experiência pessoal com ela. Sempre tivera dificuldades com os conceitos tradicionais acerca de Deus e dos mistérios da vida. Achava tocante a história pessoal do Cristo, sempre dedicado a curar os enfermos, confortar os aflitos, restituir a luz a olhos cegos (como os seus...), mas “como poderia eu adorar três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo? Não era isto aquela espécie de falso culto tão severamente punido nos dias do Antigo Testamento?”

Swedenborg oferecia-lhe a imagem de um céu que não era “simples coleção de ideias radiantes, mas um mundo prático, onde se podia viver”. A grande mensagem encontrada por Helen Keller nos livros do médium sueco foi a da sobrevivência do ser, ou seja, a de que “a morte não é o fim da vida, mas apenas uma de suas mais importantes experiências”. Isto bastava-lhe. A vida tinha sentido, era continuidade, mais do que mera esperança. Como verdadeira swedenborguiana, ela estava convencida de que, após a morte, ela seria verdadeiramente capaz de ver. E assim – dizia - “com firme determinação, eu lanço os olhos para além de onde a vista alcança, até que a minha alma se eleve na luz espiritual e exclame: a vida e a morte são uma única coisa!” Ela confessa que deve muito ao escritor sueco, mas, na verdade, seu credo é uma mescla de todas as religiões: “onde está o amor, aí está Deus e onde está Deus, aí está a paz”.

Pelo simples contacto, ela podia distinguir o
caráter das pessoas

Mas quem foi Emanuel Swedenborg? Polímata e espiritualista sueco (1688-1772), sua vida teve episódios marcantes, como o do incêndio de Estocolmo, que foi presenciado e descrito, com detalhes, por ele, que estava a 300 milhas inglesas do local… Um fenômeno de clarividência! Immanuel Kant comprovou a autenticidade de vários fatos narrados pela sua paranormalidade. Influenciou outras personalidades como Abraham Lincoln e os seus escritos foram estudados por Goethe, Rousseau e Voltaire. As obras de Swedenborg têm grande valor histórico, pelas narrativas sobre a vida no mundo espiritual, como se fosse um precursor da série de André Luiz. Em Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, Swedenborg é um dos nomes da Falange Superior que iluminou a Codificação.

Allan Kardec, na Revista Espírita de novembro de 1859, dedica-lhe um extenso artigo, reconhecendo: “O mérito incontestável de Swedenborg, seu profundo saber, sua alta reputação de sabedoria tiveram um grande peso na propagação da crença na possibilidade da comunicação com os seres de além-túmulo”. “Apesar de seus erros de sistema, Swedenborg não deixa de ser uma dessas grandes figuras, cuja lembrança ficará ligada à história do Espiritismo, do qual foi um dos primeiros e dos zelosos promotores.” Através de um médium, Kardec dialoga com Swedenborg (Espírito), que reconhece alguns erros no que produziu em vida.

Léon Denis, em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, diz que Helen Keller “não possui, em aparência, senão o sentido do tato para comunicar com o mundo exterior. E, entretanto, pode conversar em três línguas com seus visitantes; a sua bagagem intelectual é considerável; possui um sentimento estético que lhe permite gozar das obras de arte e das harmonias da Natureza”. “Pelo simples contacto das mãos, ela distingue o caráter e a disposição de espírito das pessoas que encontra. Com a ponta dos dedos colhe a palavra nos lábios e lê nos livros apalpando os caracteres salientes, especialmente impressos para ela. Eleva-se à concepção das coisas mais abstratas e sua consciência ilumina-se com claridades que vai buscar às profundezas de sua alma.” No capítulo "As Potências da Alma", o discípulo de Kardec entende que "evidentemente, encontramo-nos em presença de um ser evolutivo, revindo à cena do mundo com toda a aquisição dos séculos percorridos”.

Com inteligência de sobredotada, Helen 
escreveu livros notáveis

“O caso de Helen – disse Denis – prova que, por trás dos órgãos momentaneamente atrofiados, existe uma consciência desde muito familiarizada com as noções do mundo exterior. Há, aí, ao mesmo tempo, uma demonstração das vidas anteriores da alma e da existência dos seus próprios sentidos, independentes da matéria, dominando-a e sobrevivendo a toda desagregação corporal.” A Sra. Maëterlinck, que a visitou, diz que Helen é um ser superior, que possui profundos conhecimentos de Matemática, Astronomia, latim e grego, fala inglês, francês e alemão, e escreve ela própria como filósofa, psicóloga e poetisa. 

Espírito moralmente evoluído, Helen foi ativista social na defesa dos direitos dos deficientes, das mulheres, dos pobres e na reabilitação e reintegração profissional das vítimas da 2ª Guerra Mundial, a quem amou e visitou nos hospitais, lares e fábricas. Com inteligência de sobredotada, escreveu livros notáveis, proferiu centenas de conferências em 35 países, onde foi homenageada por figuras célebres. Quando a sua professora se casou, Helen foi morar com ela e ajudou sempre nas tarefas diárias do lar. Ela aprendera bem a lição evangélica de que quem é fiel nas coisas pequenas sê-lo-á sempre nas coisas grandes. E tudo fazia com alegria, afirmando: “Não peçamos tarefas iguais às nossas forças. Mas forças iguais às nossas tarefas”.

André Luiz, através do médium Chico Xavier, lembra-nos que muitos “Mensageiros” descem à Terra com tarefas específicas. Prometem vencer, mas a maioria regressa à Pátria Espiritual vencida, envergonhada pelos fracassos, frustrada pela mensagem não transmitida. A pequena Helen começou a desenvolver a sua mensagem aos 18 meses, quando as mais importantes faculdades sensitivas se trancaram em seu corpo e fecharam-na por dentro. O espírito então despertou! A realidade interior venceu os obstáculos e Helen superou de forma extraordinária os sentimentos de autocompaixão e de infelicidade crônica que caracterizam boa parte dos Espíritos quando enfrentam as suas provações, comprovando que o poder da vontade representa uma força quase ilimitada. Assim, transmitiu integralmente a mensagem de esperança, a lição de ânimo, e a confiança na vitória da tenacidade, quando a direção é o progresso, e a meta é o Bem.

Helen Adams Keller faleceu em Westport, em 1º de junho de 1968.

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano5/208/especial.html

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Capítulo XI - AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO/II – O Egoísmo


EMMANUEL

Paris, 1861

11 – O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral. É ao Espiritismo que cabe a tarefa de fazê-la elevar-se na hierarquia dos mundos. O egoísmo é portanto o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem. Digo coragem, porque esta é a qualidade mais necessária para vencer-se a si mesmo do que para vencer aos outros. Que cada qual, portanto, dedique toda a sua atenção em combatê-lo em si próprio, pois esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias terrenas. Ele é a negação da caridade, e por isso mesmo, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade, e Pôncio Pilatos o do egoísmo. Porque, enquanto o Justo vai percorrer as santas estações do seu martírio, Pilatos lava as mãos, dizendo: Que me importa! Disse mesmo aos judeus: Esse homem é justo, por que quereis crucificá-lo? E, no entanto, deixa que o levem ao suplício.

É a esse antagonismo da caridade e do egoísmo à invasão dessa lepra do coração humano, que o Cristianismo deve não ter ainda cumprido toda a sua missão. E é a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, que cabem a tarefa e o dever de extirpar esse mal, para dar ao Cristianismo toda a sua força e limpar o caminho dos obstáculos que lhe entravam a marcha. Expulsai o egoísmo da Terra, para que ela possa elevar-se na escala dos mundos, pois já é tempo da humanidade vestir a sua toga viril, e para isso é necessário primeiro expulsá-lo de vosso coração.

*

PASCAL

Sens, 1862

12 – Se os homens se amassem reciprocamente, a caridade seria mais bem praticada. Mas, para isso, seria necessário que vos esforçásseis no sentido de livrar o vosso coração dessa couraça que o envolve, a fim de torná-lo mais sensível ao sofrimento do próximo. O Cristo nunca se esquivava: aqueles que o procuravam, fossem quem fossem, não eram repelidos. A mulher adúltera, o criminoso, eram socorridos por ele, que jamais temeu prejudicar a sua própria reputação. Quando, pois o tomareis por modelo de todas as vossas ações? Se a caridade reinasse na Terra, o mal não dominaria, mas se apagaria envergonhado; ele se esconderia, porque em toda parte se sentiria deslocado. Seria então que o mal desapareceria; compenetrai-vos bem disso.

Começai por dar o exemplo vós mesmos. Sede caridosos para com todos, indistintamente. Esforçai-vos para não atentar nos que vos olham com desdém. Deixai a Deus cuidar de toda a justiça, pois cada dia, no seu Reino, Ele separa o joio do trigo.

O egoísmo é a negação da caridade. Ora, sem caridade não há tranqüilidade na vida social, e digo mais, não há segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, essa vida será sempre uma corrida favorável ao mais esperto, uma luta de interesses, em que as mais santas afeições são calcadas aos pés, em que nem mesmo os sagrados laços de família são respeitados.

domingo, 11 de maio de 2014

Coração de Mãe


Dizem que quando a Terra foi criada
Fazendo-se possuída
Pelos filhos da vida
Que vinham de outros mundos,
Tudo na estrada humana,
Cortando a imensidão dos campos infecundos
Era a dominação do ódio que se aferra
À dissenção, à morte, ao desespero e à guerra ...

Foi quando um mensageiro
Do Céu às criaturas,
Regressou às Alturas
E disse humildemente ao Grande Deus:
- Senhor! O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce,
Tudo na Terra é luta em conquistas da posse.
Compadece-te oh! Pai! ... Veneno, flecha e clava
Formam no mundo inteiro a Humanidade escrava,
Da descrença, do mal, da impiedade e do crime,
Sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se agüenta ouvir os urros do mais forte
E o choro dos vencidos,
Pisados, massacrados e caídos
Nos sarcasmos da morte.
Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta,
Em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?

Revelou-se que o Pai de Infinita Bondade,
Pensou, por muito tempo, e disse, comovido:
- Aceito, filho meu, quanto me falas,
Entendo-te o pedido! ...
Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças,
Os que morrem no mal renascerão crianças,
A Terra evoluirá, - ponderou o Senhor -
Ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça,
Instalarei no mundo a força da Justiça
E para que haja amor exterminando o orgulho,
Sem pancada, sem grito, sem barulho,
Enviarei alguém,
Que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,
Na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer,
Cultivando o perdão como simples dever.

Dizem que foi assim
Que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens,
E conforme o Senhor mandou e prometeu,
Entre as rudes mulheres dos selvagens,
O Coração de Mãe apareceu.



XAVIER, Francisco Cândido. Maria Dolores. Pelo Espírito Maria Dolores. IDEAL.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Consciência da Gratidão

À medida que a psique desenvolve a consciência, fazendo-a superar os níveis primitivos recheados pela sombra, mais facilmente adquire a capacidade da gratidão. 

A sombra, que resulta dos fenômenos egoicos, havendo acumulado interesses inferiores, é a grande adversária do sentimento de gratulação. Na sua ânsia de aparentar aquilo que não conquistou, impedida pelos hábitos enfermiços, projeta os conflitos nas demais pessoas, sem a lucidez necessária para confiar e servir. Servindo-se dos outros, supõe que assim fazem todos os demais, ante a impossibilidade de alargar a generosidade, que lhe facultaria o amadurecimento psicológico para a saudável convivência social, para o desenvolvimento interior dos valores nobres do amor e da solidariedade.

A miopia emocional defluente do predomínio da sombra no comportamento do ser humano impede-o que veja a harmonia existente na vida. 

As imperfeições morais que não foram modificadas pelo processo da sua diluição e substituição pelas conquistas éticas atormentam o ser, fazendo-o refratário, senão hostil a todos os movimentos libertários. 

Não há no seu emocional, em conseqüência, nenhum espaço para o louvor, o júbilo, a gratidão. 

Desse modo, os conflitos que se originaram em outras existências e tornaram-se parte significativa do ego predominam no indivíduo inseguro e sofredor, que se refugia na autocompaixão ou na vingança, de forma que chame a atenção, que receba compensação narcisista, aplauso, preservando sempre suspeitas infundadas quanto à validade do que lhe é oferecido, pela consciência de saber que não é merecedor de tais tributos...

Acumuladas e preservadas as sensações que se converteram em emoções de suspeita em de ira, de descontentamento e amargura, projetam-nas nas demais pessoas, por não acreditar em lealdade, amor e abnegação. 

Se alguém é dedicado ao bem na comunidade, é tido como dissimulador, porque essa seria a sua atitude (da sombra). 

Se outrem reparte alegria e constrói solidariedade, a inveja que se lhe encontra arquivada no inconsciente acha meios de denominá-lo como bajulador e pusilânime, pois que, por sua vez, não conseguiria desempenhar as mesmas tarefas com naturalidade. A ausência de maturidade afetiva isola o indivíduo na amargura e na autopunição. 

Tudo quanto lhe constitui impedimento mascara e transfere para os outros, assumindo postura crítica impiedosa, puritanismo exagerado, buscando sempre desconsiderar os comportamentos louváveis do próximo que lhe inspiram antipatia. 

Assim age porque a sua é uma consciência adormecida, não habituada aos vôos expressivos da fraternidade e da compreensão, que somente se harmonizando com o grupo no qual vive é que poderá apresentar-se plena. 

Autoconscientizando-se da sua estrutura emocional mediante o discernimento do dever, o que significa amadurecer, conseguirá realizar o parto libertador do ego, dele retirando as suas mazelas, lapidando as crostas externas qual ocorre com o diamante bruto que oculta o brilho das estrelas que se encontram no seu interior.

Urge, pois, adotar nova conduta para se libertar das fixações perversas. Conseguindo despertar dos valores nobres, é inevitável a saída da sua individualidade para a convivência com a coletividade, onde mais se aprimorará, aprendendo a conquistar emoções superiores que o enriquecerão de alegria e de paz, deslumbrando-se ante as bênçãos da vida que adornam tudo, assimilando-as em vez de reclamando sempre, pela impossibilidade de percebê-las. 

O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos emocionais, sempre com a verruma da acusação ou da autojustificação assim como do mal-estar a que se agarra em seguro mecanismo de fuga da realidade.

Nos níveis nobres da consciência de si e da cósmica, a gratidão aureola-se de júbilos, e os sentimentos não mais permanecem adstritos ao eu, ao meu, ampliando-se ao nós, a mim e a você, a todos juntos.

A gratidão é a assinatura de deus colocada na Sua obra.

Quando se enraíza no sentimento humano logra proporcionar harmonia interna, liberação de conflitos, saúde emocional, por luzir como estrela na imensidão sideral... 

Por extensão, aquele que se faz agradecido torna-se veículo do sublime autógrafo, assinalando a vida e a natureza com a presença dEle.

Quando o egoísta insensatamente aponta as tragédias do cotidiano, as aberrações que assolam a sociedade, somente observa o lado mau e negativo do mundo, está exumando os seus sentimentos inconscientes arquivados, vibrantes, sem a coragem de externá-los, de dar-lhes campo livre no consciente. 

A paz de fora inicia-se no cerne de cada ser. Também assim é a gratidão. Ao invés do anseio de recebê-la, tornar-se-lhe o doador espontâneo e curar-se de todas as mazelas, ensejando harmonia generalizada.

A vida sem gratidão é estéril e vazia de significado existencial.



Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Psicologia da Gratidão


terça-feira, 6 de maio de 2014

Sua enorme pequenina missão de Deus!

Benjamin Teixeira de Aguiar
pelo Espírito Eugênia-Aspásia.

Disseram-lhe, querido(a) amigo(a), que as missões de Deus são "grandes" missões.

E você se vê tão pequeno(a)!... Nunca imaginou e continua sem lograr conceber que qualquer destino "grandioso" lhe esteja reservado.

Que ótimo se sinta e pense dessa forma!

Sinal de que você não é movido(a) por ego, o que dificultaria, profundamente, sua sintonia com os domínios mais elevados de consciência.

Se o ideal de servir e ser útil abrasa-lhe o coração, não se deixe deter pela ideia de que não é importante o serviço pequenino ou aparentemente sem valor que possa prestar a essa ou àquela pessoa, dessa ou daquela maneira.

O que são as grandes missões, diante da grandeza do Universo e de Deus? Pois bem. Do mesmo modo, raciocine comigo: para Deus, o cuidado, o zelo, a sintonia de sinceridade e amor com que você realize uma tarefa de pouco relevo aos olhos do mundo pode ser uma obra tão valiosa quanto aquela que é desdobrada por um missionário diante da coletividade.

Por outro lado, quem disse que você não alcança muitas pessoas e que seu trabalho não pode desencadear processos significativos de benefício geral, em cascata? Os poucos indivíduos com quem você interage, durante a semana, fazem contato com tantos outros, que, num efeito dominó, ao infinito, dia sobre dia, ano sobre ano, muitos milhares podem ser tocados... Ninguém tem como dimensionar a extensão da própria influência. Mas todos podem e devem avaliar a qualidade do que oferecem, a começar pela natureza de propósitos com que a oferta de solidariedade é apresentada ao próximo.

Ore, no início de seu dia, bem como antes da feitura de qualquer obrigação singela do cotidiano, e mobilize-se em cada ação, com espírito de ajudar, cuidar, amar. E fique certo(a): estará entrando em ressonância com os Espíritos Santos de Deus, que querem disseminar o bem, a bondade, a sabedoria e a paz, por toda parte, em quaisquer circunstâncias, e não apenas nas situações e movimentos de grande vulto, espetaculares e "gigantescos".

A criança que hoje você embala no colo pode conduzir multidões no futuro.

A alma que você socorre agora, parecendo necessitar de sua ajuda, pode ser um Espírito nobilíssimo, disfarçado em andrajos, que amanhã socorrerá você próprio(a) e uma quantidade impensável doutras pessoas.

Difunda esperança, otimismo, boa vontade e fé. Você não faz ideia do poder de uma vida inspirada por essa diretriz! Não faz ideia mesmo do quanto pode se tornar agente da Luz, a serviço do bem de muitos, ainda que permaneça, durante toda a existência que ora desfruta, aprisionado(a) na conjuntura aparentemente insignificante (para a perspectiva do ego humano) em que hoje se encontre.

Seja canal dos Anjos, para os sofredores do mundo, levando uma mensagem de amor e alegria, conforto e motivação a todos, e você mesmo(a), paulatinamente, será inflamado(a) com o Fogo Sagrado do Amor -- que é Deus --, passando a flamejar, dentro de si, o ardor da felicidade do Céu, ainda aprisionado(a) ao corpo de carne... até que, um dia, será libertado(a) do casulo de matéria densa que o(a) alberga, para que adeje, cheio(a) de graça e vida em abundância, a planos mais altos de felicidade e realização, no Seio do(a) Criador(a) e Seus (Suas) Emissários(as)!...


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Palestra dia 1 DE MAIO no Náutico Atlético Cearense

TEMA: EURÍPEDES BARSANULFO E CURAS ESPIRITUAIS


Prezado (a) Amigo (a)

Boa noite

A Equipe do Ônibus Chico Xavier, o Centro Cultural Jader de Carvalho e o Centro Espírita Vianna de Carvalho, estão promovendo uma palestra, que será proferida no dia 1 de maio, quinta-feira, no clube Náutico Atlético Cearense, na segunda torre, às 20 h 00 pelo Sr. Sergio Pontes, sobre o tema: Eurípedes Barsanulfo e Curas Espirituais. O palestrante é Engenheiro, Diretor da Federação Espírita do Ceará-FEEC e do Centro Espírita Pedro O Apóstolo de Jesus - CEPAJ. Haverá apresentação musical de Francisco Nunes. Participe e terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre aquele que, pelos seus valiosos dons mediúnicos, foi cognominado de O Apóstolo da Mediunidade, qual seja, Eurípedes Barsanulfo, Espírito de alta envergadura que reencarnou no século IX, em Sacramento-MG, o qual teve a coragem de ali fundar o Colégio Allan Kardec, alicerçado na doutrina espírita, em local onde o pensamento religioso vigente era essencialmente católico. 

Fraternalmente,
Orlando Mota Maia


Contatos:
Francisco Clelio Cavalcante (85) 9151.4734
Raimundo Parente de Albuquerque Jr (85) 88.76.9385
Monica Alves (85) 9249.2525

rparente@oi.com.br
onibus.chicoxavier@hotmail.com"