segunda-feira, 31 de março de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Capítulo VIII – BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO/Verdadeira Pureza e Mãos Não Lavadas


8 – Então chegaram a ele uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos? Pois não lavam as mãos quando comem o pão. E ele, respondendo, lhes disse: E vós também, por que transgredis o mandamento de Deus,pela vossa tradição? Porque Deus disse: Honra a teu pai e a tua mãe, e o que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, morra de morte. Vós outros, porém, dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: Toda a oferta que faço a Deus te aproveitará a ti, está cumprindo a lei. Pois é certo que o tal não honrará a seu pai ou a sua mãe. Assim é que vós tendes feito vão os mandamentos de Deus, pela vossa tradição. Hipócritas, bem profetizou de vós outros Isaías, quando diz: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me honram, ensinando doutrinas e mandamentos que vêm dos homens. E chamando a si as turbas, lhes disse: Ouvi e entendei. Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem, mas o que sai da boca, isso é o que faz imundo o homem. Então, chegando-se a ele os discípulos, lhe disseram: Sabes que os fariseus, depois que ouviram o que disseste, ficaram escandalizados? Mas ele, respondendo, lhes disse: Toda a planta que meu Pai não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os; cegos são, e condutores de cegos. E se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no barranco. E respondendo Pedro, lhe disse: Explica-nos essa parábola. E respondeu Jesus: Também vós outros estais ainda sem inteligência? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce ao ventre, e se lança depois num lugar escuso? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são as que fazem o homem imundo; porque do coração é que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O comer, porém, com as mãos por lavar, isso não faz imundo o homem. (Mateus, XV: 1-20).

9 – E quando Jesus estava falando, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar com ele, e havendo entrado, sentou-se à mesa. E o fariseu começou a discorrer lá consigo mesmo sobre o motivo por que não se tinha lavado antes de comer. E o Senhor lhe disse: Agora vós outros, os fariseus, limpais o que está por fora do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. Néscios, quem fez tudo o que está de fora não fez também o que está de dentro? (Lucas, XI: 37-40).

10 – Os Judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de Deus, apegando-se à prática de regras estabelecidas pelos homens, e das quais os rígidos observadores faziam casos de consciência. O fundo, muito simples, acabara por desaparecer sob a complicação da forma. Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que se reformar moralmente, de lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhes ensinavam que Deus não exigia nada mais. Eis porque o profeta dizia: “É em vão que esse povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens”.

Assim também aconteceu com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser deixada em segundo plano, o que faz que muitos cristãos, à semelhança dos antigos judeus, creiam que a sua salvação está mais assegurada pelas práticas exteriores do que pelas da moral. É a esses acréscimos que os homens fizeram à lei de Deus, que Jesus se refere, quando diz: “Toda a planta que meu Pai não plantou, será arrancada pela raiz”.

A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não chega a Deus enquanto não se fizer perfeito. Toda religião, portanto, que não melhorar o homem, não atinge a sua finalidade. Aquela em que ele pensa poder apoiar-se para fazer o mal, é falsa ou foi falseada no seu início. Esse é o resultado a que chegam todas aquelas em que a forma supera o fundo. A crença na eficácia dos símbolos exteriores é nula, quando não impede os assassínios, os adultérios, as espoliações, as calúnias e a prática do mal ao próximo, seja qual for. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem.

Não é suficiente ter as aparências da pureza, é necessário antes de tudo ter a pureza de coração.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Livro dos Espíritos: Cap. 7 – RETORNO À VIDA CORPORAL/ I – Prelúdio do Retorno


330. Os Espíritos conhecem a época em que terão de se reencarnar?

— Eles a pressentem, como o cego sente o fogo de que se aproxima. Sabem que devem retomar um corpo, como sabeis que deveis morrer um dia, mas ignoram quando isso acontecerá. (Ver item 166.)

330. A) A reencarnação é, portanto, uma necessidade da vida espírita, como a morte é uma necessidade da vida corpórea?

— Seguramente, assim é.

331. Todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação?

— Há os que absolutamente não pensam nela, que nem mesmo acompreendem; isso depende de sua natureza mais ou menos avançada. Para alguns, a incerteza quanto ao futuro é uma punição.

332. O Espírito pode abreviar ou retardar o momento da reencarnação?

— Pode abreviá-lo, solicitando-o por suas preces, e pode também retardá-lo, se recuar ante a prova. Porque entre os Espíritos há também indiferentes e poltrões; mas não o faz impunemente, pois sofre com isso, comoaquele que recusa o remédio que o pode curar.

333. Se um Espírito se sentisse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes, e não tivesse a ambição de se elevar, poderia prolongar indefinidamente esse estado?

— Não indefinidamente; cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de avançar; todos devem elevar-se, pois esse é o destino de todos.

334. A união da alma com este ou aquele corpo está predestinada, ou no último momento é que se faz a escolha?

— O Espírito é sempre designado com antecedência. Escolhendo a prova que deseja sofrer, o Espírito pede para se encarnar; ora, Deus, que tudo sabee tudo vê, sabe e vê com antecedência que tal alma se unirá a tal corpo.

335. O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?

— Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la.

335 – a) Pode o Espírito, no último momento, recusar o corpo escolhido?

— Se o recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tivesse tentado nenhuma prova.

336. Poderia acontecer que um corpo que deve nascer não encontrasse Espírito para encarnar-se nele?

— Deus proveria a isso. A criança, quando deve nascer para viver, tem sempre uma alma predestinada: nada é criado sem um desígnio.

337. A união do Espírito com determinado corpo pode ser imposta por Deus?

— Pode ser imposta, da mesma maneira que as diferentes provas,sobretudo quando o Espírito ainda não está apto afazer uma escolha com conhecimento de causa. Como expiação, o Espírito pode ser constrangido a se unir ao corpo de uma criança que, por seu nascimento e pela posição que terá no mundo, poderá tornar-se para ele um meio de castigo.

338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para ocupar um mesmo corpo que vai nascer, o que decidiria entre eles?

— Muitos podem pedi-lo, mas é Deus quem julga, em casos assim, qual é o mais capaz, de preencher a missão a que a criança se destina. Mas, como já disse, o Espírito é designado antes do instante em que deve unir-se ao corpo.

339. 0 momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação?

_ Muito maior, e sobretudo mais longa. Na morte, o Espírito sai daescravidão; no nascimento, entra nela.

340. O instante em que o Espírito deve encarnar-se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante?

— É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa e nãosabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta.

Comentário de Kardec: O viajante que embarca sabe a que perigos se expõe, mas não sabe se naufragará. Assim se dá com o Espírito: ele conhece o gênero de provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá.

Da mesma maneira que a morte do corpo é um renascimento para o Espírito,a reencarnação é para ele uma espécie de morte, ou antes, de exílio e de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corpóreo, como o homem deixa o mundo corpóreo pelo mundo dos Espíritos. O Espírito sabe que se reencarnará, como o homem sabe que morre; mas, como este, não tem consciência do fato senão no último momento, quando chega o tempo desejado. Então nesse momento supremo, a perturbação o envolve, como no homem em agonia, e essa perturbação persiste até que a nova existência esteja nitidamente firmada. O início da reencarnação é uma espécie de agonia para o Espírito.

341. A incerteza do Espírito quanto à eventualidade do sucesso das provas que vai sofrer na vida é para ele uma causa de aflição, antes da encarnação?

— Uma grande aflição, pois as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, segundo as tiver bem ou mal suportado.

342. No momento de sua reencarnação, o Espírito é acompanhado por outros Espíritos, seus amigos, que assistem à sua partida do mundo espírita, como o vão receber na sua volta?

— Isso depende da esfera que o Espírito habita. Se está nas esferas emque reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o derradeiromomento, o encorajam e freqüentemente, mesmo, o seguem durante a vida.

343. Os Espíritos amigos que nos seguem durante a vida são, por vezes, os que vemos em sonho, que nos testemunham a sua afeição e que se nos apresentam com feições desconhecidas?

— Muito freqüentemente o são; eles vêm visitar-nos, como ides ver umprisioneiro sob chaves.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Capítulo VII – BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO/Mistérios Ocultos Aos Sábios E Prudentes


7 – Naquele tempo, respondendo, disse Jesus: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos. (Mateus, XI: 25).

8 – Pode parecer estranho que Jesus renda graças a Deus por haver revelado essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, ocultando-as aos sábios e prudentes, mais aptos, aparentemente, a compreendê-las. É que precisamos entender pelos primeiros os humildes, os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores aos outros; e, pelos segundos, os orgulhosos, envaidecidos com o seu saber mundano, que se julgam prudentes, pois que eles negam a Deus, tratando-o de igual para igual, quando não o rejeitam. Isso porque, na antiguidade, sábio era sinônimo de sabichão. Assim, Deus lhes deixa a busca dos segredos da Terra, e revela os do Céu aos humildes, que se inclinam perante Ele.

9 – O mesmo acontece hoje com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo. Certos incrédulos se admiram de que os Espíritos se esforcem tão pouco para os convencer. É que eles se ocupam dos que buscam a luz com boa-fé e humildade. De preferência aos que julgam possuir toda a luz e parecem pensar que Deus deveria ficar muito feliz de os conduzir a Ele, provando-lhes a sua existência.

O poder de Deus se revela nas pequenas como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda à parte; cegos são os que não a vêem. Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles gostam de os ter fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhes fere o orgulho. Para vencer a incredulidade, ele emprega os meios que lhe convém, segundo os indivíduos. Não é a incredulidade que lhe há de prescrever o que deve fazer, ou que lhe vai dizer: Se quiserdes me convencer, é necessário que faças isto ou aquilo, neste momento e não naquele, porque este é que me convém.

Não se admirem, pois, os incrédulos; se Deus e os Espíritos, que são os agentes da sua vontade, não se submetem às suas exigências. Perguntem o que diriam, se o último dos seus servos lhes quisessem fazer imposições. Deus impõe condições, não se submete a elas. Ouve com bondade os que o procuram humildemente, e não os que se julgam mais do que Ele.

10 – Deus, dir-se-á, não poderia tocá-los pessoalmente por meio de prodígios evidentes, perante os quais o mais incrédulo teria de curvar-se?

Sem dúvida que o poderia, mas, nesse caso, onde estaria o seu mérito; e ademais, de que serviria isso? Não os vemos diariamente recusar a evidência, e até mesmo dizer: Ainda que o visse, não acreditaria, pois sei que é impossível? Se eles se recusam a reconhecer a verdade, é porque o seu espírito ainda não está maduro para a compreender, nem o seu coração para a sentir. O orgulho é a venda que lhes tapa os olhos. Que adianta apresentar a luz a um cego? Seria preciso, pois, curar primeiro a causa do mal; eis porque, como hábil médico, Ele castiga primeiramente o orgulho. Não abandona os filhos perdidos, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se abrirão; mas quer que o façam de vontade própria. E então, vencidos pelos tormentos da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmo em seus braços, e como o filho pródigo lhe pedirão perdão.

Para ouvir "Mistérios Ocultos Aos Sábios E Prudentes", clique aqui: http://luzdoespiritismo.com/wp-content/uploads/2013/06/cap07-a03-misterios-ocultos-aos-sabios-e-prudentes.mp3

domingo, 23 de março de 2014

O Céu e o Inferno: CAPÍTULO IV/Quadro do Inferno Pagão — 9 e 10


9 — Só conhecemos o inferno pagão através das composições dos poetas. Homero e Virgílio nos deram a definição mais completa, mas devemos considerar as exigências formais da poesia nessas descrições. A de Fenelon no Telêmaco, embora originária da mesma fonte quanto às crenças fundamentais, tem a simplicidade mais precisa da prosa. Descreve o aspecto lúgubre dos vários lugares e procura ressaltar sobretudo o gênero dos sofrimentos a que são submetidos os culpados, estendendo-se bastante sobre o destino dos maus reis, isso em virtude da instrução que dava ao seu aluno real.

Por mais popular que seja a sua obra, muitas pessoas não terão de memória essa descrição ou não puderam refletir bastante sobre ela para fazer uma comparação. Eis porque julgamos útil reproduzir os trechos que apresentam relação mais direta com o nosso assunto, ou seja, aqueles que se referem especialmente às penas individuais.

10 — Entrando, Telêmaco ouve outros gemidos de uma sombra que não encontrava consolação. — Qual é, diz ele, — a vossa desgraça? O que fostes na Terra? — Eu era, — respondeu-lhe a sombra, — Nabofarzan, rei da soberba Babilônia, e todos os povos do Oriente tremiam ao simples som do meu nome. Fiz-me adorar pelos babilônios no templo de mármore onde estava representado por uma estátua de ouro, diante da qual eram queimados dia e noite os mais preciosos perfumes da Etiópia. Ninguém jamais ousou me contradizer sem ter sido imediatamente punido. Eu inventava cada dia novos prazeres para tornar minha vida mais deliciosa. Era então jovem e robusto. Mas, oh, desgraça, embora muito ainda me restasse para gozar sobre o trono, uma mulher que amei e que não me amava me fez logo sentir que eu não era um deus: envenenou-me e hoje nada mais sou. Puseram pomposamente as minhas cinzas numa urna de ouro. Choraram, arrancando os cabelos ao redor. Ela ameaçou atirar-se nas chamas em que me incineravam, para morrer comigo e ainda hoje vai chorar aos pés do soberbo túmulo a que lançaram as minhas cinzas. Mas ninguém me lamenta e minha memória causa horror mesmo na minha família, enquanto sofro aqui em baixo horríveis tratamentos.

Telêmaco, emocionado com o drama, lhe diz: Foste verdadeiramente feliz durante o vosso reinado, sentíeis essa doce paz sem a qual o coração permanece sempre opresso e abatido em meio das delícias? — Não — respondeu o babilônio — nem mesmo compreendo o que quereis dizer. Os sábios louvam essa paz como o único bem, mas de minha parte jamais a senti. Meu coração estava incessantemente agitado por novos desejos, por temores e esperanças. Eu procurava esquecer-me de mim na confusão das minhas paixões. Cuidava de entreter essa embriaguez para que não cessasse, pois o menor intervalo de raciocínio normal me teria sido demasiado amargo. Eis a paz que desfrutei. Qualquer outra me parece uma fábula ou um sonho. Eis os bens que lamento.

Assim falando, o babilônio chorava como um homem pusilânime que se deixou debilitar pelas comodidades, não se tendo jamais acostumado a suportar a desgraça. Tinha ao seu lado alguns escravos que fizeram morrer nas honras dos seus funerais. Mercúrio os havia entregue a Caronte com o seu rei, dando-lhes um poder absoluto sobre esse rei que haviam servido na Terra.

Essas sombras de escravos não temiam mais a sombra de Nabofarzan, mas a mantinham acorrentada e a submetiam às mais cruéis humilhações. Uma lhe dizia: — Nós também não éramos homens, tanto como tu?

Como pudeste ser tão insensato para te considerar como um deus, não te lembrando que pertencias à mesma raça dos homens? — Uma outra o insultava dizendo: — Tinhas razão de não querer que te considerassem como um homem, porque eras um monstro sem humanidade. — Outra lhe falava assim: — Muito bem! Onde estão agora os teus aduladores? Não tens mais nada a dar, infeliz! E não podes mais fazer nenhum mal; eis que te tornaste escravo dos teus próprios escravos; os deuses demoram a fazer justiça, mas por fim a fazem.

A essas duras palavras Nabofarzan se atirava com o rosto na terra, arrancando os cabelos numa explosão de raiva e desespero. Mas Caronte dizia aos escravos: — Puxai-o pela corrente, erguei-o mesmo que ele não queira, pois ele não terá nem mesmo a consolação de ocultar a própria vergonha. É necessário que todas as sombras do Estinge o testemunhem para justificar os deuses, que tão longamente suportaram o reinado desse ímpio na Terra.

Logo ele percebeu, bem próximo dele, o Tártaro negro. Subia deste uma fumaça escura e espessa, cujo odor empestado causaria a morte se ela se expandisse pela região dos vivos. Essa fumaça cobria um rio de fogo com turbilhões de chamas, e o seu ruído, semelhante ao das mais impetuosas correntes, quando se lançam dos mais altos rochedos ao fundo dos abismos, fazia que não se pudesse ouvir com clareza nesses tristes lugares.

Telêmaco, secretamente influenciado por Minerva, entrou sem temor nesse báratro. Percebeu de início um grande número de homens que haviam vivido nas mais baixas condições e que eram punidos por haverem buscado as riquezas por meio de fraudes, de traições e de crueldades. Notou ali muitos ímpios e hipócritas que fingindo amar a religião, dela se haviam servido como um bom pretexto para satisfazer as suas ambições, aproveitando-se da credulidade alheia. Esses homens que haviam abusado da própria virtude, embora sendo ela o mais valioso dom dos deuses, eram punidos como os piores entre os celerados.

Os filhos que haviam matado pais e mães, as esposas que haviam manchado suas mãos no sangue dos próprios maridos, os traidores que haviam entregue a pátria violando todos os juramentos sofriam penas menos cruéis do que esses hipócritas. Os três juízes dos infernos assim determinaram, e eis as suas razões: esses hipócritas, não se contentando de ser maus como os demais ímpios, querem ainda passar por bons e fazem por sua falsa virtude que os homens não mais queiram acreditar na virtude verdadeira. Os deuses, dos quais eles se serviram, tornando-os desprezíveis para os homens, sentem prazer ao empregar todo o seu poder para vingar-se dos seus insultos.

Ao lado desses estavam outros homens que o vulgo não considera culpados, mas que a vingança divina persegue impiedosamente. São os ingratos, os mentirosos, os vaidosos que se louvaram no vício, os críticos maliciosos que não temeram manchar a mais pura virtude. Por fim, os que julgaram temerariamente sem conhecer as coisas a fundo, com isso prejudicando a reputação dos inocentes.

sábado, 22 de março de 2014

O Livro dos Espíritos: INTRODUÇÃO/XI – Grandes e Pequenos


É estranho, acrescentam, que só falem de Espíritos de personalidades conhecidas. E perguntam porque motivo só estes se manifestam. É um erro proveniente, como muitos outros, de observação superficial. Entre os Espíritos que se manifestam espontaneamente há maior número de desconhecidos do que de ilustres. Eles se designam por qualquer nome, muitas vezes por nomes alegóricos ou característicos. Quanto aos evocados, desde que não se trate de parentes ou amigos, é muito natural que sejam de preferência os conhecidos. Os nomes de personalidades ilustres chamam mais a atenção por serem mais destacados.

Acham ainda estranho que os Espíritos de homens eminentes atendam familiarmente ao nosso apelo, ocupando-se às vezes de coisas insignificantes em comparação com as de que se ocupavam durante a vida. Isso nada tem de estranho para os que sabem que, o poder ou a consideração de que esses homens gozavam no mundo, não lhes dá nenhuma supremacia no mundo espírita. Os Espíritos confirmam com isso as palavras do Evangelho: os grandes serão humilhados e os pequenos serão exaltados, que devem ser entendidas em relação à categoria que cada um de nós ocupará entre eles. É assim que aquele que foi o primeiro na Terra poderá encontrar-se entre os últimos; aquele que nos faz curvar a cabeça nesta vida pode voltar como o mais humilde artesão, porque ao deixar a vida perdeu toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez lá se encontre abaixo do último dos seus soldados.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Livro dos Espíritos: Cap. 6 – VIDA ESPÍRITA/VIII – Lembranças da Existência Corpórea


304. O Espírito se lembra da sua existência corpórea?

— Sim, tendo vivido muitas vezes como homem, recorda-se do que foi. E te asseguro que, por vezes, ri-se de piedade de si mesmo.

Comentário de Kardec: Como o homem que, atingindo a idade da razão, ri das suas loucuras da juventude ou das puerilidades da sua infância.

305. A lembrança da existência corpórea se apresenta ao Espírito de maneira completa e inopinada, após a morte?

— Não; mas pouco a pouco, como alguma coisa que sai do nevoeiro, e à medida que nela vai fixando a sua atenção.

306. O Espírito se lembra detalhadamente de todos os acontecimentos de sua vida, abrangendo o conjunto num golpe de vista retrospectivo?

— Lembra-se das coisas na razão das conseqüências que acarretam para a sua situação de Espírito. Mas compreende que há circunstâncias às quais ele não atribui nenhuma importância e que nem mesmo procura recordar.

306 – a) Poderia lembrá-las, se o quisesse?

— Pode lembrar-se dos detalhes e dos incidentes mais minuciosos, sejamde acontecimentos, sejam mesmo de seus pensamentos. Mas quando isso nãotem utilidade, ele não o faz.

306 – b) Entrevê a finalidade da vida terrestre, com relação à vida futura?

— Seguramente que a vê e compreende muito melhor do que quando vivia no corpo. Compreende a necessidade de purificação para chegar ao infinito, e sabe que a cada existência se livra de algumas impurezas.

307. De que maneira a vida passada se desenrola na memória do Espírito? Por um esforço da sua imaginação ou como um quadro que ele tenha ante os olhos?

— De uma e outra forma. Todos os atos que tenham interesse para a sua lembrança são para ele como se estivessem presentes; os outros ficam mais ou menos no fundo da memória, ou completamente esquecidos. Quanto mais desmaterializado estiver, menos importância atribui às coisas materiais. Fazes muitas vezes a evocação de um Espírito errante, que acabou de deixar a Terra e não se lembra dos nomes das pessoas que amava, nem dos detalhes que para ti parecem importantes: é que pouco lhe interessam e caem noesquecimento. Aquilo de que ele se lembra muito bem são os fatos principais,que o ajudam a se melhorar.

308. O Espírito se lembra de todas as existências que precederam a que acabou de deixar?

— Todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas de um caminho que o viajante percorreu. Mas. como já dissemos, ele não se lembra de uma maneira absoluta de todos os atos, recordando-os apenas na razão da influência que tenham sobre o seu estado presente. Quanto às primeirasexistências, as que se podem considerar como a infância do Espírito, perdem-se no vago e desaparecem na noite do esquecimento.

309. Como o Espírito considera o corpo que acabou de deixar?

— Como uma veste imprópria, que o incomodava e da qual se sente feliz por se ter desembaraçado.

309 – a) Que sentimento experimenta à vista do seu corpo em decomposição?

— Quase sempre o de indiferença, como por uma coisa a que não dá mais importância.

310. Ao fim de um certo lapso de tempo, o Espírito reconhece os ossos ou outras coisas que lhe tenham pertencido?

— Algumas vezes. Isso depende da maneira mais ou menos elevada pela qual considere as coisas terrestres.

311. O respeito que se tem pelas coisas materiais que os Espíritos deixaram atrai a sua atenção para esses objetos e eles consideram esse respeito com prazer?

— O Espírito se sente sempre feliz de ser lembrado. As coisas que deleconservamos avivam em nós a sua lembrança, mas é o pensamento o que oatrai para vós e não os objetos.

312. Os Espíritos conservam a lembrança dos sofrimentos que suportaram durante sua última existência corpórea?

— Freqüentemente a conservam, e essa lembrança os faz melhor avaliar a felicidade que podem desfrutar como Espíritos.

313. O homem que foi feliz neste mundo lastima os gozos que perdeu ao deixar a Terra?

— Somente os Espíritos inferiores podem lastimar os gozos que correspondem à impureza de sua natureza, e que eles expiam pelo sofrimento.Para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aosprazeres efêmeros da Terra.

314. Aquele que iniciou grandes trabalhos com uma finalidade útil e que os vê interrompidos pela morte lamenta tê-los deixado por acabar?

— Não, porque vê que os outros estão destinados a concluí-los. Aocontrário, trata de influenciar outros Espíritos humanos a continuá-los. Seuobjetivo, na Terra, era o bem da Humanidade; esse objetivo é o mesmo, nomundo dos Espíritos.

315. Aquele que deixou trabalhos de arte ou de literatura conserva pelas suas obras o amor que tinha durante a vida?

— Segundo sua elevação, julga-as de outra maneira e freqüentemente reprova o que mais admirava.

316. O Espírito se interessa ainda pêlos trabalhos que se fazem na Terra, pelo progresso das artes e das ciências?

— Isso depende de sua elevação ou da missão que possa ter a cumprir.Aquilo que vos parece magnífico é freqüentemente bem pouca coisa para certos Espíritos, que o admiram como o sábio admira a obra de um escolar. Eles examinam o que pode provar a elevação dos Espíritos encarnados e seus progressos.

317. Os Espíritos conservam, depois da morte, o amor da pátria?

— E sempre o mesmo princípio: para os Espíritos elevados, a pátria é ouniverso; na Terra, é aquela em que possuem maior número de pessoassimpáticas.

Comentário de Kardec: A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, na razão do grau de seu desenvolvimento moral e intelectual. Os Espíritos de uma ordem elevada geralmente fazem, na Terra, estações de curta duração. Tudo quanto aqui se faz é assaz mesquinho em comparação com as grandezas do infinito; as coisas a que os homens atribuem a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que eles encontram poucos atrativos neste mundo, a menos que tenham sido chamados a fim de concorrer para o progresso da Humanidade. Os Espíritos de uma ordem intermédia passam mais freqüentemente por aqui. embora considerem as coisas de maneira mais elevada do que durante a encarnação. Os Espíritos vulgares são de alguma forma os que aqui permanecem, constituindo a massa da população ambiente do mundo invisível. Conservam, com pouca diferença, as mesmas idéias, os mesmos gostos e as mesmas tendências que tinham no seu envoltório corporal. Intrometem-se nas nossas reuniões, nos nossos negócios, nas nossas diversões, tomando parte mais ou menos ativa, segundo o seu caráter. Não podendo satisfazer as suas paixões, gozam com os que a elas se entregam, e as excitam nessas pessoas(1). Encontramos entre eles alguns mais sérios, que vêem e observam, para se instruir e aperfeiçoar.

318. As idéias dos Espíritos se modificam na vida de espírito?

— Muito; sofrem modificações muito grandes, à medida que o Espírito se desmaterializa. Ele pode, às vezes, permanecer muito tempo com as mesmasidéias, mas pouco a pouco a influência da matéria diminui e ele vê as coisas mais claramente. É então que procura os meios de se melhorar.

319. Desde que o Espírito já viveu a vida espírita antes da sua encarnação, de onde vem o seu espanto, ao reentrar no mundo dos Espíritos?

— Esse é apenas o efeito do primeiro momento e da perturbação que se segue ao despertar. Mais tarde ele reconhece perfeitamente o seu estado, àmedida que lhe volta a lembrança do passado e que se desfaz a impressão da vida terrestre. (Ver item 163 e seguintes.)


(1) Obsessões para os vícios, de que dão prova os tratamentos espíritas em Hospitais e nos Centros. O grifo é nosso. (N. do T.)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Emergência Espiritual


"Se há um caminho para o Melhor,
ele exige um olhar demorado sobre o Pior."
Thomas Hardy

Emergência vem do latim emergere que significa fazer subir à superfície, vir para fora. Em seu livro "A Tempestuosa Busca do Ser", Stanislav Grof e Cristina Grof relatam a emergência espiritual que eles viveram e que através das suas experiências passaram a ajudar pessoas que estavam nesse mesmo processo.

"As Emergências espirituais podem ser definidas como estágios críticos e experimentalmente difíceis de uma transformação psicológica profunda que envolve todo o ser da pessoa. Tomam a forma de estados incomuns de consciência e envolvem emoções intensas, visões e outras alterações sensoriais, pensamentos incomuns, assim como várias manifestações físicas. Esses episódios que normalmente giram em torno de assuntos espirituais, incluem seqüências de morte e renascimento psicológico, experiências que parecem memórias de vidas passadas, sensações de união com o universo, encontro com diversos seres mitológicos e outros temas semelhantes".

O que é que detona a emergência espiritual ou crise de transformação?

Qualquer coisa pode detonar esse processo, mas as situações mais freqüentes são: uma operação, esforços físico e intelectual extremos, falta prolongada de sono, nas mulheres (nascimento de um filho, um aborto acidental ou não), doença de um filho, final de um caso amoroso, casamento, divórcio, perda de um filho, dos pais, esposa (o), quebra financeira inesperada, perda de um cargo importante, muitos fracassos na vida, experiência com drogas. Esses eventos detonadores levam muitas pessoas a sofrimentos tão profundos que a transformação interior passa a ser condição primeira em suas vidas. Elas precisam encontrar algum equilíbrio entre os seus processos consciente e inconsciente que não conseguem entender e nesse momento surge um despertar espiritual.

Um dos detonadores mais importantes e que leva a crises de transformação interior é o envolvimento profundo com várias práticas espirituais: meditação, ioga, exercícios sufistas, abertura da mediunidade, orações intensas, etc. Na realidade a emergência espiritual é um processo complexo de evolução que leva o ser a uma aceleração em busca de uma vida mais madura, equilibrada e saudável. É um anseio por Deus.

John Weir Perry, analista junguiano observa que "o espírito está constantemente lutando para libertar-se de sua prisão na rotina ou em estruturas mentais convencionais. O trabalho espiritual é a tentativa de liberar essa energia dinâmica, que precisa parar de ser abafada por velhas formas (...). Durante o processo de desenvolvimento de uma pessoa, se esse trabalho de libertação do espírito se torna absolutamente necessário mas não é realizado voluntariamente, com conhecimento do objetivo e uma dose considerável de esforço, a psique então se habilita a assumir o controle e subjugar a personalidade consciente.(...) Em vez de tolerar a estagnação, a psique pode na verdade gerar crises para forçar o desenvolvimento."

Muitas vezes o processo do despertar espiritual é sutil e gradual, a pessoa vai entrando nele sem perceber. Com o passar dos anos ao olhar para trás, nota o quanto mudou e se transformou e isso é devido à sua aceitação do processo de mudança, observando tudo como oportunidade e aprendizado. Acontece também desse processo sofrer uma aceleração, principalmente se o seu despertar espiritual não é aceito de forma consciente, então surge a crise e se transforma em emergência espiritual, as crenças são abaladas, surgem questionamentos sobre o seu jeito de ser, o seu relacionamento com o mundo externo se modifica, a sua realidade pessoal é abalada. Na realidade o seu espírito quer ir além e com isso o força a um mergulho mais profundo dentro de si mesmo, e nesse processo pode surgir a depressão, síndrome do pânico e outros desequilíbrios que são vistos pela psiquiatria como patológicos, mas que, na verdade, fazem parte de um processo de transformação que tratadas, adequadamente, tendem a desaparecer.

Quanto mais a pessoa colocar resistência a mudança, quanto mais se apegar a um tipo de vida que tem de ser mudado, mais ela sofrerá. Quanto mais quiser controlar e rejeitar o processo, mais difícil ele será, podendo surgir uma luta interna muito intensa devido ao medo de tudo aquilo que está sofrendo e que não entende. A crise se caracteriza, porque a pessoa está colocando resistência ao processo por medo, então nesse momento uma psicoterapia adequada é fundamental. Às vezes também a crise se caracteriza e perpetua por longo tempo porque a pessoa não encontra o seu caminho espiritual adequado e muitas vezes se perde numa busca externa, quando na realidade é interna e não faz a transformação do eu inferior que é tudo que ela precisa fazer.

Na realidade estamos nesse mundo num processo de evolução, de volta para Deus, mas infelizmente nos perdemos na matéria, achando que somos somente um corpo e então passamos a viver em busca de satisfazer os desejos desse corpo. Mas conforme a programação cármica de uma pessoa, é possível que ela já tenha entrado num estágio de volta para Deus mais consciente e então detonadores externos surgirão para despertá-la para isso e esse despertar vai ser fácil ou não, dependendo da resistência que colocar no processo. A resistência acontece por conta dos nossos apegos materiais no qual estamos presos por conta de crenças distorcidas que teremos que transformar e isso geralmente se torna difícil sem uma ajuda adequada. Os porões do inconsciente estão se abrindo e o que está reprimido quer ser liberado para a consciência.

Nesse processo muitas vezes surge um sentimento de solidão profundo e a sensação de que ninguém será capaz de nos entender. Sensações de desespero, angústia, visões, vidas passadas podem emergir espontaneamente. Desespero, porque não quer mais sofrer e não sabe o que fazer para sair daquele sofrimento, vontade de morrer, depressão, medo de enlouquecer. A pessoa está confusa com tantos sentimentos ou experiências estranhas, mas ela está plenamente consciente de que o processo é interno, da sua própria psique, e pronta a aceitar conselhos e ajuda.

Embora haja exceções, a psiquiatria e a psicologia tradicionais normalmente não fazem distinção entre o misticismo, uma abertura espiritual e a psicopatologia.

Esse processo de morte e renascimento psicológico é difícil e sofrido para as pessoas que o estão vivenciando, mas é imprescindível para a sua evolução. Não há como viver a Unificação com o Divino que está dentro de nós, sem nos libertarmos desse eu inferior negativo que são os nossos medos, desejos, apegos, agressividades, raivas, culpas, vaidade, orgulho, egoísmo... que estão no nosso subconsciente e que O encobre. Transformar todo o nosso lado sombra é a nossa obrigação evolutiva.

O nosso pensamento é velho, pois foi formado ao longo de todas as nossas experiências passadas, somos o que pensamos, ou seja, somos todas as nossas crenças e agimos conforme elas, infelizmente, na sua maioria são distorcidas e rígidas nos levando a uma vida limitada e sofrida. Entender o porquê e como as criamos e transformá-las é fundamental para que o crescimento do eu possa ocorrer.

Susan Thesenga em seu livro "O Eu sem Defesa" observa: "nossa experiência de vida é um reflexo exato da pessoa que somos por dentro. Sempre que a vida mostrar algum aspecto restritivo e insatisfatório, é preciso ir mais fundo na exploração do território interior, para revelar onde ficou bloqueada a possibilidade de uma vivência mais rica. Cada vez que ampliamos o território interior, a vida exterior também se amplia." Portanto, se a sua vida é limitada e sofrida não culpe o mundo, as pessoas, a família ou Deus, a resposta está dentro de você. Mude o seu eu interior que o seu mundo exterior mudará.

Segundo Sri Aurobindo, em seu livro "Uma Psicologia Maior" afirma "A Inconsciência é uma imagem invertida da superconsciência suprema: tem o mesmo caráter absoluto de ser e a mesma ação automática, mas permanece mergulhada num profundo transe involutivo; é o ser perdido em si mesmo, afundado no abismo da própria infinitude. Em vez de um repouso luminoso na Existência absoluta, há um escondimento tenebroso nessa mesma existência, as trevas veladas pelas trevas de que fala o Rig Veda, tama âsît tamasâ gûdham, que dão à Existência o aspecto de Não-Existência; em vez de uma luminosa autoconsciência intrínseca, há uma consciência mergulhada num abismo de auto-esquecimento, consciência essa que, embora seja intrínseca ao ser, não está desperta no ser."

"O subconsciente é a antecâmara do Inconsciente e posta-se entre este e a mente, a vida e o corpo conscientes."

"No subconsciente existe uma mente obscura, repleta de samskaras obstinados, de impressões, associações, noções fixas e reações habituais formadas pelo passado; existe uma vitalidade obscura, cheia de sementes de desejos, sensações e reações nervosas habituais; há uma materialidade obscura que rege e determina em grande medida o estado do corpo. Com efeito, é essa materialidade obscura uma das principais responsáveis pelas doenças; as doenças crônicas ou que se repetem com freqüência são devidas principalmente ao subconsciente, à sua memória obstinada e ao seu hábito de repetir tudo o que uma vez se imprimiu na consciência corpórea... Todas as coisas que são objeto de consciência entram no subconsciente, não na qualidade de lembranças precisas e temporariamente perdidas, mas na qualidade de impressões obscuras e obstinadas, que podem surgir a qualquer momento sob a forma de sonhos, de repetições mecânicas de pensamentos, sentimentos e ações do passado, de "complexos" manifestados em ações e acontecimentos, etc. O subconsciente é o principal responsável pelo fato de as coisas sempre se repetirem e de nada mudar, exceto na aparência."

A psicoterapia transpessoal surge como mais uma ferramenta para o alcance desse estágio sublime de evolução. É necessário que "morra" um estado antigo de viver, para que um novo eu possa surgir. Isto é conhecido como a morte do ego, que nada mais é do que a morte das estruturas de uma personalidade antiga na sua relação com o mundo, de forma que o surgimento de uma existência livre e feliz possa ocorrer. A morte do ego pode acontecer gradativamente e inclusive ao longo de várias encarnações, ou pode ocorrer de repente, conforme a intensidade colocada e a Graça de Deus. Tudo tenderá a desmoronar na sua vida, a fim de que novo eu possa surgir.

Uma vez que o processo de transformação é acionado, não parará até que tenha terminado o seu curso, ele é contínuo até que termine e pode levar de alguns meses a vários anos.

Abaixo algumas das principais formas de Emergência Espiritual que Grof cita:

Episódios de Consciência Unificadora

(Experiência de Pico denominado por Maslow) e na literatura indiana Samadhi (Consciência Cósmica). Esta é uma experiência mística que se caracteriza pela dissolução dos limites pessoais e pela sensação de união cósmica, união com todas as pessoas e com Deus. A pessoa vive uma transcendência do tempo e do espaço e uma emoção positiva indescritível. A partir dessa experiência, a vida da pessoa nunca mais será a mesma, mas plena de paz e amor. A literatura indiana está cheia de casos como esse, mas para um ocidental comum que desconhece a possibilidade de tal experiência mística, ele pode questionar sua sanidade mental e colocar resistência ao processo. Grof cita que muitas pessoas durante uma experiência mística foram mandadas para psiquiatras e tiveram sua experiência interrompida por conta de medicamentos e rotulados de pacientes psiquiátricos por toda a vida.

O Despertar da Kundalini

Também é uma experiência mística, é o despertar de uma forma de energia sutil, "o poder da serpente ou Kundalini" e que no corpo humano reside na base da espinha do corpo sutil, representada em forma de serpente, ela ao ser despertada sobe através da espinha no corpo sutil e abre os 7 chacras. Ao chegar ao sétimo, que é o da coroa, a pessoa vivencia o Samadhi ou a união com Deus. Quando essa energia é despertada através da prática de meditação intensa e com a intervenção e acompanhamento de um mestre espiritual de alto nível ou Guru, tudo irá bem e a pessoa vivenciará o samadhi ou não, mas estará protegida do perigo de uma experiência desse nível. Pode acontecer do despertar ser espontâneo, por acaso, através de drogas químicas, uma forte tensão intelectual, exercícios físicos intensos e outros e então surgir dramáticas manifestações físicas e psicológicas chamadas Kriyas e a pessoa sofrer intensas sensações de calor e energia subindo pela espinha, espasmos, tremores violentos, riso e choro involuntário, visões, luzes brilhantes, visões de santos, divindades, demônios, símbolos diversos... As manifestações emocionais vão desde o êxtase, estados de paz até ondas de depressão, ansiedade, angústia, medo de perder o controle, de morrer e de enlouquecer.

Embora essa experiência seja difícil e intensa, é de grande poder de cura e a partir daí a vida dessa pessoa não será a mesma, algo de divino penetrou nela e a busca espiritual se intensificará. Osho, no seu livro "Meditação", diz "que a pessoa teve um vislumbre da Iluminação", que ele chama de Satori. É um relance de Samadhi, segundo ele, e que vai ficar na pessoa como uma memória. Essa lembrança é que a impulsionará em busca da completa Iluminação, desde que não se apegue a ela. Afirma também "que algumas pessoas podem achar que Satori é o definitivo e ficarem presas nele, mas é um vislumbre. Satori é a promessa de que algo maior é possível para você. "O problema é que o despertar da Kundalini pode simular problemas psiquiátricos e médicos e todo um processo de transformação e cura serem rotulados de patológicos.

Experiências próximas à morte

As experiências de pessoas que chegaram próximas à morte parecem seguir um padrão conforme a literatura internacional e nacional: elas relatam terem em frações de segundos revisto toda a sua vida, a consciência se separa do corpo, se vêem muitas vezes flutuando acima da cena do acidente ou operação; várias passam por um túnel escuro em direção a uma fonte de luz de radiação e brilho inimaginável, e outras experiências mais são relatadas. Essas experiências podem ser poderosos catalisadores do despertar espiritual e da evolução da consciência, geralmente essa mudança é abrupta, mexendo com a parte psicológica de pessoas que estão totalmente despreparadas para esse fato.

Emersão de "memórias de vidas passadas"

As memórias de vidas passadas ou experiências cármicas, que se sustentam na crença da reencarnação e na lei do Karma, é um fenômeno psicológico de grande potencial de cura e transformação. Normalmente não nos lembramos das nossas encarnações anteriores, mas pode acontecer de lembranças de vidas passadas emergirem na consciência de forma espontânea, e isso pode ter um impacto profundo na psique e causar conflitos emocionais indicando também o início de uma emergência espiritual. Quando isso acontece, a procura de um profissional da área é fundamental.

O despertar da percepção extra-sensorial (abertura psíquica)

Muitas tradições espirituais e escolas místicas observam as habilidades paranormais como uma fase natural, porém, perigosa do desenvolvimento da consciência e são detonadores de uma emergência espiritual que podem se transformar em crise se não tiverem a assistência adequada. As manifestações de abertura psíquica são várias: experiências fora do corpo (são capazes de observar a si mesmas ou "viajar" para vários locais e saber o que está acontecendo), telepatia, psicofonia, clarividência, clariaudiência, comunicação com espíritos guias, canalização... Estes acontecimentos quando surgem inesperadamente na vida de pessoas que desconhecem isso, ou mesmo conhecendo, podem ser profundamente pertubadores e assustadores, já que as antigas bases de segurança são destruídas e isso gera muita angústia, além do pavor que as pessoas sentem por não entenderem o que está acontecendo com elas; ou pode acontecer o contrário: a pessoa ficar fascinada pelo fenômenos psíquicos e interpretar esses eventos como uma superioridade própria ou um chamado especial e cair no engrandecimento do ego e também ser desastroso para ela.

Experiências de encontros pessoais com OVNIs

Os relatos de pessoas que têm tido experiências com objetos voadores não identificados é impressionante, vão desde seqüestros até interações com eles, visões diurnas e noturnas de espaçonaves, etc. Grof diz "que as experiências de tais encontros têm uma importante dimensão psicológica e espiritual. Podem freqüentemente precipitar sérias crises emocionais e intelectuais que têm muito em comum com as emergências espirituais. C. G. Jung considerava esse fenômeno tão importante que fez disso um ensaio especial intitulado: "Flying Saucers: A modern myth of things seen in the skies", baseado em uma cuidadosa análise histórica das "lendas" sobre discos voadores e aparições verdadeiras que causaram ocasionalmente histeria de massa. Jung chegou à conclusão de que os fenômenos de OVNIs poderiam ser visões arquetípicas oriundas do inconsciente coletivo mais do que espaçonaves terrestres. Outros pesquisadores salientaram a similaridade dessas experiências com outros estados transpessoais e enfatizaram seu potencial de transformação. Quer essas experiências se originem em verdadeiros contatos com extraterrestres , quer dentro da psique, elas compartilham de várias características de estados transpessoais em geral e de certas formas de emergência espiritual em particular. Essas experiências ufológicas podem detonar sérias crises emocionais, intelectuais e espirituais. Pessoas entram em contato com dimensões de realidade que estão fora da percepção humana ordinária e são profundamente transformados por essas experiências.

Estados de Possessão

É uma crise psico-espiritual caracterizada por uma sensação terrível de que o seu corpo foi invadido e está sendo controlado por entidade ou energia estranha que tem características pessoais hostil e malévola; é algo que vem de fora e não pertence a sua personalidade. Isso pode se manifestar de várias formas e intensidade. Grof cita que "esses estados podem ser a força condutora por trás de uma séria psicopatologia, tal como várias formas de comportamentos anti-sociais e até criminosos, depresssão suicida, agressão assassina ou tendências autodestrutivas, impulsos sexuais promíscuos e fora dos padrões normais ou o consumo excessivo de drogas e álcool. No entanto, há razões mais importantes pelas quais o estado de possessão deveria ser considerado uma emergência espiritual. O arquétipo demoníaco que causa isso existe por sua própria natureza transpessoal, e representa um contraponto ao Divino - o que é necessário - sendo a sua imagem polar do espelho oposta ou negativa. Isso funciona também como uma tela escondendo o acesso ao Divino, como um guardião aterrorizante que figura nos portões de entrada dos templos orientais. Quando é dada a pessoa uma oportunidade para enfrentar e expressar a energia que a perturba, em um cenário de apoio e compreensão, em geral o resultado é uma experiência espiritual profunda e positiva, com um extraordinário potencial de cura e transformação. "O ideal de tratamento para esse tipo de emergência é um sério tratamento espiritual e uma psicoterapia experiencial para que sua mente subconsciente seja ativada.

As drogas e o álcool

Para muitos autores a dependência do álcool e das drogas são formas de emergência espiritual. "A jornada do viciado até o "fundo do poço" e depois até a recuperação é, em geral um processo de morte e renascimento do ego". No fundo está o desejo ardente de encontrar Deus.

"Devido a minha própria busca espiritual, a minha profissão e por ser reencarnacionista, não tenho dúvidas de que os nossos conflitos emocionais de todas as ordens (medos, raivas, culpas, fobias, pânicos...) são devidos aos nossos conteúdos cármicos mal resolvidos de vidas passadas que tendemos a repetir e que se encontram no nosso subconsciente. Esse eu inferior ao ser trazido à tona através da TVP e Renascimento, que são as técnicas transpessoais com as quais trabalho, traz explicações para as questões incompreensíveis da vida das pessoas. Elas encontram respostas para a série de dificuldades, conflitos e limitações em que se encontram, e surgem então o alívio e a eliminação completa dos sintomas. Relações familiares conflitantes são resolvidas ao serem entendidos e transformados os conteúdos cármicos entre os respectivos membros e que tendem a repetir como um impulso cego e compulsivo. Acredito que a emergência espiritual surge quando a alma, cansada de sofrer e repetir padrões emocionais conflitantes, cria em sua psique crises para forçar o desenvolvimento e acaba encontrando Deus que, no fundo, era o que buscava."

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Capítulo V – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS/VI – Os Tormentos Voluntários



FÉNELON
Lyon, 1860

23 – O homem está incessantemente à procura da felicidade, que lhe escapa a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto, apesar das vicissitudes que formam o inevitável cortejo desta vida, dele poderia pelo menos gozar de uma felicidade relativa. Ma ele a procura nas coisas perecíveis, sujeitas às mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecíveis alegrias celestes. Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira neste mundo, ele procura com avidez tudo o que pode agitá-lo e perturbá-lo. E, coisa curiosa, parece criar de propósito os tormentos, que só a ele cabia evitar.

Haverá maiores tormentos que os causados pela inveja e o ciúme? Para o invejoso e o ciumento não existe repouso: sofrem ambos de uma febre incessante. As posses alheias lhes causam insônias; os sucessos dos rivais lhes provocam vertigens; seu único interesse é o de eclipsar os outros; toda a sua alegria consiste em provocar, nos insensatos como eles, a cólera do ciúme. Pobres insensatos, com efeito, que não se lembram de que, talvez amanhã, tenham de deixar todas as futilidades, cuja cobiça lhes envenena a vida! Não é a eles que se aplicam estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”, pois os seus cuidados não têm compensação no céu.

Quantos tormentos, pelo contrário, consegue evitar aquele que sabe contentar-se com o que possui, que vê sem inveja o que não lhe pertence, que não procura parecer mais do que é! Está sempre rico, pois, se olha para baixo, em vez de olhar para cima de si mesmo, vê sempre os que possuem menos do que ele. Está sempre calmo, porque não inventa necessidades absurdas, e a calma em meio das tormentas da vida não será uma felicidade?

sexta-feira, 7 de março de 2014

O Livro dos Espíritos: Cap. 6 – VIDA ESPÍRITA/VII – Relações Simpáticas e Antipáticas dos Espíritos – Metades Eternas



291. Além da simpatia geral, determinada pelas semelhanças, há afeições particulares entre os Espíritos?

— Sim, como entre os homens. Mas o liame que une os Espíritos é maisforte na ausência do corpo, porque não está mais exposto às vicissitudes daspaixões.

292. Há aversões entre os Espíritos?

— Não há aversões senão entre os Espíritos impuros, e são estes queexcitam entre vós as inimizades e as dissensões.

293. Dois seres que foram inimigos na Terra conservarão os seus ressentimentos no mundo dos Espíritos?

— Não; compreenderão que sua dissensão era estúpida e o motivo, pueril. Apenas os Espíritos imperfeitos conservam uma espécie de animosidade, até que se purifiquem. Se não foi senão um interesse material o que os separou, não pensarão mais nele por pouco desmaterializados que estejam. Se não houver antipatia entre eles, o motivo da dissensão não mais existindo, podem rever-se com prazer.

Comentário de Kardec: Da mesma maneira que dois escolares, chegando à idade da razão, reconhecem a puerilidade de suas brigas infantis e deixam de se malquerer.

294. A lembrança das más ações que dois homens cometeram, um contra o outro, é obstáculo à sua simpatia?

— Sim, ela os leva a se distanciarem.

295. Que sentimento experimentam, após a morte, aqueles a quem fizemos mal neste mundo?

— Se são bons, perdoam, de acordo com o vosso arrependimento. Se são maus, podem conservar o ressentimento, e por vezes vos perseguir até numa outra existência. Deus pode permiti-lo, como um castigo.

296. As afeições dos Espíritos são suscetíveis de alteração?

— Não, porque eles não podem enganar-se, não usam mais a máscara sob a qual se ocultam os hipócritas, e é por isso que as suas afeições são inalteráveis, quando eles são puros. O amor que os une é para eles fonte deu ma suprema felicidade.

297. A afeição que dois seres mantiveram na Terra prossegue sempre no mundo dos Espíritos?

— Sim, sem dúvida, se ela se baseia numa verdadeira simpatia: mas se as causas de ordem física tiverem maior influência que a simpatia, ela cessa com as causas. As afeições, entre os Espíritos, são mais sólidas e mais duráveis que na Terra, porque não estão subordinadas ao capricho dos interesses materiais e do amor-próprio.

298. As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua metade, à qual algum dia se unirá fatalmente?

— Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta felicidade completa.

299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

—A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, quando separado estaria incompleto.

300. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos quando reunidos ficarão assim pela eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos?

— Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo dos que já atingiram aperfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia pêlos que deixou.

301. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?

— A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeitaconcordância de suas tendências, de seus instintos; se um. devesse completaro outro, perderia a sua individualidade.

302. A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?

— Na igualdade dos graus de elevação.

303. Os Espíritos que hoje não são simpáticos podem sê-lo mais tarde?

— Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está numa determinada esfera inferior, quando se. aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro. Seu encontro se realizará mais prontamente se o Espírito mais elevado,suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmoestado.

303 – a) Dois Espíritos simpáticos podem deixar de sê-lo?

— Certamente, se um deles é preguiçoso.

Comentário de Kardec: A teoria das metades eternas é uma imagem que representa a união de dois Espíritos simpáticos. E uma expressão usada até mesmo na linguagem vulgar e que não deve ser tomada ao pé da letra. Os Espíritos que dela se servem não pertencem à ordem mais elevada. A esfera de suas idéias é necessariamente limitada, e exprimiram o seu pensamento pelos termos de que se teriam servido na vida corpórea É necessário rejeitar esta idéia de que dois Espíritos, criados um para o outro devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade, após terem permanecido separados durante um lapso de tempo mais ou menos longo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Hoje, quinta-feira, é dia de A.E. - Atendimento Espiritual (ou Assistência Espiritual)

Foto: Bom dia a todos!

Hoje, quinta-feira, é dia de A.E. - Atendimento Espiritual (ou Assistência Espiritual). 

Indicado para aqueles(as) que desejam ajuda para sua reforma íntima. 

É um estudo sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo. Cada quinta-feira é abordado um tema e debatido em grupos. 

Este "estudo" ajuda você a melhorar suas atitudes, seus pensamentos... Gradativamente! Logo depois, há a sessão de passes e distribuição de água fluidificada.

Dedicação, disciplina, muita vontade de melhorar, leitura, evangelho no lar, atitudes nobres, são algumas condutas que ajudam bastante no progresso espiritual. E é nisso que consiste este atendimento.

EXPLICAREMOS MELHOR, PESSOALMENTE.

Esta assistência acontece SOMENTE às quintas-feiras de 19:30h às 20:30h, mas É IMPORTANTE CHEGAR ANTES DE 19H para preenchimento de ficha e informações necessárias.

Quem desejar é só aparecer  e tiraremos mais dúvidas. 

(Atenção aos horários!)

LEMBRANDO QUE, NORMALMENTE, ÀS QUINTAS-FEIRAS NÃO HÁ PALESTRA. 

(foto copiada da internet)
Bom dia a todos!

Hoje, quinta-feira, é dia de A.E. - Atendimento Espiritual (ou Assistência Espiritual). 

Indicado para aqueles(as) que desejam ajuda para sua reforma íntima. 

É um estudo sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo. Cada quinta-feira é abordado um tema e debatido em grupos. 

Este "estudo" ajuda você a melhorar suas atitudes, seus pensamentos... Gradativamente! Logo depois, há a sessão de passes e distribuição de água fluidificada.

Dedicação, disciplina, muita vontade de melhorar, leitura, evangelho no lar, atitudes nobres, são algumas condutas que ajudam bastante no progresso espiritual. E é nisso que consiste este atendimento.

EXPLICAREMOS MELHOR, PESSOALMENTE.

Esta assistência acontece SOMENTE às quintas-feiras de 19:30h às 20:30h, mas É IMPORTANTE CHEGAR ANTES DE 19H para preenchimento de ficha e informações necessárias.

Quem desejar é só aparecer e tiraremos mais dúvidas.

(Atenção aos horários!)

LEMBRANDO QUE, NORMALMENTE, ÀS QUINTAS-FEIRAS NÃO HÁ PALESTRA. 

sábado, 1 de março de 2014

Doação de livros espíritas usados

Amigas (os) Fraternas (os),

02 Centros espíritas de Paracuru estão organizando uma biblioteca e necessitam de livros usados.

Se cada um doar pelo menos 01 livro, apostilas do ESDE, do GEM, em breve tempo teremos um número significativo de livros para compor a biblioteca.

Dia 16 de março os dirigentes das duas casas irão participar de uma capacitação da APSE/FEEC e será uma boa oportunidade para fazermos a entrega. Não se preocupem com a idade do livro.

Pode ser na casa ( Rua Ana Bilhar,1420 apto 802 - MARGARIDA GADELHA - pode deixar na portaria, pois recebe muita encomenda e eles entregam direitinho);

Ou na FEEC, (se for na FEEC informar que é para PARACURU- entregar a Margarida).

Abraços fraternos