quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sites para baixar gratuitamente milhares de livros

Pessoal, olha que super dica para quem gosta de ler! 4 sites onde você pode baixar gratuitamente milhares de livros!
PROJETO GUTENBERG: http://www.gutenberg.org/
PORTAL COMÍNIO PÚBLICO: http://www.dominiopublico.gov.br/
BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL: http://www.wdl.org/pt/

A NATUREZA ESTÁ FALANDO




A NATUREZA ESTÁ FALANDO



"- Como você é tão inteligente?!
- Filha, eu estou por aqui há muito tempo. Na verdade, nossa espécie existe há mais tempo do que quase qualquer outra. Eu já vi quase tudo.
- Sério? Como o quê?
- Bom, já vi o tempo. Todos os tipos de tempo.
- E muito bichos?
- Sim, muitos bichos. Antes, eram só insetos e aranhas, depois, alguns camundongos e ratos, e alguns coelhos e ursos. Então, de repente, haviam humanos. E virou um inferno.
- Por quê? O que os humanos fizeram?
- Bom, eles transformaram lobos em cães, rios em lagos e nós em madeira. Começaram a usar o planeta como se ele existisse só para eles. Agiram como se houvesse um mundo extra em volta.
- Por que eles fizeram isso? Por que eles não entendem?
- Não sei. Se eles não entenderem que fazem parte da natureza, em vez de só usarem a natureza, eles provavelmente não estarão por aqui para ver você crescer. "
Conheça a campanha para a conservação da natureza "Nature Is Speaking" da ONG Conservation International http://abr.ai/1w73wXI
‪#‎NatureIsSpeaking‬

EV. Cap V . A Melancolia na C.E.Catarina de Lebouret em 09.12.14 por Lea Bezerra de Menezes



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Aprendendo a conhecer com Jesus


Ninguém melhor para nos dar o exemplo de como conhecer as coisas do que Jesus. Ele nos mostrou o caminho seguro e efetivo do autoconhecimento e da prática do amor. Espírito Puro que era, fazia com que todos à sua volta despertassem para a reflexão e para a expressão dos sentimentos.

Certa vez, quando os discípulos de João Batista vieram ter com ele, disseram que João perguntara se ele era o “enviado de Deus” ou se o povo deveria esperar por outra pessoa. Jesus nos dá nesse instante o exemplo desse estímulo à reflexão. Ao invés de dizer que era o “enviado de Deus” disse:

— Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o reino dos Céus (Lucas 7:22).

Esta passagem mostra claramente esta característica do Cristo. Ele estimulou seus interlocutores a observar a realidade e a refletir sobre o que estavam vendo. Ao trazer estas questões para reflexão, Jesus nos ensina a conhecer as coisas pelo método da análise, mostrando que a fé pode ter como base o raciocínio bem fundamentado.

Há grande diferença em ouvir de alguém um ensinamento e descobrir ensinamentos da fala de alguém. Jesus, nesta passagem, fez isso. Ao invés de dizer que ele era de fato quem eles esperavam, fez com que eles percebessem o que ele realizava, estimulando-os a tirar suas próprias conclusões.

Outro aspecto importante do relacionamento de Jesus com seus discípulos era o constante estímulo à experiência prática, através da qual podemos fortalecer e consolidar conceitos abstratos.

Jesus estimulava os apóstolos a ir ter com as multidões. Ele dizia a cada um que o desejo sincero de fazer o bem, o amor verdadeiro pelo próximo e a ação davam a eles a segurança de agir em nome de Deus.

— Ide em busca das ovelhas perdidas da casa de nosso pai que se encontram em aflição e voluntariamente desterradas de seu divino amor. Reuni convosco todos os que se encontram de coração angustiado e dizei-lhes, de minha parte, que é chegado o reino de Deus. Trabalhai em curar os enfermos, limpar os leprosos, ressuscitar os que estão mortos nas sombras do crime ou das desilusões ingratas do mundo, esclarecei todos os espíritos (…).

O que vos ensino em particular, difundi-o publicamente, porque o que agora escutais aos ouvidos será o objeto de vossas pregações de cima dos telhados.

Quando os apóstolos titubeavam no trabalho, duvidando de sua capacidade de realizá-lo, o Mestre fazia o papel do professor que transmite conhecimentos e ao mesmo tempo faz com que seus alunos reflitam e percebam as coisas que já conhecem.

Este é um exemplo de como Jesus trabalhava a partir das necessidades trazidas pelos apóstolos, utilizando-se muitas vezes dos elementos da Natureza e do cotidiano para facilitar a aprendizagem do grupo:

— Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada dia?

O apóstolo pensou alguns momentos e respondeu hesitante:

— Mestre, naturalmente escolhe-se os peixes melhores. Ninguém compra os resíduos da pesca.

Jesus sorriu e perguntou de novo:

— E o oleiro? Que faz para atender à tarefa a que se propõe?

— Certamente, Senhor – redarguiu o pescador, intrigado – modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.

O Amigo Celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:

— E como age o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?

O interlocutor, muito simples, informou sem vacilar:

— Lavrará a madeira, usará a enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo, não aperfeiçoará a peça bruta.

Calou-se Jesus, por alguns instantes, e aduziu:

— Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus no Lar – Neio Lúcio



Nesta outra passagem, ele continua a discussão dos assuntos do cotidiano, estimulando a reflexão em um ambiente informal e colaborativo:

— Sara, qual é o serviço fundamental de tua casa?

— É a criação de cabras – redarguiu a interpelada, curiosa.

— Como procedes para conservar o leite inalterado e puro no benefício doméstico?

— Senhor, antes de qualquer providência, é imprescindível lavar cautelosamente o vaso em que ele será depositado. Se qualquer detrito ficar na ânfora, em breve todo o leite se toca de franco azedume e já não servirá para os serviços mais delicados.

Jesus sorriu e explanou:

— Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, se confunde com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do povo escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do espírito para recebê-las. É por isto que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho efetivo do reino de Deus.

Jesus no Lar – Neio Lúcio



Estas eram oportunidades para os discípulos praticarem o que Jesus ensinava, de aprenderem, a partir da reflexão sobre a prática, e pelo prazer de servir, a alegria de serem úteis. O conhecimento se tornava então o que eles pensavam intelectualmente e sentiam emocionalmente.

Jesus, nosso modelo maior de educador, então, nos apresenta, pelo seu exemplo, diretrizes para a facilitação do conhecimento, balizas para o “Aprender a conhecer”:

Não apresentar respostas prontas: Jesus sempre estimulava a pessoa a refletir mais sobre qual era o problema que realmente incomodava, como quando propõe aos discípulos que reflitam sobre o sofrimento que devem vivenciar aqueles que agridem os homens que se esforçam para fazer o bem (Jesus no Lar, cap. 35). Além disso, o mestre não perdia a oportunidade de responder às indagações com novas perguntas, frequentemente desafiando o interlocutor à autorreflexão ou ao exame comparativo de situações com as quais estava acostumado a lidar;

Meditar antes de apresentar soluções: os evangelhos e as obras espíritas que descrevem as atitudes de Jesus são recorrentes em apresentar as pausas que Jesus fazia, ao apresentar um esclarecimento. Ainda que o mestre pudesse ter as respostas prontas, tomava um tempo, para deixar que os outros pudessem refletir, para criar prontidão e expectativa e também para escolher a melhor maneira de prestar o esclarecimento;

Estimular a reflexão sobre a vivência: são de exceção os relatos de Jesus introduzindo um tema para as discussões. A sua técnica de facilitador da aprendizagem era sempre trabalhar com os conteúdos trazidos pelos necessitados. E, ao abordar estes assuntos, Jesus sempre estimulava à reflexão sobre as vivências antes de apresentar qualquer resposta, o que não raro era sequer necessário;

Usar elementos e histórias que tenham a ver com o cotidiano do aprendiz:

O Nazareno nos demonstra que, para que possamos aprender, temos que usar elementos já conhecidos, buscar analogias com as nossas vivências;

Usar a experiência como a grande fonte de aprendizagem para a vida: Jesus sempre convocou todos a viver e ensinar as diretrizes para um mundo melhor;

Construção compartilhada do conhecimento: O Galileu nos dá o exemplo de que devemos usar as colaborações de todos para construir o conhecimento, num processo participativo, como fica evidente, por exemplo, no cap. 3 do livro Jesus no Lar;

Permissão do aporte de assuntos pessoais e emocionais: Ao invés de se centrar em um determinado tema, Jesus sempre instou aqueles que o rodeavam a trazer seus assuntos pessoais, e sempre foi muito atento aos relatos e às necessidades emocionais dos que conviviam com ele (veja-se exemplos nos cap. 5 e 6 do livro Jesus no Lar);

Jesus não dava instruções diretas: Apesar de permitir e mesmo estimular a expressão das particularidades da vivência de cada um, o mais das vezes Jesus apresentava diretrizes genéricas, para que os seguidores pudessem ter um norte, mas, ao mesmo tempo, habituarem-se a refletir a respeito da melhor maneira de se conduzirem pelo mundo.

E você? Como tem feito no seu grupo de estudos? Temos conseguido seguir os exemplos metodológicos de Jesus? Podemos intensificar o trabalho a partir destas diretrizes?

Temos feito a meditação sobre a tarefa que desempenhamos ao mesmo tempo em que estimulamos as reflexões dos participantes?

Prossigamos resolutos, na capacitação para o bom desempenho das tarefas que nos cabem na seara espírita.

Fonte: http://www.mundoespirita.com.br/?materia=aprendendo-a-conhecer-com-jesus

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXI – FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS/Missão dos Profetas


4 –Atribui-se geralmente aos profetas o dom de revelar o futuro, de maneira que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, a palavra profeta tem uma significação mais ampla, aplicando-se a todo enviado a Deus, com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas, os mistérios da vida espiritual. Um homem pode, portanto, ser profeta, sem fazer predições. Essa era a idéia dos judeus, no tempo de Jesus. Eis porque, ao ser levado perante o sumo sacerdote Caifás, os Escribas e os Anciãos,que estavam ali reunidos, lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos e bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza, e dize quem foi que te bateu”. Houve profetas, entretanto, que tiveram a presciência do futuro, seja por intuição ou por revelação providencial, a fim de transmitirem advertências aos homens. Como essas predições se realizaram, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. V – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS/ Motivos de Resignação

12 – Pelas palavras: Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados, Jesus indica, ao mesmo tempo, a compensação que espera os que sofrem e a resignação que nos faz bendizer o sofrimento, como o prelúdio da cura.

Essas palavras podem, também, ser traduzidas assim: deveis considerar-vos felizes por sofrer, porque as vossas dores neste mundo são as dívidas de vossas faltas passadas, e essas dores, suportadas pacientemente na Terra, vos poupam séculos de sofrimento na vida futura. Deveis, portanto, estar felizes por Deus ter reduzido vossa dívida, permitindo-vos quitá-las no presente, o que vos assegura a tranqüilidade para o futuro.

O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações, para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez de queixar-se do credor, não lhe agradeceria?

É esse o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Eles são felizes porque pagam suas dívidas, e porque, após a quitação, estarão livres. Mas se, ao procurar quitá-las de um lado, de outro se endividarem, nunca se tornarão livres. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, pois não existe uma única falta, qualquer que seja, que não traga consigo a própria punição, necessária e inevitável. Se não for hoje, será amanhã; se não for nesta vida, será na outra. Entre essas faltas, devemos colocar em primeiro lugar a falta de submissão à vontade de Deus, de maneira que, se reclamamos das aflições, se não as aceitamos com resignação, como alguma coisa que merecemos, se acusamos a Deus de injusto, contraímos uma nova dívida, que nos faz perder os benefícios do sofrimento. Eis por que precisamos recomeçar, exatamente como se, a um credor que nos atormenta, enquanto pagamos as contas, vamos pedindo novos empréstimos.

Ao entrar no Mundo dos Espíritos, o homem é semelhante ao trabalhador que comparece no dia de pagamento. A uns, dirá o patrão: “Eis a paga do teu dia de trabalho”. A outros, aos felizes da Terra, aos que viveram na ociosidade, que puseram a sua felicidade na satisfação do amor próprio e dos prazeres mundanos, dirá: “Nada tendes a receber, porque já recebestes o vosso salário na Terra. Ide, e recomeçai a vossa tarefa”.

13 – O homem pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas, pela maneira de encarar a vida terrena. Maior é o eu sofrimento, quando o considera mais longo. Ora, aquele que se coloca no ponto de vista da vida espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito, compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem depressa. A certeza de um futuro próximo e mais feliz o sustenta encoraja, e em vez de lamentar-se, ele agradece ao céu as dores que o fazem avançar. Para aquele que, ao contrário, só vê a vida corpórea, esta parece interminável, e a dor pesa sobre ele com todo o seu peso. O resultado da maneira espiritual de encarar a vida é a diminuição de importância das coisas mundanas, a moderação dos desejos humanos, fazendo o homem contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros, e sentir menos os seus revezes e decepções. Ele adquire, assim, uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo como à da alma, enquanto com a inveja, o ciúme e a ambição, entregam-se voluntariamente à tortura, aumentando as misérias e as angústias de sua curta existência.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Perdoar


Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor. 

Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão. 
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos. 

Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde. 

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo. 
Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito. 

Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção. 

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for. 
O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental. 

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia. 
O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro. 

Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem. 

Todo agressor sofre em si mesmo. É um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar. 

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar. 

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor. 
O que te é Inusitado, nele é habitual. 
Se não te permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás! 

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações. 
O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante. 
A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos. 
E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim. 

Que é o "Consolador", que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?! 

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é. 

"Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes". Mateus: 18-22. 
"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas". O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X - Item 4. 

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Florações Evangélicas
Fonte: http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=444

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XX – TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA/ I – Os Últimos Serão Os Primeiros


CONSTANTINO
Espírito Protetor, Bordeaux, 1863


2 – O trabalhador da última hora tem direito ao salário.Mas, para isso, é necessário que se tenha conservado com boa-vontade à disposição do Senhor que o devia empregar, e que o atraso não seja fruto da sua preguiça ou da sua má vontade. Tem direito ao salário, porque, desde o alvorecer, esperava impacientemente aquele que, por fim, o chamaria ao labor. Era trabalhador, e apenas lhe faltava o que fazer.


Se tivesse, entretanto, recusado o trabalho a qualquer hora do dia; se tivesse dito: “Tenham paciência; gosto de descansar. Quando soar a última hora, pensarei no salário do dia. Que me importa esse patrão que não conheço e não estimo? Quanto mais tarde, melhor!” Nesse caso, meus amigos, não receberia o salário do trabalho, mas o da preguiça.


Que dizer, então, daquele que, em vez de simplesmente esperar, tivesse empregado as suas horas de trabalho para cometer estrepolias? Que tivesse blasfemado contra Deus, vertido o sangue de seus semelhantes, perturbado as famílias, arruinado homens de boa-fé, abusado da inocência? Que tivesse, enfim, se lançado a todas as ignomínias da humanidade? O que será dele? Será suficiente dizer, à última hora: “Senhor usei mal o meu tempo; empregai-me até o fim do dia, para que eu faça um pouco, um pouquinho que seja da minha tarefa, e pagai-me o salário do trabalhador de boa-vontade!”? Não, não! Porque o Senhor lhe dirá: “Não tenho agora nenhum trabalho para ti. Esperdiçaste o teu tempo, esqueceste o que havias aprendido, não sabes mais trabalhar na minha vinha. Cuida, pois, de aprender de novo, e quando te sentires mais bem disposto, vem procurar-me e te franquearei as minhas terras, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia”.


Bons espíritas, meus bem-amados, todos vós sois trabalhadores da última hora. Bem orgulhoso seria o que dissesse. “Comecei o trabalho de madrugada e só o terminarei ao escurecer”. Todos vieram quando chamados, uns mais cedo, outros mais tarde, para a encarnação cujos grilhões carregais. Mas há quantos e quantos séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que aceitásseis o convite? Eis chegado, agora, o momento de receber o salário. Empregai bem esta hora que vos resta. Não vos esqueçais de que a vossa existência, por mais longa que vos pareça, não é mais do que um momento muito breve na imensidade dos tempos que constituem para vós a eternidade.


*


HENRI EINE
Paris, 1863


3 – Jesus amava a simplicidade dos símbolos. Na sua vigorosa expressão, os trabalhadores da primeira hora são os Profetas, Moisés, e todos os iniciadores que marcaram as diversas etapas do progresso, continuadas através dos séculos pelos Apóstolos, os Mártires, os Pais da Igreja, os Sábios, os Filósofos, e, por fim, os Espíritas. Estes, que vieram por último, foram entretanto anunciados e preditos desde o advento do Messias. Receberão, pois, a mesma recompensa. Que digo? Receberão uma recompensa maior. Últimos a chegar, os Espíritas aproveitam o trabalho intelectual dos seus antecessores, porque o homem deve herdar do homem, e porque os trabalhos e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade.


Muitos dos antigos revivem hoje, ou reviverão amanhã, para acabar a obra que haviam começado. Mais de um patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, e de um divulgador da fé cristã se encontram, entre vós. Ressurgem mais esclarecidos, mais adiantados, e já não trabalham mais nos fundamentos, mas na cúpula do edifício. Seu salário será, portanto, proporcional ao mérito da obra.


A reencarnação, esse belo dogma, eterniza e precisa a filiação espiritual. O Espírito, chamado a prestar contas do seu mandato terreno, compreende a continuidade da tarefa interrompida, mas sempre retomada. Vê e sente que apanhou no ar o pensamento de seus antecessores. Reinicia a luta, amadurecido pela experiência, para ainda mais avançar. E todos, trabalhadores da primeira e da última hora, de olhos bem abertos sobre a profundidade da Justiça de Deus, não mais se queixam, mas se põem a adorá-lo.


Este é um dos verdadeiros sentidos dessa parábola, que encerra, como todas as que Jesus dirigiu ao povo, as linhas do futuro, e também, através de suas formas e imagens, a revelação dessa magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no universo, dessa solidariedade que liga todos os seres atuais ao passado e ao futuro.

domingo, 22 de junho de 2014

Terapia de Vidas Passadas - visão Espírita


Ensina a Doutrina Espírita que o esquecimento do passado é necessário para que o espírito em sua atual existência não seja sobrecarregado com as lembranças e emoções de outras vidas.

Existe uma passagem do "Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, que alguns defendem autorizar o resgate das memórias de encarnações passadas:

“Ao entrar na vida corporal, o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse; entretanto, às vezes, tem uma vaga consciência disso e elas podem até mesmo lhe ser reveladas em algumas circunstâncias. Mas é apenas pela vontade dos Espíritos Superiores que o fazem espontaneamente, com um objetivo útil e nunca para satisfazer uma curiosidade vã.“

Vemos nessa passagem do “Livro dos Espíritos” que é possível lembrar de existências anteriores, quando há um motivo útil e quando os espíritos superiores aprovam.

Uma coisa que alguns estudiosos espíritas costumam dizer sobre a TVP é que ela não é uma brincadeira, mas uma técnica séria e que deve, portanto, ser procurada apenas quando necessária. Em outras palavras, não se deve encarar a regressão como uma chance de descobrir uma vida passada ilustre ou por mera curiosidade. (Fonte: Wikipedia)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Um Estudo sobre o Perispírito e os Chacras

  O nosso irmão Elzio Ferreira de Souza, desencarnado em 2006 aos 80 anos, nos deixou um estudo sobre o PERISPÍRITO. Tal estudo foi acompanhado de reuniões práticas na "Casinha" que era como ele chamava o Círculo Espírita da Oração, em Salvador/BA.
  Neste estudo ele procurou fazer um comparativo com as informações de vários autores e de diferentes linhas do espiritualismo, mostrando seu interesse em nos deixar um material para estudo.
Élzio Ferreira de Souza nasceu em Salvador/BA, foi promotor público e professor de direito penal.
Espírita a partir dos anos 1950, fundou vários grupos, atuou como médium psicógrafo e psicofônico e colaborou com jornais espíritas. Psicografou obras do espírito Yogashiririshnam, como Divina presença e Vozes de um encontro, entre outros.
De Deolindo Amorim (espírito), transmitiu-nos também o livro Espiritismo em movimento.

Perispírito e Chacras
Elzio Ferreira de Souza
O perispírito, mais tarde, será objeto de mais amplos estudos
das escolas espiritistas cristãs. (Libertação, 1949:85)
Introdução
  Entre as mensagens recolhidas em O Livro dos Médiuns, obra publicada em 1861, registrou Allan Kardec um texto de Lamennais (Espírito) em que este se refere à pesquisa da alma empreendida no mundo espiritual, em contraposição à pesquisa do perispírito que os espíritas começavam a empreender (nº 51). Notáveis magnetizadores como De Rochas, Baraduc, Durville, Lefranc e Charles Lancelin empreenderam mais tarde uma série de pesquisas que lhes possibilitou a sustentação da natureza complexa do corpo espiritual, ou seja, o reconhecimento da existência de vários corpos intermediários entre o Espírito e o corpo físico. As investigações dos metapsiquistas europeus forneceram-nos alguns elementos sobre a materialização dos Espíritos utilizando-se o ectoplasma exsudado pelos médiuns. Por seu lado, os teosofistas resolveram buscar na literatura da índia apoio para suas investigações, comparando as experiências de seus clarividentes com as milenares referências aos Corpos espirituais e a sua fisiologia. No Espiritismo, o médico português Antônio J. Freire, no livro Da Alma Humana, por sua vez, recolheu as lições de Allan Kardec e buscou compará-las e ampliá-las com as experiências dos magnetizadores. Não se fizeram muitos avanços. Mas os Espíritos White Eagle, na Inglaterra, e André Luiz, no Brasil, iniciaram uma série de referências aos corpos espirituais e à sua constituição.
  O assunto durante muito tempo pareceu não colher a atenção dos que se dedicavam aos estudos espíritas. Os jovens da Juventude Espírita Manuel Miranda, da União Espírita Bahiana, no final da década de 1960, começaram a estudar os chacras. No entanto contavam apenas com o livro de Charles Webster Leadbeater (Os Chacras) para informação de apoio, além das obras de André Luiz que tinham sido publicadas.
  Edgard Armond aventurou referências ao sistema de chacras, com base em Leadbeater e André Luiz. Na série de artigos que publicamos no jornal Mundo Espírita, sob o título geral Atualidade de Allan Kardec, dedicamos um estudo às revelações de André Luiz sobre multiplicidade de corpos em comparação com as lições constantes da obra kardecista, nos primórdios da Doutrina (Os Corpos Espirituais, 30/09/1967). Em 1985, resolvemos publicar uma apostila (mimeografada), intitulada Os Chacras e a Mediunidade, com a finalidade de recolher alguns textos sobre o assunto publicados no estrangeiro (de Michel Coquet, de Mircea Eliade, de Grace Cooke, de White Eagle [Espírito] e de Hiroshi Motoyma, cujo livro Teoria dos Chacras ainda não tinha sido traduzido àquela época), facilitando o estudo do assunto, porque apenas o citado livro de Leadbeater fora traduzido para o português.
  Mas, em face mesmo dessa dificuldade, empreendemos escrever uma introdução que permitisse uma melhor compreensão do assunto, acrescentando uma série de notas elucidadoras e um resumo das primeiras experiências sobre a visão dos chacras que havíamos recolhido no Círculo Espírita da Oração. Depois disso, a literatura espiritualista no Brasil ganhou uma série de traduções de livros tratando sobre os chacras, mas, infelizmente, nem sempre de boa qualidade, e cujas traduções deixam, às vezes, a desejar, tantos são os enganos cometidos. Com a realização do 1º Congresso da Associação Médico-Espírita do Brasil, surgiu a oportunidade de aviventar o assunto, importante não só para médicos e psicólogos, mas para os que lidam no terreno mediúnico. Tratar com seriedade a matéria, é mais que necessário, evitando que as mentes sejam entorpecidas com fantasias de divulgadores de ocasião. Fundamentar estudos em literatura confiável e na experiência torna-se imprescindível.
  Há necessidade de comparar o material que pudermos obter no campo espírita com a literatura oriental mais que milenar. Ao relacionar o corpo mental, André Luiz acentuou, em Evolução em Dois Mundos (1959:25n) não poder defini-lo "com mais ampla conceituação, além daquela com que tem sido apresentado pelos pesquisadores encarnados, e isto por falta de terminologia adequada no dicionário terrestre". Não houve interesse em estudar a matéria nas fontes aludidas por ele. Achamos, portanto, indispensável buscar a literatura fundamental sobre o tema para nossa exposição. A recomendação de não desprezai - o material antigo vem dos próprios Espíritos na questão nº 628 de O Livro dos Espíritos e do reconhecimento do próprio Allan Kardec de que o Espiritismo estava contido nas lições dos filósofos da índia e da China. Não podendo, nos limites de um artigo, reportarmo-nos mais profundamente ao tema, resolvemos por especificar questões básicas e transmitir, ainda que incidentalmente, anotações de algumas das múltiplas experiências registradas no grupo mediúnico.
OS CORPOS ESPIRITUAIS
A Concepção Tríplice do Ser
  Comecemos com uma análise sobre o pensamento de Kardec. Ele estabeleceu uma concepção tripartida a respeito do homem: este seria formado do espírito, do perispírito e do corpo físico, concepção que muitos, erroneamente, proclamam como genuinamente espírita, enquanto ele, reconhecendo a anterioridade da concepção, fazia questão de esclarecer a respeito da existência dos antecedentes históricos, que comprovavam ser aquela um elemento constante das mais diferentes Culturas, fato que, a seu sentir, constituía uma prova da universalidade do Espiritismo.
  Não se limitou ele aos antecedentes existentes nas culturas orientais, mas trouxe à colação a doutrina de Paulo de Tarso, que registrava a concepção tríplice, constituída do espírito, da alma e do corpo físico. A concepção paulina foi identificada também e explorada pelo pensador protestante Watchman Nee 1986. Em Paulo de Tarso, o conceito de alma não é o de espírito encarnado, constante de O Livro dos Espíritos, nem o de princípio inteligente, conforme veio a propor Kardec: corresponde ao de perispírito, um intermediário entre o espírito e o corpo físico. Não há espaço aqui para abordar a questão na literatura hindu, isto é, no hinduísmo, no budismo etc. No entanto, é interessante destacar que Kardec não reivindicava prioridades para o Espiritismo, pelo contrário, em estudando comparativamente as filosofias religiosas, procurava demonstrar que a verdade nele contida está no fundo dos tempos.
Concepção Múltipla dos Corpos Espirituais
  Na continuidade da revelação espírita, foram recebidas mensagens e realizados experimentos que indicavam a existência de uma pluralidade de corpos espirituais, correspondendo, portanto, aos vários “shariras” ou “koshas” (corpos) das doutrinas hinduístas. O Dr. António J. Freire registra uma comunicação mediúnica, obtida pelo coronel Albert de Rochas, ditada pelo Espírito Vincent, que, apresentando-se como um espírito extraterrestre, "afirmava que o perispírito é constituído por uma série de invólucros, mais ou menos eterizados, de que os habitantes do Mundo astral se vão desfazendo sucessivamente à medida que se elevam na escala da evolução, não sendo embutidos uns sobre os outros como os tubos dum telescópio, mas interpenetrando-se em todas as suas partes" (1956:96). Como assinalamos acima, as investigações dos grandes magnetizadores levaram à admissão dessa pluralidade de corpos espirituais.
Corpos Espirituais na Obra de Allan Kardec
  Investiguemos os textos kardecistas para verificar a existência de algum elemento que tenha antecipado as revelações posteriores.
  Ao definir o perispírito, em O Livro dos Espíritos descreveu-o como sendo um laço que liga o Espírito ao corpo físico. Kardec, em lhe perquirindo a natureza, afirmou ser ele constituído de eletricidade, de fluido magnético animalizado, de fluido nervoso, de matéria inerte (Livro dos Espíritos/54, 65, 74.1 e a nota 257; Rev. Espírita/1858, dez.), semimaterial (Livro dos Espíritos/94, 135; Livro dos Médiuns/74.13, 75), "matéria elétrica ou de outra tão sutil quanto esta". É evidente que tais palavras não são sinónimas, e que Kardec procurava abarcar do modo mais amplo a natureza do perispírito, dando a entender a existência de uma constituição plúrima, como se pode deduzir da assertiva de tratar-se de um fluido nervoso. Se o perispírito se constitui também de fluido nervoso, o Espírito o conduziria, em desencarnando, para o mundo espiritual? É evidente que não, o Espírito terá que desvencilhar-se dele ao abandonar o corpo. Se o perispírito é constituído também de matéria inerte, é justo pensar que esta não acompanharia o corpo espiritual após a morte do corpo físico. Segundo o Espírito Erasto, o fluido vital é apanágio exclusivo do encarnado (Livro dos Médiuns/98); o Espírito, no fenômeno mediúnico, impele (poussé), dirige o fluido vital fornecido pelo médium (Livro dos Médiuns/77). Se Kardec considerou essa terminologia, então deve entender-se que, de alguma sorte, ele reconhecia um compósito na natureza do perispírito, enquanto encarnado, ao afirmar, no item 77 de O Livro dos Médiuns, que ele é formado por fluido vital, o elemento que é apanágio do homem. Sendo este o elemento que animaliza a matéria (Livro dos Espíritos/62; Gênese/X: 17), desfazendo-se após a morte do corpo, como elemento constituinte do perispírito (Livro dos Espíritos/70; Gênese/ X:16), transmissível em parte entre os indivíduos (Livro dos Espíritos/70 nota), devemos identificá-lo como a substância que, exteriorizada, denominamos de ectoplasma.
  Erasto, portanto, não estava referindo-se ao fluido vital no sentido em que, algumas vezes, empregou-o André Luiz, como fluido de Espíritos desencarnados, fluido pertencente ao corpo astral, segundo a terminologia que adota (vide, por ex., Ação e Reação,1957:70 - "Colaboram com fluidos vitais e elementos radiantes, altamente sublimados [...])", referindo-se a colaboradores mediúnicos do mundo invisível!.
  Atentando-se para esse elemento que nasce com o homem e desaparece logo após a sua morte, podemos deduzir que ele é o constituinte do duplo etérico, a que também se referem os grandes magnetizadores, os teosofistas e as doutrinas orientais. Na época não se empregava o termo duplo etérico, corpo Ódico, etc., mas ao escrever Kardec que o perispírito é constituído de matéria sutil, de matéria nervosa, de matéria inerte, evidentemente estava referindo-se ao perispírito como um corpo complexo, e não de natureza única.
  Outro indício dessa complexidade registra-se quando Kardec refere-se à evolução do perispírito. No capítulo IV de O Evangelho segundo o Espiritismo, o Espírito São Luís afirma que: "O próprio perispírito sofre transformações sucessivas; ele se eteriza cada vez mais até a depuração completa que constitui os Espíritos puros". Kardec já escrevera: "Nós sabemos que quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito torna-se etérea; donde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é, à medida que o perispírito mesmo se torna menos grosseiro" (Livro dos Espíritos/257). E mais, "(...) Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não tem análogo aqui em baixo" (idem). Em O Livro dos Médiuns/55, anotou também que sua "natureza se eteriza, à medida que ele se depura e se eleva na hierarquia".
  É evidente que duas são as hipóteses para a compreensão dos textos:
a)      o perispírito tornar-se-ia mais leve, os fluidos menos grosseiros, porém a natureza seria idêntica, e nesse caso não seria necessária a referência a um corpo complexo;
b)      a eterização do perispírito é de tal ordem que ele abandona determinadas camadas, próprias de certas zonas invisíveis, quando é elevado na hierarquia espiritual, passando a viver em esferas mais altas; nesse último caso, teríamos, nas referências, indicações de uma natureza complexa para o perispírito.
  As duas hipóteses de compreensão não se excluem, porque as mensagens espirituais que têm sido recolhidas e a própria vidência deixam claro que o perispírito se mostra mais diáfano, mais luminoso, à medida que o Espírito se eleva.
  O que se põe como questão é se, ao elevar-se para zonas mais próximas da Terra, o Espírito conserva um corpo espiritual da mesma natureza, ou se realmente há uma mudança na sua estrutura, necessária à nova ambientação, o que levaria a admitir a possibilidade de uma complexidade na sua organização. Em outras palavras, a "evolução do perispírito" não seria mais do que a própria modificação dos corpos espirituais. É claro que Kardec apenas ensaiava o estudo do perispírito (Livro dos Médiuns/51) e, portanto, não poderia conhecer tudo o que lhe dizia respeito (Livro dos Médiuns/3); os próprios Espíritos não foram muito expressos, quer tivesse sido porque preferissem dosar o ensino, como, aliás, sempre advertiram, quer porque a linguagem humana assinalava-lhes restrições óbvias, o que também sempre fizeram questão de acentuar, ou, finalmente, porque a muitos dos comunicadores faltava-lhes conhecimento mais preciso do assunto, o que seria uma decorrência da relatividade dos próprios Espíritos, conforme tantas vezes assinalou Kardec.
  No entanto, devemos recordar que no Ensaio Teórico da Sensação nos Espíritos, que constitui o item 257 de O Livro dos Espíritos, Kardec deu mostras de sua larga visão: partindo da eterização do perispírito ("quanto mais eles se depuram, mais a essência do perispírito torna-se etérea"), concluiu que as sensações do ambiente terrestre seriam inacessíveis para Espíritos muito elevados, o que só poderia ocorrer se a sua natureza fosse completamente diferente. Com esses elementos iniciais, podemos tecer algumas considerações sobre o problema dos corpos espirituais na obra de André Luiz, procurando aclarar alguns detalhes que parecem importantes.
Os Corpos Espirituais na Obra de André Luiz
  Na obra de André Luiz, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, há, a partir de seu primeiro livro - Nosso Lar, (a 1ª edição é do ano de 1943), no qual relata suas primeiras experiências no mundo espiritual, referência a vários corpos espirituais: duplo etérico, ao corpo astral, ao corpo mental e ao corpo causal.
TERMINOLOGIA
  Inicialmente, devemos lembrar que André Luiz utiliza o termo perispírito em sentido estrito, para significar, tão somente, o segundo corpo após o organismo físico, que sobreviverá, com algumas diferenças, a este. Ele utiliza os termos corpo astral, corpo espiritual e psicossoma como sinônimos. Para os outros corpos, utiliza vocábulos consagrados entre os magnetizadores e espiritualistas - duplo etéreo, corpo mental e corpo causal. Não se refere à existência de outros corpos que correspondessem aos denominados corpos (ou alma) moral, intuitivo e consciencial, isto é, os Aerossomas V, VI e VII da classificação de Charles Lancelin. A divergência pode tornar-se uma simples questão de palavras, se encararmos o perispírito como sendo um corpo complexo, formado, por assim dizer, de "camadas", sintetizando assim todos os corpos espirituais. Essa é a posição de António J. Freire: a concepção clássica do ternário humano não implica necessariamente a homogeneidade do perispírito (1956:95). As palavras pouco importam aos Espíritos, competindo ao homem formular uma linguagem que elimine controvérsias (Livro does Espíritos/28).
Duplo Etéreo
  O eminente Leopoldo Cirne (1870-1941), em Doutrina e Prática do Espiritismo – Iº volume (1920:79 a 91), já deduzia, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no ser encarnado, distinto do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo após a morte física, mas não permaneceria definitivamente ligado ao Espírito desencarnado, a que denominou de corpo etéreo, duplo astral, corpo astral, corpo esse que seria responsável pela possibilidade de materialização dos Espíritos. Depois, na obra O Homem Colaborador de Deus, publicada em 1949, após a sua morte, manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico além do perispírito, não o designando mais de duplo (corpo) astral, mas apenas de corpo etéreo, inseparável do corpo físico durante a vida (p.18 s).
  No livro Nos Domínios da Mediunidade (1955:90), André Luiz diferencia o perispírito - a que denomina também de corpo astral, corpo espiritual e psicossoma - do duplo etérico, cuja natureza, esclarece como sendo de "um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne" (...), "formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal por ocasião da morte renovadora". (Livro dos Espíritos:70)
  O duplo etérico não é mais do que o corpo vital, também denominado de corpo ódico e corpo ectoplásmico, exatamente o que cede o ectoplasma para a produção de efeitos físicos. Nas ocorrências de materialização, por exemplo, ele pode desdobrar-se a partir do corpo físico, permitindo ao Espírito comunicante uma sobre imposição, quando a manifestação ocorre com a sua apropriação por parte daquele, ou pode apenas ceder o ectoplasma disforme que possibilita ao Espírito construir um corpo. No primeiro caso, o Espírito materializado guarda uma certa parecença com o médium, o que tem proporcionado a críticos apressados a alegação de fraude (Bozzano, s.d:139-144). No entanto, a sua função em relação à mediunidade não se limita a esses fenómenos, senão que diz respeito a toda espécie de fenómeno mediúnico. Tendo perdido, ao desligar-se do corpo físico pela desencarnação, o duplo etérico ou corpo vital, constituído dos fluidos vitais a que se referia Kardec, o Espírito dele necessita para a ligação com o médium, modo pelo qual recupera parcialmente o elemento perdido, o que lhe possibilita atuar sobre a matéria. Quando o médium se desdobra sem muita prática, acaba levando para fora do corpo físico o duplo etérico, e assim, ao vidente, aparece como se fosse um duplo do indivíduo, mas com deformações. Ele não poderá, por isso, distanciar-se do corpo físico mais do que de cinco a dez metros, pois a ultrapassagem desse campo causar-lhe-á a morte. Por outro lado, pode surgir ao vidente como um fantasma com cores diferentes do lado direito e esquerdo, e às vezes também com a cor azul.
  Nas experiências do coronel Albert de Rochas com Eusápia Paladino em estado de hipnose, esta descreveu o aparecimento de um fantasma de cor azul, de cuja substância se serviria o Espírito John durante as reuniões. O fato confere com as explicações fornecidas por Katie King (Espírito), existentes no relatório de Florence Marryat, sobre a existência de um corpo do qual se servia, porém que lhe apresentava tal resistência passiva que não lhe era possível evitar os traços de semelhança com o médium, durante as materializações (Bozzano, idem: 140). A Vidente de Prevorst (1820) denominou esse corpo de "espírito de nervos" ou "princípio de vitalidade nervosa", cuja função seria permitir a ligação do Espírito com o corpo. Uma sonâmbula do reverendo Werner (1840) também referiu-se a um "fluido nervoso", que seria indispensável para que a alma entrasse em relação com o corpo (Bozzano - idem:141s. Vide ainda Albert de Rochas d'Aiglun - Exteriorización de la Motilidad, p. 35). O coronel De Rochas, Hector Durville, H. Baraduc e outros verificaram, durante as suas experiências de magnetização dos sensitivos, que estes descreviam o desdobramento de um duplo, um "fantasma ódico", que possuía uma cor azulada à esquerda e alaranjada à direita, estando ligado ao corpo físico por um cordão fluídico, fixado na região esplênica (Freire, 1956:51, 91s, 18, 116, 118; Lorenz, 1948:141s).
Deformidades na exteriorização
André Luiz (Nos Domínios da Mediunidade, 1955:89s), descrevendo o fenômeno de desdobramento de um médium, fornece-nos alguns dados que permitem a comparação:
  • "O médium, assim desligado do veículo carnal, afastou-se dois passos, deixando ver o cordão vaporoso que o prendia ao corpo somático".
  • "Enquanto o equipamento fisiológico descansava, imóvel, Castro, tateante e assombrado, surgia junto de nós, numa cópia estranha de si, porquanto além de maior em sua configuração exterior, apresentava-se azulada à direita e alaranjada à esquerda". "Submetido o médium" - esclarece André Luiz - "a operações magnéticas, recuou o duplo até o corpo; este 'engolira instintivamente certas faixas de força', e dentro em pouco, fora da matéria densa, pôde o médium apresentar-se normalmente" (isto é, em corpo astral - idem:90).
  Essa deformidade existente na exteriorização do duplo foi observada por ME: "eu vi o corpo do médium, não o corpo físico, mas, sim, o fluídico; estava sentado, tinha, porém, uma instabilidade, isto é, ele se movia de forma instável e havia uma diminuição muito grande dos membros inferiores, e as pernas apresentavam-se curtas e disformes, projetando-se para o lado, era uma parte distorcida, como se visse uma sombra na parede e que, ao movimentar-se o corpo, tomasse a forma distorcida. A cor era esbranquiçada, era como um duplo do médium". A clarividente verificou que aplicaram uma espécie de "máscara" como a utilizada nos combates de esgrima, antes da tela final de proteção, algo branco, que dava a impressão de ser acolchoado, que tomava parte da testa até (mais ou menos) a boca. Ajustada a "máscara", "o duplo começou a tomar proporções corretas, todo o corpo (fluídico) se reajustou" (observação em 22/11/1989). É de notar-se, porém, que, ao invés de uma figura maior, o médium observou diminuição dos membros. No entanto, em outro registro, anotou: "vimos todo o rosto do médium ondulando como uma imagem desfocada, com uma coloração esbranquiçada, inicialmente".
  Comparando-se a descrição de André Luiz com as referidas acima, no que se refere à coloração com que se apresenta o duplo etérico, notamos a divergência quanto à localização das cores azul e alaranjada (ou avermelhada). Em nosso grupo de trabalho, tinha sido também observada a luminosidade avermelhada à direita e a azulada a esquerda, o que não só coincidia com aquelas observações, mas também com as de Karagulla, registradas durante as pesquisas feitas com a notável clarividente Diana (Dora Kunz), a respeito dos pólos do ímã. Segundo seu registro, o campo de energia da mão direita (avermelhada) e o pólo sul do ímã com uma névoa de cor avermelhada repeliam-se, enquanto que quando segurava o mesmo pólo com a mão esquerda (azulada) ocorria uma atração entre os dois campos. Com o pólo norte, que apresentava uma névoa azulada, ocorreu exatamente o contrário: criou-se um campo de atração com a mão direita e de repulsão com a mão esquerda (1986:123s). As cores dos pólos do ímã correspondem à descrição feita pelo barão de Reichenbach acerca de uma experiência realizada em abril de 1774 com a senhorita Nowstuy em Viena: pólo sul - amarelo-avermelhado; pólo norte - azul. Corresponde também às experiências do dr. Luys (vide a respeito Albert de Rochas, 1971:4 e 6s). Haveria uma contradição com a descrição de André Luiz? É certo que o próprio dr. Luys apurou também que alguns sensitivos percebiam o lado direito com uma coloração azul (nos histéricos, violeta) e o lado esquerdo emitindo eflúvios vermelhos, o que coincide com o registro de André Luiz.
  A solução da aparente contradição é dada pelo próprio dr. Luys: esclarece ele que os sensitivos muitas vezes invertem as colorações que atribuem aos fluidos, isto é, existem aqueles que vêem vermelho do lado direito e azul do lado esquerdo. Quando isso ocorre, fazem-no sempre do mesmo modo, apresentando-se também as cores dos pólos do ímã igualmente alteradas, isto é, invertidas (De Rochas - idem:6, especialmente a nota n. 6).
  O duplo etérico sói também aparecer à vidência de modo distinto, como se a "pele" que o revestisse fosse retirada e se o enxergasse interiormente. Tivemos, há muito tempo, ocasião de observar ao lado de um médium, enquanto este expressava a comunicação de um Espírito sofredor, um duplo formado de fios finos com uma luminosidade como se fossem tubos de gás néon. Parecia-nos uma múmia, com a particularidade de que os fios eram finíssimos. Acrescentaremos aqui observações realizadas por outros médiuns: "Comecei a ver o lado direito do médium, da cabeça até em baixo, era como se ele estivesse todo cheio de fios, que pareciam nervos, de uma substância alva, prateada. Eu não via o médium (o corpo físico), somente os fios" (registro do dia 14/10/87 por ME). "(...) aparecia uma formação branca como um 'casulo humano' com um ser todo enrolado por ténues fios brancos" (registro do dia 10/01/90 por DSF)."(...) percebi todo seu braço até o ombro repleto de canais finos (...).O contorno do braço era prateado" (registro do dia 24/08/88 por DSF). A descrição coincide com a fornecida por Shaffica Karagulla e Dora van Gelder Kunz (1989:30).' "Para o clarividente, o corpo etérico parece uma teia luminosa de linhas finas brilhantes".

Perispírito (Corpo Astral, Corpo Espiritual, Psicossoma, Aerossoma II)
  Já destacamos o fato de que André Luiz utiliza o termo perispírito em um sentido estrito como sinônimo de corpo astral. Na obra Entre a Terra e o Céu (1956:126), ele descreve-o como formado de matéria rarefeita, "intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para o nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado". Em regiões de renovação espiritual, como na colônia Nosso Lar, o perispírito é o veículo de manifestação para as atividades do Espírito.
  Segundo André Luiz, o corpo espiritual é o "santuário vivo em que a consciência imortal prossegue em manifestação incessante, além do sepulcro, formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, em face do sistema de permuta visceralmente renovado, se distribuem mais ou menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica, e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta". Possui ele uma estrutura eletromagnética e encontra-se algo modificado em relação ao corpo físico, no que se refere a fenômenos genésicos e nutritivos, sob a direção da mente que o rodeia. Quando o Espírito reencarna, desfaz-se dos elementos próprios do plano astral. André Luiz (Libertação, 1949:85s) refere-se mesmo ao fenómeno da "segunda morte" ou morte do perispírito, que ocorreria em três situações distintas:
1)      Quando os ignorantes e maus se pervertem adensando a mente e gravitando em torno de paixões infelizes ("ovóides, verdadeiros fetos ou amebas mentais").
2)      Quando se verificam as operações redutoras e desintegradoras para renascimento na carne (conf. ETC 1956: 179; ML, 1949:214s).
3)      Quando os Espíritos enobrecidos conquistam os planos mais altos (Libertação, 1949:85s). Sobre todo o assunto, consulte-se ainda Evolução em Dois Mundos (1959:30).
  Na segunda hipótese, quando o Espírito reencarna obrigatoriamente, o processo de restrição verifica-se em pavilhões de restringimento, sendo ele transformado em sémen espiritual, "reduzido a um diminuto corpo ovalado, onde estão preservados os seus centros de força" (Heigorina Cunha, 1994:45 e 83), "lembrando uma pastilha" (idem:44). Segundo informação de Francisco Cândido Xavier, os despojos são enterrados num cemitério (ibidem). Na terceira hipótese, o Espírito, passando a viver em região superior, não pode levar o instrumento útil na inferior - "o tipo de veículo utilizável se modifica". Utiliza-se então de um outro corpo - o mental.
Corpo Mental
  Ao descrever suas primeiras experiências no mundo espiritual, André Luiz (Nosso Lar, 1956:81) permite que se deduza a existência de um outro corpo ligado ao corpo astral. Quando sua mãe o visitou, estando ele em tratamento no Ministério do Auxílio, necessário lhe foi passar pelos Gabinetes Transformatórios do Ministério da Comunicação. Por outro lado, como vivesse ela em zona superior, só pôde visitá-la durante o sono, e, para tanto, teve que aproveitar o ensejo do repouso após o serviço nas Câmaras de Retificação, quando se desprendeu em outro corpo (mental), amparado por Espíritos amigos (idem:172 e 175): "O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Eu sabia perfeitamente que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação, na colônia espiritual Nosso Lar, e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso" (idem:172). André Luiz faz uma referência expressa ao corpo mental em Evolução em Dois Mundos {1959:25), afirmando que o perispírito ou corpo espiritual "retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação", isto é, "o envoltório sutil da mente". Esclareceu André Luiz que, na falta de terminologia adequada, ficava impossibilitado de defini-lo com maior amplitude de conceituação, além da que tem sido utilizada pelos pesquisadores.
Corpo Causal
  André Luiz (Nosso Lar 1953:59). reporta-se ainda ao corpo causal, como sendo a "roupa imunda", "tecida por nossas mãos, nas experiências anteriores". Assim sendo, verificamos que o corpo causal é o ponto de registro, o banco divino, onde se encontram os nossos débitos e os nossos créditos, e que se, presentemente, é ainda uma roupa imunda, isto ocorre por desídia nossa, pois a tarefa reencarnatória se destina a "nos purificarmos pelo esforço da lavagem", tarefa que, na maior parte das vezes, não empreendemos. As explicações são do Espírito Lísias, visitador dos serviços de saúde: "Imagine, explicava Lísias, que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fardo sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa é o corpo causal, tecido por nossas mãos nas experiências anteriores" (idem). Os hindus denominam-no kâranakosha (corpo causal) ou anandamaykosha (corpo de bem-aventurança), o corpo de luz, naturalmente porque se reportam a ele quando devidamente depurado.
  Essa pluralidade de corpos invisíveis corresponde ao que sabemos a respeito através de outras religiões e filosofias. A sequência de rarefação dos corpos torna-se compreensível, se atentarmos para a diversidade de planos espirituais, bem como para o fato de que as zonas espirituais devem ser formadas de distintas matérias e que os corpos devem ser consentâneos com elas. A questão que se coloca, é de saber-se o motivo pelo qual André Luiz teria preferido utilizar o termo perispírito para designar apenas um desses corpos, sem dar, portanto, um sentido amplo ao mesmo. Provavelmente, porque o que se designa por perispírito é exatamente o corpo astral que se revela nos lances da clarividência, e por ser essa a matéria sutil com a qual o Espírito se individualiza após a perda do corpo físico nas zonas mais próximas à Terra. Qualquer que seja a preferência na utilização da terminologia, é necessário estar atento, na leitura de André Luiz, para essa particularidade, bem como deixar claro, em qualquer exposição, o significado do termo.
Correspondências
  Sabemos que os fenômenos psicológicos exigem uma base física no organismo humano, isto é, eles se produzem em nosso nível de ação ancorados pelo sistema nervoso central e periférico. Do mesmo modo, existem nos vários corpos espirituais sistemas próprios equivalentes que sustentam esses fenômenos. Registrando as palavras do assistente espiritual Calderaro, André Luiz escreve: "Todo campo nervoso da criatura constitui a representação das potências perispiríticas, vagarosamente conquistadas pelo ser, através de milenios e milenios" (No Mundo Maior, 1951:49). O sistema nervoso é um ponto de contato entre o perispírito e o corpo físico (idem:55), ele "mais não é do que a representação de importante setor do organismo perispirítico" (idem: 164). É no sistema nervoso e no sistema hemático que possuímos as duas grandes âncoras do organismo perispiritual com relação ao físico (conf. André Luiz – Missionários da Luz, 1949:221; Evolução em Dois Mundos, 1959:202). Não há de causar admiração o fato de haver, no perispírito, sistemas correspondentes aos do organismo físico, desde que, afinal, aquele é que modela este. André Luiz destaca-os como responsáveis pelo campo eletromagnético do corpo espiritual: "(...) o nosso corpo de matéria rarefeita está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado" (Entre a Terra e o Céu, 126).
OS CHACRAS
Terminologia
  Estabelecida a pluralidade de corpos, verificamos que esses corpos são dotados de centros de força, com funções distintas quer no que se refere à transferência de energias ligadas ao plano físico quer no que se refere ao desenvolvimento espiritual. Eles são denominados de chacra (roda) e de padma (lótus) na literatura hindu. Há quem faça distinções: para uns, a designação de lótus deve ater-se ao chacra coronário; outros denominam de chacras o estado dinâmico do centro e de lótus o estado estático. André Luiz denomina-os de centros de força, centros perispiríticos, centros vitais. Estudando-os psicologicamente, Jung afirmou tratar-se de verdadeiros centros de consciência.
  Esses centros existem em todos os corpos, e não só no duplo etéreo e no corpo astral. Por isso, é necessário estarmos atentos ao estudar o assunto, ou fazermos uma observação clarividente, para este dado. Só para exemplificar, reparemos que Leadbeater (1974) estuda os centros de força do duplo etéreo, enquanto André Luiz refere-se sempre aos do corpo astral. Motoyama (1981:239) também opina no sentido de que algumas diferenças na percepção espiritual dos chacras entre Leadbeater e Satyananda Saraswati devem ter ocorrido em face de estarem a referir-se a corpos espirituais distintos. O mesmo ocorre com o Swami Sivananda que se refere ao corpo astral (1986:49 e 62). Há necessidade ainda de advertir para o fato de que André Luiz utiliza o termo centros vitais, não para denominar o conjunto de chacras do duplo etérico, que seriam propriamente centros vitais, mas, sim, os referentes ao corpo astral, referindo-se assim à vitalidade num sentido amplo, e não somente físico.
Existência dos Chacras
  Ainda que toda literatura clássica do hinduísmo refira-se aos chacras, encontramos autores que lhes negam a realidade. Mas é necessário saber o que desejam dizer, antes de tomar-lhes ao pé da letra as afirmativas. Gopi Krishna, por exemplo, sustenta que durante a sua fantástica experiência de despertamento da kundaliní (ou kundalí) não se deparou com os chacras. Seria apenas uma sugestão feita pelos mestres aos discípulos a fim de ajudá-los na concentração (1993:254). Mas, da leitura do texto, pode verificar-se que ele observou os chacras e os descreveu como "brilhantes centros nervosos", que sustentam "discos luminosos girando, semeados de luzes, ou uma flor de lótus em completa florescência, reluzindo aos raios do sol" (idem:255), "formações luminosas e discos incandescentes de luz, nas diversas junções nervosas ao longo da medula espinhal" (idem). Quando ele diz não ter encontrado os chacras, o que realmente quer dizer é que não os viu na forma descrita pelas escrituras hindus, em que cada um deles é descrito de forma simbólica como contendo no seu interior uma forma geométrica (yantra), um animal (nos quatro primeiros), duas divindades (uma masculina e outra feminina) e uma letra do sânscrito (bijâ mantra), contrariando autores que sustentam que, à visão espiritual, surgem nos chacras as referidas letras, como por exemplo, Sivananda (1986:62) ("As letras existem nas pétalas de forma latente e podem manifestar-se e sentir-se durante a concentração e a vibração das nadis") e Motoyama (1981:238s). Em nossas experiências, têm surgido, algumas vezes, letras sânscritas sem que os videntes tenham conhecimento do assunto e sem que, por isso, pudessem saber do que realmente se tratava. Não nos é possível entrar aqui com mais detalhadas referências, para as quais nos faltaria espaço. (A questão é também discutida por Ken Wilber no artigo Are the Chakras Real?, recolhido na obra coletiva editada por John White -Kundaliní: 1990:120-131)
  Limitamo-nos, no que se refere à sua identificação através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, a destacar que não somente André Luiz se refere aos centros de força. Encontramos referência aos mesmos em mensagem de Romeu A. Camargo, recolhida no livro Falando à Terra (1957:84. A 1ª edição é de 1951), que reproduz as palavras de Lameira de Andrade (Espírito): "Nosso corpo espiritual encerra também potentes núcleos de energia, entretanto, não vivem expostos à visão externa, qual acontece ao veículo de carne. São centros de força, destinados à absorção e à transmissão de poderes divinos, quando conseguimos harmonizá-los com as grandes leis da vida. Localizam-se nas regiões do cérebro, do coração, da laringe, do baço e do baixo ventre. Não importa que a ciência do mundo os desconheça por enquanto. O conhecimento humano avança por longos e pedregosos trilhos" (vide sobre viciação dos centros por quadros mentais à p. 85 do mesmo livro).
  Outro Espírito que faz referência aos centros de força é Ernesto Senra, descrevendo-os como desempenhando "a função de baterias" para o condensador, representado pelo corpo espiritual (IP 1956:136s). Emmanuel também a eles se reporta no livro Caminhos de Volta (1975:77).
Nadis - O Sistema de Canais Energéticos
  Existe nos corpos espirituais uma série de filamentos formando uma rede à semelhança do sistema nervoso. Denominam-se nadis (f.) (literalmente canais, vasos, veias, artérias e também nervos. Conf. Mircea Eliade - 1971:229; John Davidson, 1988:92); são condutoras de energia e existem aos milhares. Equivalem no plano espiritual à rede nervosa, espalhada pelo organismo. Seu número, no entanto, é incerto, porque nem as escrituras hindus certificam um número exato. Uns livros falam de 550.000, outros de 720.000, etc., mas parece que a maioria dos autores se inclina para um total de 72.000, e há quem afirme que tais números são esotéricos. Algumas delas merecem destaque - Sushumnâ, Idâ, Pingaiâ, Gandhâri, Hastajihv, Kuhu, Sarasvati, Púsha, Sankhiní, Payaswini, Varuni, Alambhushâ, Vishvodhara, Yashasvini.
  Sushumnâ, Idâ, Pingaiâ, são as três nadis mais importantes. Sushumnâ corre ao centro, na localização da coluna vertebral, enquanto que Idâ se ergue a seu lado esquerdo e Pingaiâ pelo seu lado direito, cruzando-se ao longo do trajeto em direção ao cérebro. Motoyama (1981:143-145) afirma, no entanto, ter chegado à conclusão de que esses dois últimos se erguem em linha reta ao lado do primeiro, julgando tratar-se da segunda linha do meridiano da bexiga. Além disso, acentua que os livros clássicos não se pronunciaram a respeito (no entanto, o Shiva-Svarodaya, no sutra 34, faz referência a duas artérias que correm enviesadas, uma de cada lado do corpo). Em algumas observações em nosso grupo, os videntes observaram o cruzamento das nadis, como se fossem uma espécie de losangos à semelhança também do caduceu do deus Mercúrio. Esses pontos de encontro formam-se exatamente nos chacras ao longo da coluna vertebral. Transcreveremos duas observações feitas por ME:
"(...) energia foi subindo, não na parte central, mas nas partes laterais, como se fossem losangos; elas saíam, faziam o trajeto de forma circular e fechavam nas pontas, abrindo-se outra vez, formando uma espécie de losangos até a nuca" (observação de ME, durante um passe dado em outro médium, em 18/ 10/89).
"(...) comecei a ver a região da coluna vertebral do médium como se tivessem duas enervações que não subiam retas, subiam sinuosas, e eu comecei a ver sucessivamente todos os chacras (do médium? do Espírito?)" - registro do dia 30/11/88.
  As escrituras hindus costumam referir-se a três nadis que se encontram dentro da Sushumnâ: Vajna, Chitrini e Brama, como se fossem bainhas uma das outras. A mais interior forneceria a via para a energia denominada kundaliní.
  Em suas investigações, Motoyama (1981:27; vide ainda Motoyama, 1972 e Motoyama and Brown, 1978) concluiu que as nadis parecem ser essencialmente os conhecidos meridianos da acupuntura chinesa, opinião com a qual parece concordar Michel Coquet (1982:41s). Aliás, o conhecimento a respeito provém da índia, somente que na China desenvolveu-se mais a parte referente à Medicina, enquanto no país de origem a investigação é mais ligada ao desenvolvimento espiritual. Richard Gerber (1992:106), ao contrário, distingue entre nadis e meridianos: "Os (sic) nadis são constituídos por delgados filamentos de matéria energética sutil. São diferentes dos meridianos, os quais, na verdade, têm uma contraparte física no sistema de dutos meridianos. Os (sic) nadis representam uma extensa rede de energias fluidas que se compara, em abundância, aos nervos do corpo". A opinião de Motoyama, porém, deriva dos experimentos com o Aparelho para medir as condições funcionais dos meridianos e seus correspondentes órgãos internos (AMI). Essa divergência encontra base na própria natureza da nadi: ela seria um canal por onde fluiria o prana ou fluido vital (Swami Sivananda, 1986:49), ou apenas uma corrente de energia que circula pelo corpo? (Tara Michael, 1979:32; Lilian Silburn, 1983:42 nota).
Local de Origem das Nadis
Inexistindo unanimidade entre os autores e escrituras sobre o local de origem das nadis, vamos relacionar os pontos indicados:
a)      muladhara (centro básico);
b)      kandasthana (kanda = raiz + sthana = base) ou kanda, ou kandayoni (yoni = matriz);
c)      manipura (chacra umbilical; NS Subrahmanian (trad.) Yoga-shikka Upanishad, 1990:421; Alain Daniélou (trad.) LeShiva Svarodaya, 1982:18).
  Grande número de autores indica o centro básico como origem de todas as nadis. Essa preferência fortalece-se ao indicar-se as raízes das três principais - a do lado direito, o do lado esquerdo e a do centro. Na visão mediúnica, as observações têm registrado o ponto de início das energias à altura do chacra básico, até o momento.
  Quanto ao kanda, sua localização é objeto de discordância. Swami Sivananda situa-o entre o ânus e os órgãos genitais, exatamente sobre o centro básico. Segundo ele (1986:50), a totalidade das nadis têm aí sua origem, esclarecendo que também se pode dizer que o kanda se localiza no ponto onde o canal central (sushumnâ) está unido ao básico (muladhara). A esse centro corresponderia no corpo físico a cauda equina ou filum terminale (1986:53). Mircea Eliade, denominando-o de Yonishtana, localiza-o entre o centros básico e o genital (1971:235). Kalicarana, citado por Tara Michael (1979:84), descreve-o no mesmo local: "dois dedos acima do ânus e dois dedos abaixo do pênis está a raiz bulbosa, tendo quatro dedos de largura, semelhante a um ovo de pássaro" (conf. ainda -Svâtmârâma - Hatha Yoga Pradipika, cap. 3, sutra 113. S. Subrahmanian (trad.) - Sandilyopsanishad, 1990:452)3. Há quem o situe, ao contrário, à altura do manipura. O Siva-Svarodaya, sutra 32, assinala que "próximo ao umbigo se encontra um centro em forma de bulbo. De lá partem as 72.000 nadis que se espalham por todo o corpo". Motoyama (1981:24), por exemplo, identifica-o ao ponto shinketsu (shencheh, CV8), importantíssimo em acupuntura, afirmando que o kanda é "a região esférica em volta do umbigo, incluindo o chacra manipura" (gástrico. Vide ainda pp. 136, 139, 140, 141 e 155). A Shri ]abala Darshana Upanishad situa-o de 18 a 20 cm acima do centro básico, tendo o umbigo por centro. A Yoga-shikha Upanishad descreve-o, por sua vez, como o nadi-chacra - vilambini situado à altura do umbigo, denominado círculo do umbigo, semelhante a um ovo e que se entrelaça com idâ e pingalâ (Subrahmanian,, idem:1990:421; Motoyama, 1981:136). Em seu comentário ao Hatha Yoga Pradipika, o Swami Muktibodhananda Saraswati (1985:475) parece solver a contradição, afirmando que "o kanda, tendo nove polegadas de altura, termina no nível do manipura", do umbigo, portanto.
  Anotemos finalmente que a Chhandoghya Upanishad situa no coração o início da nadi central - sushumnâ. Essa localização coincidiria em parte com a opinião de Motoyama (1981:141s), que opina ser essa artéria o meridiano do Vaso Governador: inciando-se no cóccix, segue esse meridiano na direção da cabeça, mas ao invés de concluir o trajeto do chacra coronário, termina no lábio superior. Consultando-se, porém, as lições de Ramana Maharshi (1972:527 - item 549), encontramos uma observação aclaradora: o canal central (sushumnâ) teria um prolongamento que terminaria no coração - a nadi jiva.
Nadis, Prana e Kundalini
  A energia que corre pelas nadis é denominada de prana em sentido amplo. A literatura hindu costuma reconhecer cinco espécies de Prana (sentido estrito; em sentido amplo é igual a fluido cósmico) de acordo com os órgãos sobre os quais atuem - prana (sentido estritíssimo), samana, apana, udana e vyana. Mas existe uma modalidade de energia que estaria ligada aos processos de desenvolvimento espiritual, incluindo o êxtase, energia esta que corre pelo interior da Sushumnâ (de acordo com os yogues, pela Brama Nadi, que se encontra encapsulada por esta). Essa energia é conhecida com o nome de kundalini.
  Devemos notar que o confrade Jacob Melo (1992:104) fez uma referência à kundalini em sua obra sobre o passe; suas conclusões, porém, a nosso ver, são incorretas. Segundo ele, haveria um choque entre a kundalini e o Evangelho de Jesus, porque recomenda a acentuação no esforço moral da criatura, como se este fosse algo oposto à concentração e meditação ou se o despertamento da kundalini e ativação dos chacras só ocorresse com tais práticas, aliás sempre recomendadas por Espíritos de escol. A kundalini em realidade não é mais que uma espécie de prana com acesso pelos canais centrais do corpo espiritual, e prana não é outra coisa que o fluido vital da literatura dos magnetizadores e da espírita. A denominação distinta provém apenas dos estudos e da língua em que são expressos. A kundalini, por isso, não poderia ser mais perigosa do que o fluido vital ou do que a energia psíquica de C.G. Jung, nome este que preferiu utilizar, finalmente, em substituição à libido de Freud, cujo emprego conduzia a uma associação exclusiva com a energia sexual. Em realidade, como anotou Jung, essa energia psíquica é única, e não só de origem sexual, é ela que domina os processos psíquicos do homem. Pois bem, essa energia é o prana, é a kundalini, é o fluido vital, correndo pelo Canal central, correspondente ao epêndima, o canal existente na medula espinhal e por onde flui o líquido céfalo-raquidiano. A kundalini é a mesma energia conhecida na medicina e prática de meditação do extremo oriente, como Chi ou Ki. (Naturalmente que, na acupuntura e outros tratamentos orientais, ela deve estar sendo considerada em seu nível mais próximo do corpo físico: o etérico). A energia psíquica percorre os centros de força, despertando-os.
  Existem técnicas que são utilizadas, mas qualquer conhecedor do assunto sabe que elas são apenas simples exercícios de controle da mente, que não são os únicos métodos de desenvolvimento espiritual, que elas não dispensam o desenvolvimento moral da criatura, em outras palavras, sua evangelização ou espiritualização. O que ocorre, é que, e já destacamos, como existem bases físicas dos fenômenos e processos psicológicos, existem bases perispirituais para os processos de desenvolvimento espiritual, e essas bases são afetadas quaisquer que sejam os processos adotados, independentemente de religião ou de filosofia adotada. Aliás, assinalemos mesmo que as próprias ondas cerebrais são afetadas, apresentando padrões distintos de acordo com o caminho espiritual seguido, como comentamos no livro Pérolas no Fio (Souza, 1991). Calderaro (Espírito), segundo os registros de André Luiz, destaca este fato, experimentalmente comprovado, afirmando também que "o encéfalo de um santo emite ondas que se distinguem das que despede a fonte mental de um cientista". (No Mundo Maior:1951:50). A afirmação da existência da kundaliní não se apoia somente na autoridade dos grandes pesquisadores do Espírito, mas nas observações mediúnicas através da vidência. Transcreveremos alguns exemplos:
  "Eu vi no médium, subindo à altura da coluna, embora não visse esta, um tubo grosso por todo o trajeto da cervical, com cor mais ou menos rosada, misturada, entre o rosa e o vermelho. Este tubo quando ia formando-se já ia colorindo-se; ao chegar ao tórax do médium, tomou-o completamente já com a cor de vinho" (a visão foi perdida, explica ME, porque desejou ver o coronário antes que o Espírito controlador houvesse avisado. Registro sem data).
  Há casos em que não somente o fluido vital se ergue através da coluna, como energias superiores descem pelo mesmo canal central. Eis um registro feito por ME em 12/4/89:
  "Ao olhar para o médium, eu tive uma visão sensacional. Eu vi uma entrada de energia, isto é, uma projeção densa de luz, como se estivesse entrando pelo chacra coronário do médium e percorresse todo seu corpo pela coluna vertebral, chegando até ao chacra básico, fundamental, e era de tal forma intensa a luz que era como se estivesse vendo o médium todo transparente por dentro; na parte da cintura para baixo, a luz teve uma intensidade tão grande, tão grande, que chegaram a doer meus olhos; era uma luz totalmente dourada, e quando chegou na base da coluna com essa intensidade aumentada, então houve uma mudança do dourado para o alaranjado e ficou mais vermelho, e misturou-se o dourado com o vermelho e subiu de vez e, à proporção que a luz subia, ia ficando menos vermelha até sair pelo centro coronário, chegando a ultrapassar a própria cabeça".
  Em 6/6/90, foi feito um registro semelhante, embora não idêntico, por ME: Ao observar o médium pelas costas, "parecia haver dois tipos de energia circulando o corpo do médium. Enquanto, mais ou menos à altura do plexo solar, ou um pouco abaixo, subiam ondas coloridas, desciam pelo interior da garganta substâncias transparentes luminosas que iam fundir-se no ponto por onde subiam as outras cores".
  Há registros com ME, DSF, JM sobre a "energia formigante" que se eleva no local do epêndima, no centro da coluna vertebral, a partir do cóccix. Essa energia pode espalhar-se pelo corpo, sendo sentida como se uma corrente elétrica descarregasse através dos braços. JM anotou que sentiu como se algo gelado passasse pela sua coluna, momento em que sentiu tontura (registro em 18/10/89).
  Devemos tão-só acrescentar a respeito que existem duas teorias acerca da kundalini e mesmo dos chacras:
a)      uma concepção não-física, é defendida pela maioria dos autores;
b)      a concepção biológica é sustentada por Gopi Krishna (a respeito, consulte-se Darrel Irving: 1995:68-73).
  É possível que a discordância se deva ao fato de que as experiências deste foram tão contundentes e afetaram diretamente seu corpo físico e/ou ao fato de estarem relacionadas predominantemente com o corpo etérico, que, como se sabe, é realmente um corpo físico, embora invisível.
  Gostaríamos, apenas, de acrescentar que não enxergamos, em Kardec, nenhuma distinção entre princípio vital e fluido vital. Essa nomenclatura não foi criada pelos Espíritos nem por Kardec, mas tomada dos magnetizadores, entre os quais Kardec se inscrevia. Naturalmente, um teórico poderá estabelecer distinções, mas, ao interpretar o pensamento kardecista, evidentemente, parece-nos, não pode encontrar nele apoio. Kardec, ao registrar o ensino dos Espíritos, deixa claro a equivalência na utilização dos termos: "Aqueles que a (alma) colocam no que consideram como o centro da vitalidade a confundem com o fluido vital ou princípio vital" [Livro dos Espíritos/146, 2" parte; parêntese e destaque nossos).
  Podemos verificar também em Livro dos Espíritos/65 a equivalência colocada na pergunta e na resposta: "O princípio vital reside em um dos corpos que conhecemos? R. Ele tem sua fonte no fluido universal; é o que vós chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. Ele é o intermediário, o laço entre o espírito e a matéria", (destaque nosso) Na resposta à questão de n° 70, temos que "a matéria inerte decompõe-se e vai formar novos corpos, e o princípio vital retorna à massa" (o fluido, portanto). Já na Introdução de O Livro dos Espíritos, ao fixar-se nas questões terminológicas, Kardec expõe o duplo entendimento que tinham seus contemporâneos sobre o princípio vital: "Para uns, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se acha em certas circunstâncias dadas; segundo outros, e é a ideia mais comum, ele reside num fluido especial, universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como nós vemos os corpos inertes absorverem a luz; este seria o fluido vital, que segundo certas opiniões, não seria outro que o fluido elétrico animalizado, designado também com o nome de fluido magnético, fluido nervoso, etc."
  Pode verificar-se que na resposta à questão de n° 63, Kardec reuniu duas respostas dadas à questão de n° 26, da edição de 1857, pelos Espíritos, em que os dois entendimentos são acatados. (Vide ainda Gênese/X, 16). É de notar-se que Jacob Melo desenvolveu um belo esforço no sentido de criar uma simetria, em face da referência no início de O Livro dos Espíritos ao espírito (sentido amplo) como princípio inteligente do universo (n° 23) e aos elementos gerais do universo - espírito e matéria (n° 27).
  Entretanto, pode ver-se que, no seu esquema (ob. cit.:63), teve ele de utilizar como sinônimos os termos princípio material e fluido universal, quando os Espíritos, na mesma questão de n° 27, distinguem matéria e fluido universal, dizendo: "Ainda que, de um certo ponto de vista, possa ser classificado como elemento material, dele se distingue; se ele fosse positivamente matéria, razão não haveria para que o Espírito também não o fosse. Ele está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido como matéria é matéria (...)". Ele "é o princípio sem o qual a matéria estaria em estado de perpétua divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá". Naturalmente, é lícito, ao investigador, tomar aqueloutro ponto de vista deixado de lado na resposta dada e construir uma nova visão a partir do fluido universal, com nova terminologia, o que evidentemente é outra coisa.
FUNÇÕES DOS CHACRAS
a)      Centros de controle e conversão de energia.
  Os chacras desempenham a função de condensadores de energia e de transferidores de energia de um corpo a outro. Satyananda Saraswati (1984:122s) destaca essa função dos chacras, ensinando a respeito:
  "Além de funcionar como centros de controle, os chacras trabalham como centros de permuta entre as dimensões física, astral e causal. Por exemplo, através dos chacras, a energia sutil das dimensões astral e causal pode ser transformada em energia para a dimensão física. Isto pode ser visto em yogis que têm sido sepultados sob a terra por longos períodos de tempo". E, exemplificando, lembra ele que os yogis que se deixam enterrar vivos, durante muito tempo, para experiências, conseguem conservar a vida, através da ativação do chacra laríngeo (vishuddhi), que controla a fome e a sede. Os chacras podem operar a conversão de energia física em energia sutil, bem como em energia mental dentro da dimensão física. Os chacras funcionariam:
  • como centros de transferência e conversão de energia entre duas dimensões vizinhas;
  • como conversor de energia entre o corpo físico e a mente.
  A ativação e despertamento dos chacras permitiriam o conhecimento e a entrada em dimensões mais altas, conferindo poder para suportar e dar vida às mais baixas dimensões.
  Essa conversão de energia é também destacada por Vivekananda. O homem tende a lançar a energia sexual originária da ação animal para o cérebro a fim de armazená-la ali em forma de energia espiritual (Ojas). "Todos os bons pensamentos, toda oração converte uma parte daquela energia em Ojas e ajuda a dar-nos poder espiritual" (1985:46).
b)      Centros de consciência.
  Os chacras, além de centros energéticos, são centros de consciência. Geralmente, pensamos no cérebro como único centro onde a nossa consciência está ancorada. A Filosofia Yogue sabe que esta não é a única forma de consciência. Os chacras são penetrados por energias sutis e cada um desses pontos torna-se sede da consciência, sede da alma. Essa visão psicológica dos chacras como centros foi admitida por Jung não só em seus Fundamentos de Psicologia Analítica (1972:26), como em conversa com Miguel Serrano (1970:71. Conf. Jung, 1996:85). Segundo Jung, o centro da consciência sofreu variações na história da humanidade, chamando a atenção que, ainda hoje, os índios Pueblos situavam no coração o centro de consciência (1972:6s). M.Vera Bührmann (cit. por Dossey, 1989:85) reproduz a assertiva de um nativo da tribo xhosa, da África do Sul, Mongezi Tiso: "Os brancos pensam que o corpo todo é controlado pelo cérebro. Temos uma palavra, umbelini [os intestinos]: estes é que controlam o corpo. Meus umbelini me dizem o que vai acontecer: você nunca experimentou isso?". Jung chegou mesmo a indicar o grau de consciência que teria cada um deles, como veremos abaixo.
  A referência aos chacras como centros de consciência, permite-nos entender melhor uma passagem de O Livro dos Espíritos, que, literalmente entendida, já se mostrava defasada na época de sua recepção. Na questão de n° 146, Allan Kardec registrou o ensinamento dos Espíritos sobre a sede da alma:
"146 - A alma tem uma sede determinada e circunscrita no corpo? R. - Não, mas ela está mais particularmente na cabeça dos grandes gênios, em todos aqueles que pensam muito, e no coração naqueles que sentem muito e cujas ações dizem respeito a toda a humanidade. - Que se deve pensar da opinião daqueles que colocam a alma num centro vital? R - Quer dizer que o Espírito habita de preferência nessa parte do vosso organismo, pois que ali desembocam todas as sensações. Aqueles que a colocam no que eles consideram como o centro de vitalidade a confundem com o fluido ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma está mais particularmente nos órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais."
  Modernas pesquisas estão a indicar a existência de mais de um cérebro. Além do cérebro anatômico, encerrado no crânio, existe um outro cérebro funcional, constituído de tecidos e substâncias que desempenham funções semelhantes às daqueloutro. O sangue que percorre todo o organismo produz substâncias idênticas às produzidas pelo cérebro anatômico, entre as principiais endorfinas, analgésicos naturais, possuindo as suas células centros receptores de hormônios e substâncias químicas, idênticos aos que o cérebro possui.
  Por outro lado, substâncias que pareciam ser exclusivas do trato intestinal G-I, foram descobertas também no cérebro anatômico: o polipipeptídeo intestinal vasoativo (PIV), a colecistoquinina (CCK-8), a gastrina, a substância P, a neurotensina, encefalinas, a insulina, o glucagon, a bombesina, a secretina, a somatostatina, o hormônio liberador de tirotrofina (IIIT) etc. (vide Larry Dossey, 1989:87).
  Dossey reporta-se às pesquisas pioneiras de Cándale B. Pert, assinalando que "cada sítio receptor que ela tem observado no cérebro também é encontrado nos monócitos, um tipo de célula branca do sangue, que tem um papel fundamental no sistema imunológico" [idem:86). Além disso, ela verificou que certas substâncias químicas que afetam a emoção também controlam o trajeto e a migração dos monócitos.
  A equipe de Pert notou que essas células do sistema imunológico não possuem apenas receptores para vários neuropeptídeos que controlam o estado de espírito no cérebro como também sintetizam essas substâncias; e que todo o revestimento do trato intestinal, do esôfago até o intestino grosso, está forrado de células que contêm neuropeptídeos e seus receptores. "Parece-me inteiramente possível para mim" diz Pert, "que a abundância de receptores seja a razão por que o grande número de pessoas sente emoções nos intestinos - elas têm sensações nos intestinos'" (idem:86). Há muito mais, e o livro de Larry Dossey deverá ser consultado. Mas o que terá isto a ver com o duplo etérico, o corpo astral etc.?
  É preciso não esquecer que o reconhecimento de um cérebro funcional, extracraneano, conduz-nos a estabelecer não somente uma mente não-localizada, como ainda mais a reconhecer paralelamente a função dos chacras como centros de consciência. Isto ainda fica mais claro quando afirma André Luiz que "o corpo espiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue" (Obreiros da Vida Eterna:210). Essa lição coincide com a de Rudolf Steiner, o criador da Antroposofia: "o sangue é, praticamente, o fluido vital" {1971:15); "a expressão do corpo etérico individualizado" {idem:31). Sustenta Dossey (1989:82) que "devemos considerar que onde há sangue, há também cérebro". Ora, onde há sangue, há perispírito e os centros de força que o constituem. Os problemas físicos e psíquicos refletem situações dos chacras.
CONSTITUIÇÃO DOS CHACRAS
  Do mesmo modo que os plexos são formados pela concentração da rede nervosa, os chacras ou centros de força o são pela concentração das nadis. A Mundaka Upanishad define o chacra como o local "onde as nadis se encontram como os raios no cubo de uma roda de carruagem". Segundo Michel Coquet (1982:47s) os chacras maiores seriam o resultado da junção de 21 nadis, os menores seriam o resultado da junção de 14 ou de 7 nadis. Tara Michael (1979:33), todavia, entende que a disposição das nadis está relacionada com o número de pétalas que eles apresentam: o número e a posição das nadis que circundam o chacra seria responsável pelo número delas (conf. Kurt Friedrichs, 1983:93; Sivananda, 1986:62).
ENUMERAÇÃO DOS CHACRAS
  Em geral, costuma-se fazer referência a sete ou oito chacras. São os chacras maiores, mas não únicos. O destaque dá-se porque eles estão envolvidos com o desenvolvimento espiritual do indivíduo (com exclusão do mesentérico), e ficam ao longo da coluna vertebral. No entanto, existem muitos outros, inclusive abaixo da coluna vertebral, como os situados na planta dos pés (atala), no dorso dos pés (vitala), na articulação superior da perna com o pé (nitala), no joelho (sutala), na parte inferior da coxa (mahatala); parte média da coxa (talatala) e parte superior da coxa (rasatala) (Ada Albrecht (trad.) - Uttara Gita, cap. II: vers. 26-31). Satyananda Saraswati apresenta uma classificação com alguma diferença: omite o nitala e coloca patala abaixo de atala, completando o conjunto de sete chacras abaixo do básico.
  Enumeraremos os sete chacras maiores e suas denominações em sânscrito.
  Embora essas sejam as denominações em sânscrito mais usadas, não são as únicas. Se limitamo-nos a essas, fazemo-lo por serem mais conhecidas, como ilustração, pois os centros já possuem denominação em língua portuguesa.

  Além desses, é importante destacar o chacra mesentérico (esplênico ou do baço), em geral omitido pela literatura hindu, Esse chacra, apesar de sua importância para a saúde e para o sistema imunológico, não tem especial função no sistema de desenvolvimento espiritual, sendo, por isso, possivelmente omitido naquelas escrituras. Leadbeater refere-se à existência de um segundo chacra secundário à altura do coração, abaixo do cardíaco, mas Aurobindo o nega peremptoriamente: "Nunca ouvi falar de dois lótus no centro do coração; mas ele é a sede de dois poderes: na frente, o vital mais alto ou ser emocional, aliás, e escondido, o ser psíquico ou alma" (1973:207).
  Existe uma certa diferenciação no que diz respeito à enumeração dos principais chacras pelos vários autores, o que não quer dizer que eles sejam designados ao alvedrio de cada um; pelo contrário, é baseada em distintas razões. Faremos algumas referências.
  Leadbeater põe de lado o centro genésico ou sacro por "entender que o despertamento deste centro deve considerar-se como uma desgraça pelos graves perigos a ele relacionados" (1974:22 nota), preferindo estudar o esplênico ou mesentérico. Edgard Armond (1978:49, 143) segue-lhe as pegadas com a mesma justificativa, a que acrescenta o fato, segundo sustenta, de ser de diminuta influência sua aplicação nos passes. Sem entrar em maiores detalhes sobre o assunto, deve advertir-se, porém, no que se refere aos passes, ser imprescindível que o médium passista tome conhecimento dele, pois não pode descuidar-se por causa da impregnação possível de energias de baixo teor a necessitarem dispersão.
  Na concepção budista, o centro sagrado ou genésico não é considerado como um centro independente, porém é visto como combinado com o centro que fica mais em baixo - o fundamental ou básico. No Yoga tibetano, por outro lado, o centro frontal e o coronário são considerados como sendo um só e assim nomeados nas escrituras (Govinda, 1983:151s). A escola japonesa Shingon omite o centro sagrado e indica o centro das espáduas (esse centro já foi observado, em nosso grupo, no dia 22/11/89) e os dois centros situados à altura dos joelhos (Coquet, 1982:14s). O Shat-chakra-nirupana não considera o coronário como simples chacra, mas o coloca em outra ordem mais elevada. O Trika admite somente cinco chacras principais (Silburn, 1983:42). Satyananda Saraswati indica oito centros, incluindo, além dos sete tradicionais, o bindu, "localizado atrás no alto da cabeça, onde os brâmanes hindus colocam um topete de cabelo". Essas diferentes especificações dizem respeito a diferenciações quanto ao sistema utilizado.
  Na literatura proveniente do mundo espiritual, o Espírito White Eagle, guia espiritual da famosa médium Grace Cooke, enumera sete chacras principais, incluindo o esplênico, omitindo, porém, o centro básico como centro independente, indicando porém o sacro a que denomina de genital ou kundalini (citado por Grace Cooke 1973:40). André Luiz segue o mesmo roteiro: não menciona o chacra fundamental e inclui o esplênico (Entre a Terra e o Céu, 1956:127s), e ao frontal, denomina-o de cerebral (idem:128; Evolução em Dois Mundos, 1959:27)" . Não se segue disso que esses Espíritos neguem a existência do chacra básico; eles o devem encarar como formando um sistema juntamente com o genital que lhe fica logo acima. Esta ligação é tão profunda que, muitas vezes, indica-se o básico como responsável pelos impulsos sexuais, enquanto os impulsos de ódio, medo, ira e violência são relacionados ao genital (entre outros, Osho, 1996:87s e 88s). Satyananda Saraswati também relaciona o chacra básico com o sexo, considerando o genésico como o "lar do inconsciente" (1984:148s e 155s).
  Chacras existem, situados bem próximo do centro frontal, geralmente não nomeados pelos autores, tais como o mana chacra e soma chacra, relacionados, segundo Mircea Eliade, com as funções intelectivas e certas experiências yôguicas; além destes, nas mesmas proximidades, encontra-se o karana rupa.
  Como nos referimos, Jung, que considerava os chacras centros de consciência, indicou o grau de envolvimento psicológico de cada um deles. Pierre Weil (1976:105) recolheu na síntese publicada no exemplar datilografado da Biblioteca de Jung:
  • Fundamental: Mundo dos instintos. Consciente
  • Sacro: Entrada no inconsciente. Novo nascimento. Batismo
  • Umbilical: Emoções. Paixões. O Inferno
  • Cardíaco: Começo do Self. Sentimento. Pensamento e valores. Individuação
  • Centro laríngeo: Reconhecimento da independência da psique. Pensamento abstrato. Conceitos; produtos da imaginação
  • Frontal: União do Self no todo, no não-ego
  • Coronário: Nirvana
LOCALIZAÇÃO
  Esses centros de força estão em geral localizados nos locais correspondentes aos plexos, isto é, nos locais em que uma grande quantidade de nervos se reúne. Entretanto, existe um centro que se localiza no topo do cérebro, na parte superior da cabeça, que não está diretamente ligado ao corpo físico por um plexo.
  0 Swami Narayananda (1979:54) afirma, porém, que as diferentes localizações anatômicas não são locais exatos dos chacras, mas só grosseiramente indicam os centros sutis. À visão mediúnica, eles surgem nas regiões geralmente apontadas, mas muitas vezes interligados de tal modo que parecem uma formação abrangendo, por exemplo, o coração e a garganta como se o cardíaco e o laríngeo formassem um só chacra. O quadro a seguir indica as localizações.
APRESENTAÇÃO CLARIVIDENTE

  Quando há anos passados preparávamos uma apostila sobre os Chacras, os Espíritos começaram a dirigir os médiuns na captação visual dos chacras. As visões eram dirigidas por um médium-controlador, amparado por um Mentor, que orientava a investigação. Embora a quase totalidade dos registros fossem obtidos desse modo, a visão (aparentemente) espontânea ocorreu algumas poucas vezes. Os chacras foram observados pelos videntes de duas maneiras:
a)      formando um disco luminoso;
b)      girando vagarosamente, quando então se podia ver uma espécie de pás, como de um ventilador. É interessante anotar que, quando o disco luminoso é observado, os médiuns não conseguem manter a observação por muito tempo e tendem a desprender-se, o que, em geral, ocorre. A nosso ver, essa sensação depende do nível da visão. Quando essa não se aprofunda e o vidente apenas percebe a intumescência à altura do chacra, formada de ectoplasma, a sensação não ocorre, embora possa causar uma grande emoção. Nesse caso, a visão mantém-se no nível do duplo etérico.
  Segundo Barbara Ann Brennan (1990:72 e 74), cada um dos chacras teria uma contraparte traseira emparelhada. Choa Kok Sui (1993:17s) refere-se a chacras dorsais do baço, do plexo solar, do coração, além do que ele denomina de meng mein (sic), também dorsal. Mas, em seguida, ao tratar das terapias, inclui um outro chacra, o posterior da cabeça, na região do occipital (1993:64s, 70). Parece que essas referências a chacras dorsais dizem respeito aos pontos de acupuntura Yu-Chen BL-9, Chi-Chung GO-6, Ming-Men GO-4, Chang-Chiang (Vide Mantak Chia, 1987:66). Esses pontos situados nas costas estão localizados em posições antagónicas a certos chacras, que aliás correspondem a outros pontos de acupuntura, o que leva a crer que sejam eles os chacras situados no duplo etérico. Em nenhuma das observações clarividentes, pôde ser observada a referida contraparte de chacras. Não encontramos ainda dela registro em livros da índia.
  Leadbeater (1974:20), ao descrever o chacra, compara-o ao pecíolo de uma flor que brotasse de um pedúnculo, de modo que a coluna vertebral assemelhar-se-ia a um talo central do qual as flores com suas corolas brotassem. ME registrou que, ao ter-lhe aplicado um passe, pôde observar, no passista, "um pedúnculo que saía da altura da ponta inferior do esterno e que se abria numa circunferência do tamanho de um pires a emitir uma luz azul claríssimo, transparente e luminosa, mas também prateada e alva com prateado. O pedúnculo voltou-se para cima e a luz emitida passou a iluminar o rosto do médium, por baixo do pescoço. Depois, o pedúnculo retraiu-se, tomou a posição horizontal e a luz expandiu-se em minha direção. A circunferência dava a ideia de que formava um funil" (registro em 30/9/92).
  Descreveu Leadbeater, ainda, a existência de uma tela etérica entre os chacras etéricos e os astrais correspondentes, com a função de evitar uma "prematura comunicação entre os planos", que poderia ser prejudicial, permitindo a influência de entidades obsessoras (idem:107s)
Shalila Sharamon e Bodo J. Baginski (1994:26s) indicam diferentes movimentos (horário e anti-horário) para os chacras, variando de acordo com o chacra e o sexo, como indicado no quadro abaixo:
  Sharamon e Boginski escrevem, em seguida, que "O movimento circular dessas rodas faz com que a energia seja atraída para o interior dos chacras. Quando a rotação é ao contrário, a energia é irradiada pelos chacras" (idem:23), o que parece desdizer discriminação do movimento por sexo, pois decorreria disso que existiriam sempre chacras atraindo energias e outros que a irradiariam permanentemente. Essas diferenciações nunca foram notadas nas observações feitas. Às vezes, o chacra inicia uma rotação anti-horário e depois passa a girar no sentido horário. No entanto, recolhemos em Karagulla e Van Kunz (1989:199) a observação, feita pela segunda, de que o chacra sagrado é o único centro em que a direção do movimento é diferente no homem e na mulher: o feminino movimenta-se em sentido anti-horário.

  Muitos autores referem-se a cores fixas para cada um dos chacras. Nas observações feitas pelo grupo, constatou-se que as cores variam, dependendo inclusive do indivíduo que está sendo observado, encarnado ou desencarnado. Por isso, as cores apresentadas por aqueles não conferem entre si nem com as escrituras clássicas.
  Em geral, os autores limitam-se a repetir o número de pétalas (ou pás) dos chacras, conforme os registros existentes na literatura hinduísta, ou seja, o básico teria quatro, o genital - 6; o gástrico - 10; o cardíaco - 12; o laríngeo - 16; o frontal - 2 (Leadbeater escreve que cada uma delas tem 48 ondulações, totalizando 96 ao todo); o coronário - 1.000 (segundo Leadbeater, seriam 960, devendo-se ser acrescidas de mais 12 de um torvelinho central que este chacra possuiria). O esplênico teria seis pétalas. O sistema budista apresenta número de pétalas diferente. No entanto, John Mann e Lar Short (1992:78s) reproduzem uma tabela extraída do livro Tibetan Buddhist Medicine and Psychiatry, de Terry Clifford, onde não somente assinalam denominações distintas, mas indicam número de raios diferentes - Bem-aventurança (cabeça) - 32; Contentamento (garganta) - 16; Fenômenos (coração) - 8; Transmutação (umbigo) -64; Felicidade (genitais) - 32. Anagarika Govinda, no estudo do misticismo tibetano, relaciona o mesmo número de pétalas do sistema hinduísta (1983:153-155). Pela descrição dos videntes, torna-se impossível uma contagem de pétalas ou ondulações. Pode até dizer-se que se torna impossível dar uma ideia da velocidade em que giram, das cores, tonalidades, brilho etc.
  Tudo o que se possa dizer não dá uma verdadeira ideia da realidade percebida.
  Não sendo possível transcrever aqui as observações dos clarividentes, vamos apenas dar um exemplo, por ser de interesse médico a observação.
  A observação espontânea foi feita, após a manifestação de um Espírito necessitado de evangelização, em uma médium inconsciente, que é, desde jovem, cardíaca. O chacra cardíaco apresentou-se com três partes: na parte central, um núcleo escuro (vide explicação abaixo); partindo dele, surgiam partes alongadas como hélices de um ventilador quando inicia a rotação, mas sem impulso. Lentamente iniciou-se o movimento, mas não atingiu uma aceleração significativa (esta parte que envolvia o núcleo era dourada); uma terceira parte com cores diversas surgia na extremidade do disco. O clarividente perdeu o contato, por ter modificado sua atenção para "um ponto logo abaixo da garganta, muito alvo, brilhante e transparente" (registro de P/2/91).
Núcleo Central
  Os clarividentes destacaram na visão do chacra a existência de um ponto negro que fica ao centro; desse ponto é emitida toda a luminosidade, que alcança níveis impressionantes quando se trata dos chacras dos próprios espíritos. Denominamo-lo de buraco negro, por analogia com os buracos negros da astronomia, embora funcionem inversamente, pois ao invés de absorverem luz eles desprendem luz. Só em uma oportunidade loi feito o registro de absorção de luz. David V. Tansley (1985:25) também assinala o núcleo: "Ele possui um ponto incandescente de imergia no meio da depressão semelhante a um pires (...)". Procurando descrever os elementos componentes dos chacras, Lilian Silburn (1983:49) indica apenas um ponto central existente em cada um deles, a que chama de bindu (conf. Tansley, 1968:71; não confundir com o chacra bindu, referido acima). É Interessante anotar que o ponto foi observado antes que tivéssmos encontrado essas referências, não tendo os médiuns conhecimento do que se tratava. O ponto central, porém, não surge, como vimos, à observação clarividente, como um ponto Incandescente, mas como o ponto que gera a luz do chacra. É possível que Tansley não tenha alcançado o núcleo propriamente dito. Durante muito tempo, e ainda hoje, o assunto é objeto de observação.
  Assinalemos ainda que o centro do chacra transmite ao clarividente uma sensação de profundidade. Esse núcleo central deve ser o local de transferência de energia entre os vários corpos, incluindo o físico.
  No centro de cada uma das mãos, existe um chacra do qual emana luz de diferentes cores e tonalidades, conforme a ocasião. Segundo algumas observações feitas durante os passes em pessoas com males físicos, a luz que dele flui nessas ocasiões é avermelhada (a tonalidade assemelha-se àquela que se obtém quando se coloca o dedo sobre a luz de uma pequena lanterna). Em outras ocasiões, flui grande quantidade de ectoplasma e em outras oferece belos espetáculos de luz com diferentes cores. O ponto central negro é também aí observado. Ainda que não pareça ser o ectoplasma negro que se transforma em luz, na materialização do Espírito, à medida que este vai aplicando pequenas pancadas, há, no entanto, uma certa analogia no que se refere à emanação da luz. Outra indicação seria alguma relação com o corpo causal: Swami Muktananda descreve a visão do corpo causal, como de uma luz negra do tamanho de uma unha (1986:109).

CHACRAS E PLEXOS
  Os chacras, com exceção do coronário, estão relacionados com os plexos nervosos do corpo físico. Embora não haja a respeito muitas diferenciações a assinalar, elas existem entre os autores com relação a uns poucos chacras.
  Anotemos, por exemplo que Weil (1976:104) relaciona o chacra básico com o plexo pélvico ou sagrado, e o genésico, com o plexo hipogástrico.
  Gerard Edde (1987:34), ao básico corresponderia o plexo sagrado e o coccígeo, enquanto que o genésico também estaria ligado ao primeiro.
GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

  Os chacras relacionam-se com as glândulas endócrinas situadas no organismo físico. O quadro a seguir oferece-nos algumas das correspondências. Esta ligação chama-nos a atenção para a importância do seu estudo pelos médicos, sobretudo com o crescente aumento do número de pessoas com alterações glandulares. A observação dos chacras do paciente e o auxílio magnético podem tornar-se medidas aconselháveis. Aqui, também, há diferentes opiniões a respeito, como se pode perceber pelo quadro a seguir.
FINALIZANDO

  Evidentemente, temos acima apenas um leve bosquejo da matéria que o estudo envolve. Seria alargá-lo demasiadamente entrarmos em seguida em questões tais como chacras na mediunidade, despertamento dos chacras, chacras e evolução, etc. Na impossibilidade de tratar de todos estes assuntos no momento, colocaremos à guisa de fecho, algumas anotações –
1)      As experiências levam a sustentar a existência de vários corpos espirituais.
2)      O termo perispírito pode ser empregado, em sentido amplo, referindo-se ao conjunto de corpos espirituais, ou em sentido restrito, dizendo respeito apenas ao corpo astral, como o faz André Luiz.
3)      Na obra de Allan Kardec já existem indícios dos corpos espirituais, revelados pela filosofia dos rishis (videntes) indianos e na literatura espírita posterior.
4)      Não há diferença, na obra de Allan Kardec, entre princípio vital e fluido vital; Prana, Chi, Ki, Energia psíquica, são denominações do fluido vital.
5)      A energia denominada de kundalini é também fluido vital, embora especificada pela sua localização e atuação.
6)      A energia conhecida como kundalini pode ser observada, pela clarividência, na região do epêndima, como uma corrente de luz vermelha que sobe do cóccix em direção ao cérebro.
7)      Há indícios de que energia central (kundalini) tenha influência no desenvolvimento da mediunidade, como o tem nos fenômenos de êxtase.
8)      A kundalini tanto pode erguer-se em direção ao cérebro como descer na direção dos pés, no caso da existência de certos distúrbios.
9)      A realidade dos chacras e nadis pode ser comprovada através da clarividência ou de aparelhos, tais como os inventados pelo Dr. Hiroshi Motoyama.
10)  Existem chacras e nadis correspondentes em cada corpo espiritual.
11)  Diferenças referentes ao número de chacras ou a sua interpretação são devidos aos sistemas de desenvolvimento espiritual utilizados, o que acarreta a omissão de alguns deles ou o destaque dado a outros.
12)  Diferenças nos aspectos dos chacras podem ser devidas - a) ao corpo espiritual focalizado; b) ao desenvolvimento espiritual da pessoa ou do Espírito observado; c) ao observador, como em toda observação.
13)  Os chacras e as nadis parecem ser idênticos aos pontos e meridianos da acupuntura, pelo menos, a nível etérico. O sistema chinês foi importado, inclusive da índia, e desenvolveu-se mais acentuadamente na parte médica.
14)  O relacionamento dos chacras e do sistema de canais (nadis) com o corpo físico, quer através das glândulas endócrinas e dos plexos quer através do sangue, tornam o seu estudo indispensável aos médicos espíritas. O despertamento da energia central (kundalini) no indivíduo pode gerar graves problemas psicóticos, semelhantes aos gerados pela ação de uma personalidade obsessora. Os trabalhos de Itzhac Bentov (1988) e de Lee Sanella {1987) são muito importantes para a compreensão das manifestações da kundalini, desde que seu conhecimento provém da experiência clínica.
15)  A colaboração de médicos e médiuns pode gerar considerável desenvolvimento no conhecimento da influência dos chacras na saúde do indivíduo.
16)  O estudo do sistema de chacras e nadis é também importante para os psicólogos: os chacras são centros de energia psíquica e de consciência. Os sistemas psicológicos pode ser referidos aos chacras. Swami Rama, Rudolf Ballentine, M.D. e Swami Ajaya (Allan Weinstock, PhD.) escreveram um belo trabalho útil a médicos e psicólogos: Yoga and Psychoterapy; the evolution of consciousness [1979), em que estudam a relação dos chacras com a psicologia do homem.
17)  Os fenômenos mediúnicos se verificam pela intermediação do duplo etérico do médium, sejam os de efeitos físicos ou inteligentes, com a utilização dos vários chacras, com resultados correspondentes.
18)  O desenvolvimento isolado dos chacras não é sinal de espiritualidade do indivíduo. Pessoas que se entregam aos prazeres sensuais, que abusam da sexualidade, altamente ciumentas e possessivas, têm o chacra genital bastante desenvolvido.
19)  Os chacras não devem ser desenvolvidos isoladamente. Embora existam vários modos de realizá-lo, o serviço ao próximo é reconhecidamente uma maneira segura de atingi-lo.
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Obs: Como o texto é muito longo não pude adicioná-lo inteiramente.
O mesmo poderá ser lido no seguinte endereço: 



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